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Petróleo na Margem Equatorial: quais estados do Nordeste vão se dar bem?

Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte estão no mapa da Margem Equatorial. Veja onde há exploração e quais benefícios podem chegar ao Nordeste.
Eliseu Lins, da Agência NE9
30 de setembro de 2026 - às 07:43
Atualizado 30 de setembro de 2026 - às 07:43
9 min de leitura

Enquanto MPF questiona licença para perfuração na Foz do Amazonas, quatro estados nordestinos aparecem no mapa de possíveis investimentos com a nova fronteira de petróleo e gás

A disputa em torno da exploração de petróleo na Margem Equatorial voltou ao centro do debate nesta semana. O Ministério Público Federal apresentou um novo recurso contra a perfuração de um poço na Foz do Amazonas, enquanto o governo federal defende o avanço das atividades exploratórias na região.

Embora o caso judicial esteja concentrado no extremo norte do país, a discussão também interessa diretamente ao Nordeste. Isso porque a Margem Equatorial inclui as bacias Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, além da Foz do Amazonas.

No Nordeste, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte aparecem entre os estados que podem receber efeitos econômicos dessa nova fronteira de petróleo e gás, segundo o Ministério de Minas e Energia. (gov.br)

Mas existe uma diferença importante: nem todos esses estados estão na mesma etapa de exploração e nenhum deles tem produção comercial garantida pela atual movimentação.

O que foi liberado na Margem Equatorial?

O ponto de partida da atual disputa está no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.

Em outubro de 2025, o Ibama concedeu licença ambiental para a Petrobras perfurar um poço exploratório na área. O local fica aproximadamente 170 quilômetros da costa do Amapá e 560 quilômetros da foz do Rio Amazonas, de acordo com o Ministério de Minas e Energia. (gov.br)

A autorização, entretanto, permite perfuração exploratória, e não produção imediata de petróleo.

Na prática, a empresa precisa perfurar o poço, analisar os resultados e verificar se existe uma descoberta com potencial comercial. Depois disso, ainda existem outras etapas ambientais, técnicas e econômicas antes de uma eventual produção.

Portanto, a Margem Equatorial não está liberada integralmente para produção de petróleo.

MPF recorre contra a perfuração

A licença voltou ao centro da disputa porque o Ministério Público Federal apresentou um novo recurso para tentar suspender a autorização concedida à Petrobras.

O MPF questiona aspectos ambientais e do processo de licenciamento e pede a suspensão da perfuração do poço FZA-M-59. O órgão também apresentou argumentos relacionados aos impactos sobre comunidades tradicionais, riscos ambientais e estudos utilizados no processo. (mpf.mp.br)

Assim, a situação atual envolve duas frentes diferentes: a licença ambiental continua sendo objeto de contestação judicial, enquanto o governo federal defende a continuidade da exploração da nova fronteira petrolífera.

Quatro estados do Nordeste aparecem no mapa

A Margem Equatorial se estende por uma grande faixa do litoral brasileiro.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a área inclui as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. O governo federal cita Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte entre os estados nordestinos que podem se beneficiar do desenvolvimento dessa fronteira. (gov.br)

EstadoRelação com a Margem EquatorialPossíveis impactos
MaranhãoBacias Pará-Maranhão e BarreirinhasExploração, serviços, fornecedores e possíveis receitas
PiauíInserido na estratégia econômica regionalServiços, investimentos e cadeia de fornecedores
CearáBacia do CearáExploração offshore, serviços e possível produção
Rio Grande do NorteBacia PotiguarExploração, produção, serviços e cadeia de fornecedores

No entanto, cada estado está em uma situação diferente. Por isso, não é correto tratar os quatro como se já tivessem projetos de produção de petróleo em andamento.

Ceará e Rio Grande do Norte já têm histórico de petróleo

Entre os estados nordestinos, Ceará e Rio Grande do Norte possuem uma relação histórica mais direta com a indústria de petróleo.

A Bacia Potiguar, por exemplo, possui áreas terrestres e marítimas e há décadas participa da atividade de exploração e produção de petróleo e gás.

Já a Bacia do Ceará integra a Margem Equatorial e aparece entre as áreas consideradas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em seus ciclos de oferta de blocos exploratórios. (gov.br)

Além disso, a ANP mantém áreas das bacias do Ceará e Potiguar dentro do planejamento exploratório da região.

Assim, uma eventual expansão da atividade pode movimentar uma cadeia que envolve empresas de serviços, logística, transporte, manutenção, engenharia e fornecimento de equipamentos.

