Em um momento de tensão geopolítica e alta nos preços dos combustíveis, a estatal resolveu ir além do limite teórico. Na última terça-feira (12), durante a apresentação do balanço do primeiro trimestre de 2026, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, trouxe um número que chamou a atenção do mercado: o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias disparou. A declaração foi taxativa: “A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias.”
E não é exagero. O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, detalhou que entre os dias 11 e 12 de maio, o FUT chegou a 103%. Especificamente na Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca (PE), o desempenho foi digno de nota.
O Show de Abreu e Lima
A princípio, a refinaria pernambucana, que tem capacidade de projeto para processar 130 mil barris por dia, está operando como uma verdadeira campeã. Após passar por manutenções programadas no primeiro trimestre de 2025, a unidade não só alcançou sua meta como a superou, processando entre 140 mil e 150 mil barris diários.
Assim, o resultado apareceu nos tanques. No início de maio, a RNEST bateu o recorde histórico de produção de diesel S-10 (o mais limpo e menos poluente). Ao mesmo tempo, foram produzidos 385 milhões de litros em abril, ultrapassando a marca anterior de 373 milhões, que estava intacta desde julho de 2016.
Como assim 103%? É seguro?
Essa é a pergunta que não quer calar. William França explicou que a carga de processamento pode ultrapassar a capacidade de referência instalada desde que haja autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e, claro, respeito às normas de segurança e meio ambiente.
O segredo para esse “alongamento” está na confiabilidade das operações. A Petrobras investiu pesado em inspeções baseadas em risco. Um exemplo simples: bombas que antes operavam 70% do tempo antes de precisar de reparo, hoje chegam a 90%.
Além disso, 2026 está sendo um ano de “baixa nas manutenções programadas”. Como a empresa fez a lição de casa em 2025, parando as unidades para revisões gerais, agora elas estão prontas para campanhas longas e intensas.

A Guerra no bolso
O cenário internacional também empurra essa estratégia. Com o conflito no Irã elevando os preços do petróleo, a lógica da Petrobras é simples e eficaz: “Quanto mais refinar o nosso petróleo aqui, mais dinheiro a gente está ganhando e menos dependemos do exterior”, resumiu França.
Ao invés de exportar petróleo bruto, o Brasil está agregando valor transformando essa matéria-prima em diesel e gasolina dentro de casa, garantindo abastecimento e gerando receita.
Para visualizar esse desempenho extraordinário, veja a tabela comparativa abaixo:
| Indicador | Período / Capacidade | Resultado | Status |
|---|---|---|---|
| FUT (Média das refinarias) | 1º Trimestre de 2026 | 95% | Dentro da média histórica |
| FUT (Mês de Março/2026) | Março/2026 | 97,4% | Maior desde 12/2014 |
| FUT (Pico em Maio/2026) | Dias 11 e 12/05/2026 | 103% | Operação recorde |
| Refinaria Abreu e Lima | Capacidade Projeto | 130 mil barris/dia | Limite teórico |
| Refinaria Abreu e Lima | Operação atual | 140 a 150 mil b/d | Acima da capacidade |
| Produção de Diesel S-10 | Abril/2026 | 385 milhões de litros | Recorde Histórico |
O que esperar daqui para frente?
A mensagem da direção da Petrobras é clara: enquanto for seguro, rentável e autorizado pela ANP, a meta é espremer ao máximo cada gota de petróleo nacional. O Brasil não quer apenas ser autossuficiente; quer usar sua capacidade industrial para navegar melhor pelas crises globais.
Com 11 refinarias em operação (incluindo o Complexo Boaventura) e a gigante de Paulínia (SP) puxando a fila com 30% da capacidade nacional, o segundo trimestre de 2026 promete ser um divisor de águas para o setor.


