O Ceará consolidou em 2025 sua posição como maior produtor de calçados do Brasil, reforçando o peso crescente da indústria nordestina dentro da economia nacional. Os dados fazem parte do Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) durante a BFShow, uma das principais feiras do setor no país, realizada em São Paulo.
Segundo o levantamento, o Ceará respondeu sozinho por 24,4% de toda a produção nacional de calçados em 2025, alcançando a marca de 206,8 milhões de pares produzidos. O estado superou tradicionais polos industriais do Sul e Sudeste, ficando à frente do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais.
A princípio, o resultado reforça uma transformação silenciosa que acontece há anos na economia nordestina: a interiorização da indústria e o fortalecimento de cadeias produtivas fora do eixo tradicional brasileiro.

Nordeste ganha protagonismo industrial
Durante décadas, a indústria calçadista brasileira teve forte concentração no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul.
Mas nos últimos anos, o Nordeste passou a ocupar espaço estratégico no setor graças a fatores como:
- incentivos fiscais;
- mão de obra competitiva;
- logística;
- expansão industrial;
- e crescimento do mercado consumidor regional.
Hoje, estados nordestinos aparecem entre os principais polos produtores e exportadores do país. Além do Ceará, a Paraíba também aparece entre os maiores exportadores brasileiros de calçados, enquanto cidades do interior nordestino passaram a depender fortemente da atividade industrial ligada ao setor.

Sobral virou potência nacional
O grande destaque do Ceará segue sendo Sobral, que se consolidou como o maior polo produtor de calçados do Brasil. Somente o município respondeu por cerca de 123,8 milhões de pares produzidos em 2025, o equivalente a quase 60% da produção cearense.
Além de Sobral, outros polos importantes ajudam a fortalecer a cadeia produtiva no estado: Fortaleza, Quixadá e Juazeiro do Norte.
Assim, esses quatro polos concentraram juntos mais de 96% da produção estadual. O avanço industrial também ajudou a interiorizar empregos e renda, reduzindo a dependência econômica exclusiva das capitais.
Ceará também retomou liderança nas exportações
Além da produção, o Ceará voltou a liderar as exportações brasileiras em volume de pares vendidos ao exterior.
O estado concentrou 31,4% das exportações nacionais de calçados em 2025, superando novamente o Rio Grande do Sul. Assim, os principais destinos dos calçados produzidos no Ceará foram: Colômbia, Estados Unidos e Paraguai. O Polo de Sobral sozinho exportou mais de US$ 112 milhões em calçados no período.
Setor virou motor de emprego no interior
A indústria calçadista também possui enorme peso social no Ceará. Alpem disso, o estado ficou em segundo lugar nacional em geração de empregos no setor, concentrando quase 25% dos trabalhadores da indústria calçadista brasileira.
Municípios do interior aparecem entre os maiores empregadores do país. A cidade de Horizonte, liderou nacionalmente a geração de empregos no setor, com cerca de 14,4 mil postos de trabalho. Já Sobral e Quixeramobim também figuraram entre os principais municípios brasileiros em geração de vagas na atividade.
Nordeste vive nova fase industrial
Ao mesmo tempo, especialistas em desenvolvimento regional apontam que o crescimento da indústria calçadista é parte de um movimento maior no Nordeste. Nos últimos anos, a região passou a ganhar destaque em diferentes cadeias produtivas:
- energias renováveis;
- indústria têxtil;
- alimentos;
- logística;
- mineração;
- automotivo;
- e transformação industrial.
O Ceará, em especial, vem apostando na combinação entre:
- incentivos industriais;
- infraestrutura;
- qualificação profissional;
- e atração de investimentos.
A presença do estado na BFShow 2026 teve justamente esse objetivo: ampliar a visibilidade da indústria local e buscar novos negócios para fortalecer ainda mais o setor calçadista nordestino.
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Calçado nordestino ganha espaço global
Em suma, o avanço da produção no Ceará mostra também uma mudança importante no mapa industrial brasileiro.
Portanto, o Nordeste deixou de ser apenas mercado consumidor e passou a disputar protagonismo nacional em setores industriais historicamente dominados por outras regiões.
Afinal, hoje, parte significativa dos calçados exportados pelo Brasil sai justamente do interior nordestino. E isso ajuda a explicar porque cidades antes ligadas quase exclusivamente ao comércio regional passaram a ocupar posição estratégica dentro da indústria nacional.



