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Conheça a cidade que movimenta quase US$ 1 bilhão com exportação de frutas no sertão

Em um cenário que contraria a imagem tradicional do Sertão brasileiro, Petrolina, no Sertão de Pernambuco, consolidou-se como o maior polo exportador de frutas frescas do Brasil. Ao lado de Juazeiro, na Bahia, a cidade ...
Redação NE9 Nordeste, da Agência NE9
28 de julho de 2026 - às 01:31
Atualizado 28 de julho de 2026 - às 01:31
5 min de leitura

Em um cenário que contraria a imagem tradicional do Sertão brasileiro, Petrolina, no Sertão de Pernambuco, consolidou-se como o maior polo exportador de frutas frescas do Brasil. Ao lado de Juazeiro, na Bahia, a cidade lidera uma das regiões agrícolas mais produtivas do país, abastecendo supermercados da Europa, América do Norte, Ásia e Oriente Médio com frutas cultivadas às margens do Rio São Francisco.

A princípio, o sucesso da região é resultado da combinação entre irrigação, tecnologia, pesquisa científica e condições climáticas únicas, que permitem colher frutas durante praticamente todo o ano.

Duas frutas lideram as exportações brasileiras

Antes de mais nada, o Vale do São Francisco tornou-se referência internacional principalmente pela produção de manga e uva de mesa, responsáveis pela maior parte das exportações da região.

De acordo com dados do ComexStat, o polo chegou a responder por cerca de 98% das exportações brasileiras de uva de mesa em 2024, consolidando a liderança nacional nesse segmento.

Assim, a manga também ocupa posição de destaque e figura entre as frutas brasileiras mais exportadas para mercados exigentes como Holanda, Reino Unido, Estados Unidos, Espanha, Portugal e Canadá.

Região produz muito mais que manga e uva

Embora essas duas frutas sejam as principais vitrines internacionais do Vale do São Francisco, a produção regional é bastante diversificada.

Entre as frutas cultivadas na região estão:

FrutaDestaque
🍇 Uva de mesaPrincipal produto exportado pelo Brasil
🥭 MangaLíder nacional nas exportações
🍋 LimãoMercado interno e exportação
🍈 MelãoProdução crescente
🍉 MelanciaGrande volume comercializado
🍌 BananaAbastecimento nacional
🥥 CocoProdução irrigada
🍍 GoiabaIndústria e consumo in natura
🍑 AcerolaRica em vitamina C, destinada também à indústria
🍈 MaracujáMercado interno e processamento
🍈 PitaiaCultura em expansão na região
🫐 RomãNicho de exportação e mercado gourmet

Além das frutas frescas, parte da produção é destinada às indústrias de sucos, polpas, vinhos e espumantes, agregando ainda mais valor ao agronegócio regional.

O segredo está na irrigação do Rio São Francisco

O que tornou possível essa transformação foi a utilização racional das águas do Rio São Francisco.

Por meio de mais de 156 quilômetros de canais de irrigação, implantados pela Codevasf, a água chega às propriedades rurais durante todo o ano, permitindo uma produção contínua mesmo em pleno semiárido.

Somado ao clima quente, baixa umidade e elevada incidência solar, o sistema reduz a ocorrência de doenças nas plantações e favorece frutas com elevado padrão de qualidade.

Até duas safras por ano

Enquanto diversas regiões produtoras brasileiras realizam apenas uma colheita anual de determinadas culturas, o Vale do São Francisco consegue produzir duas ou até mais safras por ano em algumas variedades.

No caso da uva, por exemplo, os produtores conseguem programar a colheita praticamente conforme a demanda do mercado internacional.

Essa capacidade permite fornecer frutas frescas durante períodos em que concorrentes de outros países estão fora de safra, aumentando a competitividade brasileira.

Pesquisa científica impulsiona a produção

Outro diferencial está na atuação da Embrapa Semiárido, instalada em Petrolina desde a década de 1970.

A unidade desenvolve pesquisas voltadas ao semiárido brasileiro, criando variedades de frutas adaptadas às altas temperaturas, aperfeiçoando técnicas de irrigação, manejo e controle fitossanitário.

Grande parte dos avanços tecnológicos utilizados atualmente pelos produtores nasceu justamente dessas pesquisas.

Exportações chegam a mais de 50 países

A estrutura logística da região também impulsiona o crescimento das exportações.

Com o apoio de mais de 200 empresas ligadas à fruticultura, reunidas em entidades como a Valexport, o polo Petrolina-Juazeiro abastece consumidores em diversos continentes.

As frutas seguem principalmente para:

  • Países da União Europeia;
  • Reino Unido;
  • Estados Unidos;
  • Canadá;
  • Oriente Médio;
  • Ásia.

O calendário de produção praticamente contínuo garante fornecimento regular aos importadores durante grande parte do ano.

Fruticultura movimenta economia do Nordeste

Muito além das exportações, a fruticultura irrigada transformou a economia do Sertão pernambucano e baiano.

O setor gera milhares de empregos diretos e indiretos, impulsiona empresas de logística, embalagens, transporte, pesquisa, irrigação, comércio exterior e turismo de negócios.

Hoje, Petrolina e Juazeiro são reconhecidas internacionalmente como um dos principais polos mundiais de produção de frutas tropicais irrigadas, mostrando que tecnologia, planejamento e inovação podem transformar o semiárido em uma das regiões agrícolas mais produtivas do planeta.

fruticultura baiana
A fruticultura é o principal gerador de empregos em diversas cidades como Petrolina. Foto: Ascom/Seagri

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As principais frutas produzidas no Vale do São Francisco

FrutaDestino predominante
UvaExportação e mercado interno
MangaExportação
MelãoMercado interno e exportação
MelanciaMercado nacional
BananaConsumo interno
GoiabaIndústria e consumo fresco
AcerolaPolpas e exportação
MaracujáIndústria alimentícia
LimãoMercado interno e externo
CocoConsumo nacional
PitaiaMercado premium
RomãExportação e nichos especializados

Números do polo Petrolina–Juazeiro

IndicadorDados
Países atendidosMais de 50
Exportações em 2024Cerca de US$ 1 bilhão
Empresas exportadorasMais de 200
Participação nas exportações brasileiras de uvaCerca de 98%
Extensão dos canais de irrigaçãoMais de 156 km