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Nordeste chega a 37,3 milhões de bovinos e iguala Sudeste pela primeira vez

O Nordeste alcançou 37,3 milhões de cabeças de gado em 2025 e praticamente empatou com o Sudeste no tamanho do rebanho bovino. Segundo os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, a diferença ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
1 de outubro de 2026 - às 06:56
Atualizado 1 de outubro de 2026 - às 06:56
6 min de leitura

O Nordeste alcançou 37,3 milhões de cabeças de gado em 2025 e praticamente empatou com o Sudeste no tamanho do rebanho bovino. Segundo os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE, a diferença entre as duas regiões ficou em menos de 34 mil animais.

A princípio, o resultado chama atenção porque o movimento acontece enquanto outras regiões reduziram seus rebanhos. Além disso, o Nordeste registrou crescimento de 2,2% em 2025, acrescentando aproximadamente 815,9 mil cabeças em apenas um ano.

Com isso, a região passou a representar 15,9% de todo o rebanho bovino brasileiro. Em nove anos, o avanço chegou a 31,2%, saindo de 28,4 milhões de cabeças em 2016 para os atuais 37,3 milhões.

Nordeste encurta distância para o Sudeste

A aproximação entre as duas regiões ganhou força ao longo da última década. Em 2016, o Nordeste tinha aproximadamente 10,7 milhões de bovinos a menos que o Sudeste.

Agora, os dois aparecem praticamente empatados.

RegiãoRebanho bovino em 2025Variação em 2025
Centro-Oeste72,2 milhões-3,7%
Norte63,4 milhões-1,8%
Nordeste37,3 milhões+2,2%
Sudeste37,3 milhões-1,0%
Sul24,1 milhões-1,7%

O Centro-Oeste continua concentrando o maior rebanho do país, com 72,2 milhões de animais, enquanto o Norte aparece na segunda posição, com 63,4 milhões. Entretanto, somente o Nordeste aumentou seu efetivo em 2025, de acordo com os dados apresentados pelo IBGE.

Bahia e Maranhão concentram quase dois terços do gado nordestino

Apesar do crescimento espalhado pelos estados, dois territórios concentram a maior parte da pecuária bovina regional.

A Bahia lidera o Nordeste, com 13,8 milhões de cabeças. O estado reúne aproximadamente 37% do rebanho regional e registrou crescimento de 1% em relação a 2024. Logo depois aparece o Maranhão, com 10,3 milhões de animais e participação de 27,7%.

Somados, Bahia e Maranhão concentram 64,7% de todo o rebanho bovino nordestino.

EstadoRebanho bovino em 2025
Bahia13,8 milhões
Maranhão10,3 milhões
Ceará3,0 milhões
Pernambuco2,8 milhões
Paraíba1,6 milhão
Rio Grande do Norte1,5 milhão
Alagoas1,5 milhão
Sergipe1,5 milhão
Piauí1,4 milhão

Os números mostram, portanto, uma concentração importante. Bahia e Maranhão sozinhos possuem um rebanho superior à soma dos outros sete estados nordestinos.

Sergipe e Rio Grande do Norte tiveram os maiores avanços proporcionais

O crescimento de 2025 não aconteceu de maneira uniforme.

Sergipe apresentou a maior expansão proporcional, com alta de 9,7% e rebanho de aproximadamente 1,5 milhão de cabeças. Em seguida aparece o Rio Grande do Norte, que avançou 8,6% e também chegou a cerca de 1,5 milhão de animais.

Contudo, quando o critério é o aumento absoluto, a disputa muda. Sergipe acrescentou aproximadamente 130,5 mil cabeças, enquanto a Bahia adicionou 130,4 mil. Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte também registraram aumentos expressivos.

EstadoCrescimento em 2025Aumento aproximado
Sergipe+9,7%+130,5 mil
Rio Grande do Norte+8,6%+118,8 mil
Bahia+1,0%+130,4 mil
Ceará—+128,1 mil
Pernambuco—+124,0 mil
Piauí-0,6%-8,0 mil

O Piauí foi o único estado nordestino que reduziu o rebanho em 2025. A queda chegou a 0,6%, ou cerca de 8 mil animais.

Maranhão também aparece entre os maiores polos municipais

A força do Maranhão fica ainda mais evidente quando o levantamento chega ao nível municipal.

Sendo assim, dos cinco municípios nordestinos com os maiores rebanhos bovinos, quatro estão no Maranhão. Açailândia lidera, com aproximadamente 384,9 mil cabeças. Depois aparecem Santa Luzia, com 350,9 mil, e Amarante do Maranhão, com 325,6 mil. Grajaú, também no Maranhão, aparece na quarta posição, enquanto Santa Rita de Cássia, na Bahia, completa as cinco primeiras posições.

Além disso, oito dos dez maiores rebanhos municipais do Nordeste estão no Maranhão, segundo as tabelas da PPM 2025.

Pecuária nordestina também avança no leite

O crescimento do rebanho não se limita à pecuária de corte.

Em 2025, o Nordeste produziu aproximadamente 6,6 bilhões de litros de leite, alta de 2,7% em relação ao ano anterior. O volume representa cerca de 18% da produção nacional e manteve a região na terceira posição entre as grandes regiões brasileiras.

Com isso, Ceará e Pernambuco aparecem entre os destaques desse movimento.

Por outro lado, os números também mostram um desafio para a atividade. A produtividade média nordestina ficou em 1.657 litros por vaca ao ano, enquanto o Sul alcançou 4.290 litros por animal.

Assim, o crescimento do volume de leite no Nordeste está mais associado à expansão do plantel do que a um salto equivalente de produtividade por animal.

A pecuária é uma das principais atividades econômicas do país.

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O que explica o avanço do rebanho no Nordeste?

O dado de 2025 mostra uma mudança importante na distribuição da pecuária brasileira, mas o número de animais, sozinho, não explica as razões desse movimento.

A própria PPM é uma pesquisa que acompanha os efetivos animais e a produção pecuária nos municípios brasileiros. Portanto, os números permitem identificar a evolução e a concentração dos rebanhos, enquanto uma análise sobre causas específicas exige considerar fatores como condições climáticas, disponibilidade de pastagens, preços, sistemas de produção e investimentos.

Ainda assim, a série histórica revela uma tendência clara: o Nordeste ampliou seu rebanho em mais de 8,8 milhões de cabeças desde 2016, enquanto o Sudeste reduziu sua participação relativa.

Sendo assim, o resultado muda o mapa da pecuária brasileira e coloca o Nordeste praticamente lado a lado com o Sudeste em número de bovinos.

Nordeste ganha peso no mapa da pecuária brasileira

O dado mais relevante da PPM 2025 não está apenas nos 37,3 milhões de animais.

Assim, em 2016, o Nordeste possuía 28,4 milhões de bovinos. Nove anos depois, chegou a 37,3 milhões. Nesse intervalo, a diferença para o Sudeste caiu de 10,7 milhões de cabeças para menos de 34 mil.

Portanto, o Nordeste praticamente alcançou o Sudeste em tamanho de rebanho bovino pela primeira vez na série apresentada pelo IBGE.

Afinal, a mudança reforça o peso da pecuária nordestina dentro do agronegócio brasileiro e, ao mesmo tempo, abre espaço para acompanhar outro ponto: quanto desse crescimento se transforma em produção de carne, leite, empregos e negócios ligados à cadeia pecuária nos nove estados.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.