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Novo Desenrola já renegocou R$ 12 bilhões; saiba mais

O Governo Federal anunciou nesta semana um novo balanço do Novo Desenrola Brasil e os números mostram a dimensão da crise de endividamento enfrentada por milhões de brasileiros. Desde o lançamento do programa, cerca de ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
22 de maio de 2026 - às 03:15
Atualizado 22 de maio de 2026 - às 03:15
4 min de leitura

O Governo Federal anunciou nesta semana um novo balanço do Novo Desenrola Brasil e os números mostram a dimensão da crise de endividamento enfrentada por milhões de brasileiros. Desde o lançamento do programa, cerca de R$ 12 bilhões em dívidas já foram renegociados entre famílias, estudantes e pequenos empreendedores.

Segundo o Ministério da Fazenda, mais de 1 milhão de pessoas já foram beneficiadas pelas negociações, que envolvem desde dívidas de cartão de crédito até contratos atrasados do Fies.

A princípio, o volume renegociado ajuda a mostrar como o endividamento virou um dos principais problemas econômicos das famílias brasileiras nos últimos anos, especialmente após a pandemia, inflação elevada, juros altos e crescimento do crédito digital.

E no Nordeste, onde boa parte da população depende diretamente do consumo popular para movimentar a economia local, o impacto do programa acaba sendo ainda mais sensível.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa já ultrapassou 1,1 milhão de operações realizadas. Parte importante delas ocorreu com descontos considerados agressivos. Nas dívidas quitadas à vista pelas famílias, por exemplo, o abatimento médio chegou a aproximadamente 85%.

Na prática, débitos que originalmente somavam mais de R$ 1 bilhão acabaram reduzidos para pouco mais de R$ 150 milhões após as renegociações. Já nas operações refinanciadas com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), o estoque original de cerca de R$ 9 bilhões caiu para aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

empresarios e suas dívidas fiscais foto freepik
Milhões de brasileiros vivem com eternas dívidas. Foto freepik

Quais as dívidas mais comuns no programa?

Grande parte das renegociações envolve dívidas ligadas ao consumo do dia a dia. Entre os principais débitos renegociados aparecem:

  • cartão de crédito;
  • cheque especial;
  • crédito rotativo;
  • empréstimos pessoais;
  • e contratos do Fies.

O governo afirma que os juros nas novas negociações podem chegar a no máximo 1,99% ao mês, dependendo do perfil da dívida. Além das famílias, estudantes também entraram no programa através do Desenrola Fies.

Até agora, mais de 34 mil contratos atrasados do financiamento estudantil já foram renegociados. O valor total das dívidas caiu de cerca de R$ 2 bilhões para pouco mais de R$ 400 milhões após os acordos.

FGTS poderá ser usado para quitar dívidas?

Sim, essa é uma das novidades mais aguardadas começa a valer nos próximos dias. A partir de 26 de maio, trabalhadores poderão utilizar parte do saldo do FGTS para quitar dívidas renegociadas no programa.

Segundo o governo, será permitido usar:

  • até 20% do saldo disponível do FGTS;
  • ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor.

A equipe econômica calcula que a medida pode liberar cerca de R$ 8,2 bilhões para pagamentos dentro do Desenrola.

Além disso, o governo também anunciou a liberação de aproximadamente R$ 7 bilhões ligados ao saque-aniversário residual do FGTS.

Pequenas empresas também entraram no programa

O Novo Desenrola não ficou restrito às famílias. O programa também ampliou regras de crédito para micro e pequenas empresas através do Pronampe e do Procred.

No caso do Pronampe, já foram realizadas mais de 31 mil operações, movimentando cerca de R$ 5 bilhões. Já o Procred, voltado para MEIs e pequenos negócios, ultrapassou R$ 390 milhões em operações.

No Nordeste, onde o pequeno comércio e o empreendedorismo informal possuem enorme peso na economia, essas linhas acabam funcionando também como mecanismo de sobrevivência financeira.

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Governo prepara nova etapa

O Ministério da Fazenda confirmou ainda que já trabalha numa nova versão do programa. A próxima etapa deverá focar justamente em consumidores considerados “adimplentes”, ou seja, pessoas sem dívidas atrasadas, mas que enfrentam dificuldade de acesso ao crédito barato.

A proposta ainda está sendo desenhada pela equipe econômica. Enquanto isso, o Desenrola segue funcionando como uma tentativa do governo de aliviar o peso das dívidas sobre o consumo das famílias — algo considerado fundamental para manter a economia girando, principalmente em regiões como o Nordeste, onde o consumo popular possui forte impacto no comércio local.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.