Início » Destaques » Investimento estrangeiro cresce 33% no Brasil; Nordeste tem projetos bilionários

Destaques

Investimento estrangeiro cresce 33% no Brasil; Nordeste tem projetos bilionários

O Brasil recebeu US$ 46,9 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 33% em relação aos US$ 35,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. A ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
29 de julho de 2026 - às 06:54
Atualizado 29 de julho de 2026 - às 06:54
6 min de leitura

O Brasil recebeu US$ 46,9 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 33% em relação aos US$ 35,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

A princípio, o resultado divulgado pelo Banco Central reforça a confiança de investidores internacionais na economia brasileira e aproxima o país da marca histórica de US$ 90 bilhões em investimentos acumulados em 12 meses.

Parte importante desse capital está chegando ao Nordeste, que vive um novo ciclo de investimentos estrangeiros impulsionado pela transição energética, pela indústria automotiva, pelo turismo de alto padrão e pela mineração.

Brasil segue entre os principais destinos de investimento do mundo

O investimento direto é considerado um dos indicadores mais importantes da confiança internacional, pois representa recursos destinados à construção de fábricas, hotéis, minas, parques industriais e novos negócios, diferentemente do capital financeiro de curto prazo.

Segundo o Banco Central, os investimentos acumulados em 12 meses se aproximam de US$ 90 bilhões, um dos maiores patamares já registrados pelo país. O bom desempenho também acompanha a melhora da posição brasileira em rankings internacionais de atratividade para investidores.

Nordeste concentra alguns dos maiores projetos internacionais

Nos últimos anos, a região passou a receber investimentos de empresas da China, Austrália, França, Polônia, Tailândia e Canadá, consolidando-se como uma das principais fronteiras de expansão econômica do país.

Conheça cinco projetos que explicam esse movimento

1. BYD transforma antigo complexo da Ford em polo de veículos elétricos

Local da Fabrica da BYD na Bahia
Local da Fabrica da BYD na Bahia

Local: Camaçari (BA)

Investimento: R$ 5,5 bilhões

Origem: China

A chinesa BYD está convertendo o antigo complexo da Ford em Camaçari em seu maior centro industrial fora da Ásia.

A unidade produzirá:

  • veículos elétricos;
  • híbridos;
  • chassis para ônibus;
  • baterias;
  • componentes automotivos.

Quando atingir sua capacidade máxima, a fábrica poderá produzir até 300 mil veículos por ano, fortalecendo a cadeia automotiva brasileira.

Impacto esperado

  • cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos;
  • fortalecimento da indústria nacional de veículos elétricos.

2. Resort internacional deve transformar Baía Formosa

Resort em BF foto divulgação
Resort em BF foto divulgação

Local: Baía Formosa (RN)

Investimento: R$ 600 milhões

Origem: Polônia e Tailândia

O Aventora Resort, desenvolvido pela Arteco Estrela e operado pela Minor Hotels, será um dos maiores empreendimentos turísticos do litoral potiguar.

O complexo reunirá:

  • resort de luxo;
  • residências;
  • centro comercial;
  • áreas de lazer;
  • preservação ambiental.

A Minor Hotels administra marcas internacionais como Anantara e Avani, ampliando a presença de grupos globais no turismo nordestino.

3. Ceará lidera corrida pelo hidrogênio verde

GOVERNADOR ELMANO DE FREITAS INAUGURA A PRIMEIRA USINA DE HIDROGENIO VERDE DO BRASIL

FOTOS: THIAGO GASPAR/ GOV. DO CEARA

TAGS: HIDROGENIO VERDE, USINA, PRIMEIRA MOLECULA DE HIDROGENIO VERDE DO BRASIL, GOVERNADOR, ELMANO DE FREITAS

Local: Complexo do Pecém (CE)

Investimentos potenciais: mais de US$ 30 bilhões

O Ceará tornou-se uma das maiores apostas mundiais na produção de hidrogênio verde.

Entre as multinacionais envolvidas estão:

  • Fortescue (Austrália);
  • Qair (França);
  • Enegix (Austrália);
  • outras empresas globais do setor energético.

Diversos memorandos já evoluíram para contratos e pré-contratos, colocando o Pecém entre os maiores hubs de hidrogênio verde do planeta.

4. Banco Mundial apoia expansão da indústria verde

Porto indústria verde do RN
Porto indústria verde do RN imagem divulgação

Abrangência: Nordeste

Recursos: R$ 5,3 bilhões

O Banco do Nordeste estruturou um programa financiado pelo Banco Mundial para estimular projetos ligados à:

  • descarbonização;
  • química verde;
  • manufatura sustentável;
  • energia limpa;
  • novas cadeias industriais.

A expectativa é que os recursos atraiam empresas estrangeiras interessadas na economia de baixo carbono.

5. Mina Borborema coloca o RN na nova geografia mundial do ouro

Aura Mineral na MIna Borborema
Aura Mineral na MIna Borborema

Local: Currais Novos (RN)

Empresa: Aura Minerals (Canadá)

Investimento: mais de R$ 1 bilhão

A Aura Minerals iniciou recentemente a operação da Mina Borborema, produzindo a primeira barra de ouro do empreendimento após apenas 19 meses de construção.

O projeto prevê:

  • vida útil superior a 11 anos;
  • produção de aproximadamente 748 mil onças de ouro;
  • geração de mais de 2 mil empregos diretos e indiretos.

A mina reforça o protagonismo do Seridó como nova fronteira da mineração brasileira e amplia a participação do Rio Grande do Norte na atração de capital internacional.

Resumo: 05 grandes investimentos estrangeiros em andamento no Nordeste

ProjetoEstadoPaís de origemValor
BYDBahiaChinaR$ 5,5 bilhões
Aventora ResortRio Grande do NortePolônia / TailândiaR$ 600 milhões
Hub de Hidrogênio VerdeCearáAustrália, França e outrosMais de US$ 30 bilhões
Indústria Verde (BNB/Banco Mundial)NordesteOrganismos multilateraisR$ 5,3 bilhões
Mina Borborema (Aura Minerals)Rio Grande do NorteCanadáMais de R$ 1 bilhão

LEIA TAMBÉM:

Por que o Nordeste atrai tanto investimento?

Especialistas apontam que a região reúne vantagens competitivas que ganharam importância nos últimos anos.

Entre elas estão:

  • abundância de energia renovável;
  • potencial para hidrogênio verde;
  • disponibilidade de áreas industriais;
  • crescimento do turismo internacional;
  • reservas minerais;
  • localização estratégica para exportações.

Esses fatores vêm atraindo empresas interessadas tanto no mercado brasileiro quanto na exportação para Europa, América do Norte e Ásia.

Brasil amplia protagonismo na atração de capital produtivo

O avanço de 33% nos investimentos diretos mostra que o Brasil continua sendo um dos principais destinos globais para projetos de longo prazo. Afinal, no Nordeste, esse movimento ganha ainda mais força com investimentos que abrangem setores estratégicos como mobilidade elétrica, mineração, turismo e energia limpa, criando empregos, ampliando a capacidade industrial e fortalecendo a posição da região na economia internacional.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.