Maranhão entra em uma nova fronteira

O Maranhão também ocupa uma posição estratégica.

As bacias Pará-Maranhão e Barreirinhas fazem parte da Margem Equatorial. Em junho de 2026, a ANP aprovou a indicação de 86 blocos exploratórios para estudos visando futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão.

Desse total:

  • 36 blocos ficam na Bacia da Foz do Amazonas;
  • 25 na Bacia Pará-Maranhão;
  • 25 na Bacia de Barreirinhas. (gov.br)

O movimento mostra que o interesse exploratório vai além do poço que atualmente está no centro da disputa judicial.

Entretanto, indicação de blocos não significa produção garantida. Antes de chegar ao petróleo comercial, cada área precisa passar por diferentes etapas de exploração, avaliação e licenciamento.

E o Piauí?

O Piauí apresenta uma situação diferente.

O estado aparece entre os possíveis beneficiários econômicos da Margem Equatorial, mas não concentra o atual poço que está no centro da disputa judicial.

Nesse caso, os possíveis efeitos passam principalmente pela cadeia econômica regional, por investimentos em infraestrutura, serviços e fornecedores.

O governo do Piauí também defende que o estado pode participar dos efeitos econômicos da nova fronteira de petróleo e gás. (pi.gov.br)

Portanto, é importante diferenciar participação econômica regional de uma eventual área produtora localizada no território ou na costa do estado.

Onde entram os royalties?

Os royalties estão entre os pontos que mais despertam interesse quando se fala em petróleo.

Porém, existe uma regra importante: estar dentro da área de influência da Margem Equatorial não garante automaticamente o recebimento de royalties.

A distribuição depende da produção efetivamente realizada, da localização dos campos e das regras estabelecidas pela legislação do setor.

No caso da produção marítima, a ANP considera critérios específicos para definir estados e municípios confrontantes com os campos produtores. (gov.br)

Isso significa que, antes de falar em quanto cada estado poderá receber, é necessário saber onde haverá produção comercial e qual será o volume produzido.

Por enquanto, portanto, os possíveis royalties devem ser tratados como perspectiva futura, e não como receita garantida.

Quanto dinheiro a Margem Equatorial pode movimentar?

O governo federal apresenta a região como uma nova fronteira energética com potencial para atrair grandes investimentos.

O Ministério de Minas e Energia estima US$ 56 bilhões em investimentos e até US$ 200 bilhões em receitas governamentais associadas ao desenvolvimento da Margem Equatorial. (gov.br)

Esses valores, entretanto, representam estimativas e projeções do governo, e não recursos já contratados nem receitas garantidas para os estados.

Enquanto isso, a ANP informou que as cinco bacias marítimas da Margem Equatorial tinham previsão de aproximadamente US$ 196 milhões em investimentos exploratórios em 2026. (gov.br)

Essa diferença mostra o estágio atual do projeto: o Brasil ainda está na fase de exploração e avaliação do potencial.

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O que pode acontecer se forem encontradas grandes reservas?

Se as perfurações identificarem reservas comercialmente viáveis, o processo ainda terá várias etapas.

A sequência pode ser resumida assim:

Perfuração → descoberta → avaliação → declaração de comercialidade → desenvolvimento do campo → produção.

Somente depois da confirmação da produção entram em cena os efeitos econômicos mais amplos, como royalties, participação governamental, contratação de serviços e investimentos em infraestrutura relacionados ao campo.

Além disso, uma descoberta relevante pode estimular empresas a investir na cadeia de fornecedores.

Isso significa que o impacto econômico pode começar antes da produção, mas os valores e a distribuição dependerão do desenvolvimento efetivo dos projetos.

Quais estados nordestinos podem ser beneficiados?

Considerando as informações oficiais disponíveis, o mapa nordestino da Margem Equatorial envolve principalmente quatro estados:

Maranhão

Tem relação direta com as bacias Pará-Maranhão e Barreirinhas e aparece entre as áreas com novos blocos em avaliação.

Piauí

Pode participar dos efeitos econômicos regionais, principalmente por meio de investimentos, serviços e cadeia de fornecedores.

Ceará

Possui a Bacia do Ceará dentro da Margem Equatorial e também tem histórico na indústria de petróleo e gás.

Rio Grande do Norte

Possui a Bacia Potiguar e uma cadeia petrolífera já consolidada, o que pode facilitar a participação de empresas locais em novos projetos.

Ainda assim, nenhum desses estados tem garantia de receber determinada quantia em royalties ou investimentos futuros apenas por estar relacionado à Margem Equato

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.