O Rio Grande do Norte quer entrar de vez na corrida tecnológica global e tenta construir um novo perfil econômico para o estado. Em vez de depender apenas do turismo, petróleo e energia eólica, o governo potiguar agora mira setores ligados à inteligência artificial, data centers, conectividade submarina e processamento de dados em larga escala.
Os projetos anunciados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) somam investimentos bilionários e colocam o estado em uma disputa estratégica que começa a crescer no Nordeste: quem será o próximo grande polo tecnológico da região.
No centro desse plano está a instalação de um dos dois supercomputadores previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O equipamento será montado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Grande Natal, com investimento estimado em R$ 1,8 bilhão.
A princípio, a estrutura utilizará tecnologias americanas e chinesas e terá capacidade de processamento voltada para inteligência artificial, ciência, inovação e indústria de alto desempenho. Segundo o governo estadual, o equipamento poderá pesar até cinco toneladas e deve ficar pronto em cerca de 12 meses.
Mas o projeto vai muito além de apenas instalar um supercomputador.
Nordeste entra na disputa da economia digital
O movimento do Rio Grande do Norte acontece em um momento em que o Nordeste começa a ganhar espaço em uma nova fronteira econômica: a infraestrutura digital.
Nos últimos anos, estados nordestinos passaram a disputar investimentos ligados:
- a data centers;
- cabos submarinos;
- inteligência artificial;
- energias renováveis;
- e processamento de dados.
Hoje, o Ceará lidera esse cenário graças à enorme concentração de cabos submarinos internacionais em Fortaleza, transformando a capital cearense em um dos principais pontos de conectividade da América Latina.
Segundo a Sedec potiguar, cerca de 90% do tráfego internacional de dados do Brasil passa atualmente pelo Ceará. E é justamente essa dependência que o RN quer reduzir.
Cabos submarinos e data centers

O governo estadual trabalha agora para atrair novos cabos submarinos internacionais para o litoral potiguar.
As áreas prioritárias seriam Natal e Areia Branca. A proposta prevê transformar o estado em um novo ponto estratégico de conexão global da internet, algo considerado essencial para atrair grandes data centers e empresas de tecnologia.
Hoje, gigantes da tecnologia buscam regiões com três fatores principais:
- energia abundante;
- estabilidade de conexão;
- e segurança operacional.
O Nordeste começa a ganhar vantagem justamente por combinar energia renovável em grande escala com litoral estratégico para conexão submarina.
Segundo o secretário Hugo Fonseca, a ausência de cabos marítimos limita inclusive a instalação de novos data centers, já que essas estruturas precisam estar próximas da infraestrutura de conexão internacional para reduzir tempo de transmissão de dados.
Hidrogênio verde e energia limpa entram no plano
Outro ponto importante do projeto envolve energia. Supercomputadores e data centers consomem enormes quantidades de eletricidade. Por isso, o RN tenta integrar sua liderança em energias renováveis ao novo plano tecnológico.
O estado já possui destaque nacional em energia eólica, projetos solares e hidrogênio verde. Segundo o governo, três plantas de hidrogênio verde estão em fase de licenciamento em Ubarana, Guamaré e Areia Branca.
A ideia é justamente usar energia limpa para abastecer futuras estruturas de processamento de dados e inteligência artificial.
Modernização industrial e interiorização
O plano também busca modernizar a indústria potiguar, considerada ainda pouco digitalizada. Segundo a Sedec, apenas cerca de 30% da indústria local possui processos digitais avançados atualmente.
Além da região metropolitana de Natal, o governo quer levar parte desse desenvolvimento para o interior. Um dos projetos anunciados é o novo Distrito Empresarial de Mossoró, que deverá ocupar mais de dez hectares e tem previsão de gerar cerca de três mil empregos diretos.
A proposta é descentralizar investimentos e criar um novo eixo industrial ligado à tecnologia e inovação.

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RN tenta mudar perfil econômico
O projeto representa uma tentativa clara de reposicionar economicamente o Rio Grande do Norte dentro do Nordeste.
Afinal, durante décadas, o estado ficou associado principalmente ao turismo, petróleo, sal e energia eólica. Agora, a aposta passa a incluir setores considerados estratégicos para as próximas décadas.
Portanto, a disputa por infraestrutura digital, inteligência artificial e processamento de dados já virou prioridade global — e o Nordeste começa a perceber que pode ocupar papel importante nesse novo cenário econômico.


