No sertão da Bahia, uma perfuração em busca de petróleo acabou revelando um jorro de água quente. Décadas depois, o local se transformou em um dos destinos termais conhecidos do Nordeste.
Imagine perfurar o solo em busca de petróleo e, em vez do combustível, encontrar uma fonte de água quente que começa a jorrar.
Foi justamente isso que aconteceu na região onde hoje está Caldas do Jorro, distrito de Tucano, no interior da Bahia.
A história começou em 1948, quando o então Conselho Nacional de Petróleo determinou a perfuração de um poço na Fazenda Macaco, a cerca de 8 quilômetros da sede de Tucano. A princípio, a busca pelo petróleo não encontrou o óleo esperado. Porém, os trabalhos revelaram uma reserva de água termal.
E a descoberta mudou completamente o destino daquele lugar.

Em vez de petróleo, água a 48°C
Segundo registros do Serviço Geológico do Brasil, o poço que deu origem ao Jorro apresentou surgência de aproximadamente 91,5 m³ de água por hora.
A água chegava à superfície com temperatura de 48°C e apresentava características sulfurosas. O local passou a ser conhecido como Jorro e, posteriormente, se consolidou como a Estância Hidromineral Caldas do Jorro.
A Prefeitura de Tucano também registra que a perfuração ocorreu no final de 1948 e que, em vez do petróleo esperado pelos engenheiros, surgiu um jorro de água quente.
O detalhe que torna a história ainda mais curiosa
A perfuração chegou a aproximadamente 1.860 metros de profundidade, segundo registro acadêmico da Universidade Federal da Bahia.
Depois de não encontrar petróleo, a equipe identificou a água termal, que passou por análises antes de ganhar importância para o desenvolvimento do local.
Ou seja:
o que começou como uma tentativa de encontrar petróleo acabou criando um dos principais atrativos turísticos de Tucano.
Hoje, a água quente virou atração turística
Com o passar dos anos, o entorno da fonte se transformou.
Hotéis, pousadas, restaurantes e equipamentos turísticos surgiram para atender os visitantes que chegam à região em busca das águas termais.
No centro de Caldas do Jorro está a Praça Ana Oliveira, conhecida também como Praça do Banho, onde ficam as fontes utilizadas pelos visitantes. A Prefeitura registra que as águas chegam a 48°C.
Dessa maneira, a Embrapa também destaca Caldas do Jorro entre os pontos turísticos relacionados às águas subterrâneas de Tucano e registra as fontes termais com temperaturas de até 48°C.
O calor não vem de uma caldeira artificial
E existe outra curiosidade.
A água não precisa ser aquecida artificialmente para chegar quente às fontes. O estudo geológico do Serviço Geológico do Brasil identifica a ocorrência como uma água termal e sulfurosa, que chega naturalmente à superfície por meio do sistema subterrâneo.
O mesmo estudo registra ainda outro ponto turístico próximo: o Jorrinho, onde um poço perfurado em 1966 produz água termal a aproximadamente 38°C.
Assim, Tucano acabou reunindo mais de uma manifestação de águas termais na região.
Onde fica Caldas do Jorro?
Caldas do Jorro é um distrito de Tucano, no norte da Bahia. O distrito fica a aproximadamente 8 quilômetros da sede municipal, em uma região inserida no Semiárido e no bioma Caatinga.
Esse contraste ajuda a explicar parte do encanto do destino: em meio à paisagem do sertão baiano, o visitante encontra fontes de água naturalmente quente.
A descoberta virou uma estância hidromineral
A transformação do local não aconteceu de uma hora para outra. Depois da descoberta da água, o povoado ganhou estrutura e passou a receber visitantes.
Em 4 de dezembro de 1964, a Lei Estadual nº 2.077 efetivou a antiga Fazenda Macaco como Estância Hidromineral de Caldas do Jorro, segundo o histórico publicado pela Prefeitura de Tucano.
A partir daí, as águas passaram a ocupar definitivamente um lugar central na identidade do distrito.
De busca por petróleo a destino turístico
Portanto, a história de Caldas do Jorro mostra como uma atividade de exploração mineral pode produzir um resultado completamente diferente daquele planejado.
Em 1948, a expectativa era encontrar petróleo. O subsolo, porém, entregou outra riqueza.
A água quente começou a jorrar, o povoado cresceu ao redor dela e a descoberta ajudou a transformar Caldas do Jorro em um destino turístico do sertão baiano.
Hoje, quem chega ao local não procura petróleo. Procura justamente aquilo que os primeiros exploradores encontraram por acaso:
água quente a 48°C em plena Caatinga.


