Formação se estende por quatro estados e reúne montanhas, brejos de altitude, cidades históricas e destinos que começam a ganhar força no turismo de natureza
Quando se fala em Nordeste, a imagem mais comum costuma estar associada ao litoral, às praias e ao clima quente. Mas existe, no interior da região, uma paisagem completamente diferente: serras, montanhas, temperaturas mais amenas, neblina e áreas de vegetação mais úmida.
Esse cenário tem uma explicação geográfica. É o Planalto da Borborema, uma das principais unidades de relevo do Nordeste e um enorme conjunto de serras que atravessa Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A formação se estende por aproximadamente 400 quilômetros no sentido norte-sul.
A princípio, mais do que uma cadeia de montanhas, a Borborema exerce influência direta sobre o clima, a distribuição das chuvas, os rios, a vegetação e até a ocupação humana de boa parte do interior nordestino.
Uma montanha que atravessa quatro estados

O Planalto da Borborema ocupa uma área extensa do Nordeste Oriental e funciona como uma espécie de grande divisor natural entre diferentes regiões.
Em seu território estão algumas das cidades mais importantes do interior nordestino, como Campina Grande e Bananeiras, na Paraíba; Caruaru, Garanhuns e Gravatá, em Pernambuco; Arapiraca e Palmeira dos Índios, em Alagoas; e Currais Novos, no Rio Grande do Norte.
A formação apresenta altitudes bastante variadas. Em muitos trechos, as elevações ficam entre algumas centenas de metros, mas determinados maciços ultrapassam os 1.000 metros.
Dessa maneira, é justamente essa variação que cria algumas das paisagens mais diferentes do Nordeste.
Pico do Jabre é um dos grandes símbolos da Borborema
Na Paraíba, a Serra de Teixeira abriga o Pico do Jabre, localizado entre os municípios de Maturéia e Mãe d’Água.
Durante décadas, a referência oficial apontou 1.197 metros de altitude para o ponto mais alto. Um levantamento realizado por pesquisadores e técnicos identificou, entretanto, 1.208 metros no topo de uma grande formação rochosa, e os dados foram encaminhados ao IBGE para avaliação.
O Pico do Jabre é o ponto mais alto da Paraíba e está entre as maiores elevações do Nordeste Setentrional. Entretanto, o local também apresenta uma característica rara: em pleno domínio semiárido, existem áreas com vegetação associada a ambientes mais úmidos.
Por que a Borborema influencia as chuvas?

A localização e a altitude do planalto ajudam a explicar uma das características mais marcantes do Nordeste: a diferença de clima entre o litoral, o Agreste e o Sertão.
Assim, os ventos carregados de umidade que chegam do oceano encontram as elevações da Borborema. Ao subir pelas encostas, o ar pode se resfriar e favorecer a formação de chuvas.
Depois de atravessar as áreas mais elevadas, parte do ar chega ao interior com menor quantidade de umidade. Esse processo contribui para a existência de áreas mais secas no Sertão.
Por isso, a Borborema funciona como um importante elemento do sistema climático e hidrográfico do Nordeste Oriental. Estudos e documentos técnicos destacam sua influência sobre o relevo, a rede hidrográfica e os climas da Paraíba.

O fenômeno dos brejos de altitude
Talvez uma das características mais interessantes da Borborema esteja nos chamados brejos de altitude.
São áreas localizadas em regiões elevadas que apresentam condições ambientais diferentes das áreas semiáridas ao redor. Em determinados pontos, a altitude e a circulação de umidade permitem o desenvolvimento de vegetação mais densa e úmida.
O Pico do Jabre é um exemplo desse contraste. Pesquisas identificam no local um mosaico de vegetação que reúne elementos da Caatinga e de formações florestais mais úmidas.
Sendo assim, o resultado aparece na paisagem: enquanto áreas próximas podem apresentar características típicas do semiárido, as partes mais elevadas das serras podem apresentar mata, temperaturas mais agradáveis e maior umidade.
De Campina Grande a Garanhuns: cidades que cresceram na Borborema
A presença do planalto também ajudou a moldar a identidade de várias cidades nordestinas.
Assim, Campina Grande, na Paraíba, tornou-se um dos principais centros urbanos do interior do Nordeste. Caruaru e Garanhuns, em Pernambuco, também estão inseridas nesse universo de serras e áreas de transição.
No Rio Grande do Norte, cidades como Serra de São Bento, Monte das Gameleiras, Martins, Portalegre, Cerro Corá, Currais Novos e Tenente Laurentino Cruz apresentam paisagens serranas que contrastam com a imagem tradicional do estado associada ao litoral.
Na Paraíba, destinos como Bananeiras, Areia, Serraria, Pilões, Solânea e Araruna também aproveitam as características do relevo para desenvolver atividades turísticas.
A Borborema também é um patrimônio natural

A importância da região não está apenas na paisagem.
O Planalto da Borborema possui formações geológicas antigas e complexas. Mas, estudos sobre o Pico do Jabre, por exemplo, identificam rochas graníticas e outras estruturas associadas à história geológica da região, formada em estruturas muito antigas do embasamento cristalino.
A biodiversidade também chama atenção. No entorno do Pico do Jabre, pesquisas registram espécies de plantas e animais adaptadas às condições particulares das áreas elevadas.
Essa combinação de geologia, relevo, clima, vegetação e biodiversidade transforma a Borborema em um patrimônio natural de grande importância para o Nordeste.
Uma região ainda pouco conhecida pelos próprios nordestinos
Apesar de sua dimensão e importância, a Borborema ainda é menos conhecida turisticamente do que o litoral nordestino.
E justamente aí pode estar uma das grandes oportunidades.
Portanto, a região oferece algo que o Nordeste possui em abundância, mas que durante muito tempo recebeu menos atenção: diversidade de paisagens dentro de uma mesma região.
Afinal, em poucas horas de viagem, é possível sair de áreas quentes e secas para encontrar serras, temperaturas mais baixas, neblina, matas, cidades históricas e uma gastronomia própria das regiões de altitude.
Essa diversidade já aparece em destinos como Garanhuns, Bananeiras, Areia, Araruna, Serra de São Bento e Martins, que vêm consolidando suas próprias experiências de turismo.

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Um Nordeste além das praias
O Planalto da Borborema ajuda a contar uma história diferente sobre o Nordeste.
É uma história de montanhas em meio ao semiárido, cidades construídas nas serras, brejos de altitude, clima ameno, biodiversidade e paisagens que mudam completamente de acordo com a altitude.
E talvez esse seja justamente o maior potencial turístico da região: mostrar que o Nordeste não termina onde acaba o litoral.
Entre Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, a Borborema forma um grande território de serras que ainda guarda muitos lugares para descobrir.
Planalto da Borborema em números
| Característica | Informação |
|---|---|
| Estados | AL, PE, PB e RN |
| Extensão aproximada | Cerca de 400 km |
| Tipo de formação | Região serrana/planalto |
| Altitude | De centenas de metros a mais de 1.000 m |
| Ponto de destaque | Pico do Jabre, na Paraíba |
| Altitude oficial tradicional do Jabre | 1.197 m |
| Nova medição divulgada | 1.208 m |
| Serra associada ao Jabre | Serra de Teixeira |
| Ambientes | Caatinga, matas serranas e brejos de altitude |
| Potencial turístico | Ecoturismo, aventura, cultura, gastronomia e turismo rural |


