Início » Cotidiano » Eles procuravam petróleo e encontraram uma fonte de águas termais no Sertão

Cotidiano

Eles procuravam petróleo e encontraram uma fonte de águas termais no Sertão

Em 1948, uma perfuração em busca de petróleo revelou águas termais de 48°C. Conheça a história de Caldas do Jorro, em Tucano, na Bahia.
Eliseu Lins, da Agência NE9
28 de setembro de 2026 - às 16:00
Atualizado 28 de setembro de 2026 - às 16:00
4 min de leitura

No sertão da Bahia, uma perfuração em busca de petróleo acabou revelando um jorro de água quente. Décadas depois, o local se transformou em um dos destinos termais conhecidos do Nordeste.

Imagine perfurar o solo em busca de petróleo e, em vez do combustível, encontrar uma fonte de água quente que começa a jorrar.

Foi justamente isso que aconteceu na região onde hoje está Caldas do Jorro, distrito de Tucano, no interior da Bahia.

A história começou em 1948, quando o então Conselho Nacional de Petróleo determinou a perfuração de um poço na Fazenda Macaco, a cerca de 8 quilômetros da sede de Tucano. A princípio, a busca pelo petróleo não encontrou o óleo esperado. Porém, os trabalhos revelaram uma reserva de água termal.

E a descoberta mudou completamente o destino daquele lugar.

Em vez de petróleo, água a 48°C

Segundo registros do Serviço Geológico do Brasil, o poço que deu origem ao Jorro apresentou surgência de aproximadamente 91,5 m³ de água por hora.

A água chegava à superfície com temperatura de 48°C e apresentava características sulfurosas. O local passou a ser conhecido como Jorro e, posteriormente, se consolidou como a Estância Hidromineral Caldas do Jorro.

A Prefeitura de Tucano também registra que a perfuração ocorreu no final de 1948 e que, em vez do petróleo esperado pelos engenheiros, surgiu um jorro de água quente.

O detalhe que torna a história ainda mais curiosa

A perfuração chegou a aproximadamente 1.860 metros de profundidade, segundo registro acadêmico da Universidade Federal da Bahia.

Depois de não encontrar petróleo, a equipe identificou a água termal, que passou por análises antes de ganhar importância para o desenvolvimento do local.

Ou seja:

o que começou como uma tentativa de encontrar petróleo acabou criando um dos principais atrativos turísticos de Tucano.

Hoje, a água quente virou atração turística

Com o passar dos anos, o entorno da fonte se transformou.

Hotéis, pousadas, restaurantes e equipamentos turísticos surgiram para atender os visitantes que chegam à região em busca das águas termais.

No centro de Caldas do Jorro está a Praça Ana Oliveira, conhecida também como Praça do Banho, onde ficam as fontes utilizadas pelos visitantes. A Prefeitura registra que as águas chegam a 48°C.

Dessa maneira, a Embrapa também destaca Caldas do Jorro entre os pontos turísticos relacionados às águas subterrâneas de Tucano e registra as fontes termais com temperaturas de até 48°C.

O calor não vem de uma caldeira artificial

E existe outra curiosidade.

A água não precisa ser aquecida artificialmente para chegar quente às fontes. O estudo geológico do Serviço Geológico do Brasil identifica a ocorrência como uma água termal e sulfurosa, que chega naturalmente à superfície por meio do sistema subterrâneo.

O mesmo estudo registra ainda outro ponto turístico próximo: o Jorrinho, onde um poço perfurado em 1966 produz água termal a aproximadamente 38°C.

Assim, Tucano acabou reunindo mais de uma manifestação de águas termais na região.

Onde fica Caldas do Jorro?

Caldas do Jorro é um distrito de Tucano, no norte da Bahia. O distrito fica a aproximadamente 8 quilômetros da sede municipal, em uma região inserida no Semiárido e no bioma Caatinga.

Esse contraste ajuda a explicar parte do encanto do destino: em meio à paisagem do sertão baiano, o visitante encontra fontes de água naturalmente quente.

A descoberta virou uma estância hidromineral

A transformação do local não aconteceu de uma hora para outra. Depois da descoberta da água, o povoado ganhou estrutura e passou a receber visitantes.

Em 4 de dezembro de 1964, a Lei Estadual nº 2.077 efetivou a antiga Fazenda Macaco como Estância Hidromineral de Caldas do Jorro, segundo o histórico publicado pela Prefeitura de Tucano.

A partir daí, as águas passaram a ocupar definitivamente um lugar central na identidade do distrito.

De busca por petróleo a destino turístico

Portanto, a história de Caldas do Jorro mostra como uma atividade de exploração mineral pode produzir um resultado completamente diferente daquele planejado.

Em 1948, a expectativa era encontrar petróleo. O subsolo, porém, entregou outra riqueza.

A água quente começou a jorrar, o povoado cresceu ao redor dela e a descoberta ajudou a transformar Caldas do Jorro em um destino turístico do sertão baiano.

Hoje, quem chega ao local não procura petróleo. Procura justamente aquilo que os primeiros exploradores encontraram por acaso:

água quente a 48°C em plena Caatinga.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.