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Nordeste tem território ideal para a nova onda do turismo de experiência no Brasil

Pesquisa mostra milhares de buscas mensais por modalidades como ecoturismo, glamping e turismo rural; Nordeste reúne destinos para atender à nova demanda.
Eliseu Lins, da Agência NE9
17 de agosto de 2026 - às 08:23
Atualizado 17 de agosto de 2026 - às 08:23
8 min de leitura

Pesquisa mostra que ecoturismo, glamping, turismo rural e outras modalidades já despertam milhares de buscas mensais; região reúne praias, serras, Caatinga, Mata Atlântica e experiências culturais capazes de atender a esse novo viajante

O turista brasileiro parece estar procurando cada vez mais do que simplesmente um lugar para passar alguns dias. Natureza, experiências diferentes, contato com comunidades, gastronomia e atividades ao ar livre estão ganhando espaço nas pesquisas de quem planeja viajar.

E o Nordeste aparece em posição privilegiada para aproveitar essa mudança de comportamento.

De acordo com um levantamento realizado pela Comparar Seguro de Viagem, com base no volume médio mensal de buscas no Google Brasil entre julho de 2025 e junho de 2026, mostra que glamping e ecoturismo estão entre as modalidades de turismo mais procuradas pelos brasileiros.

Antes de mais nada, o glamping lidera a pesquisa, com 6.950 buscas mensais, seguido pelo ecoturismo, com 5.567. Turismo rural aparece com 2.167 pesquisas mensais, enquanto turismo sustentável soma 1.155.

A princípio, os números não representam necessariamente intenção de compra ou reserva, mas funcionam como um indicador do interesse dos brasileiros por diferentes tipos de experiência turística.

O que o Nordeste tem a ver com essa mudança?

Praticamente tudo.

Ao mesmo tempo, a região possui uma combinação pouco comum de litoral, serras, áreas de Caatinga, Mata Atlântica, dunas, rios, cânions, parques nacionais, comunidades tradicionais e patrimônio histórico e cultural.

O próprio Ministério do Turismo vem destacando destinos nordestinos em roteiros relacionados ao turismo de natureza. Em publicação recente sobre a Mata Atlântica, por exemplo, o órgão cita experiências que vão do mergulho e observação da vida marinha em Alagoas às trilhas, cachoeiras e mirantes no Ceará e à imersão cultural na Bahia.

Em suma, existe um dado ainda mais interessante: em pesquisa do Ministério do Turismo sobre viagens a lazer, o Nordeste apareceu como a macrorregião preferida dos brasileiros, com 53% das preferências, à frente do Sudeste, com 37%.

Ou seja, o Nordeste já possui uma enorme demanda turística. A oportunidade agora é diversificar aquilo que o visitante procura dentro da própria região.

Os destinos nordestinos que combinam com essa nova procura

Ecoturismo: de Alagoas ao Ceará

O ecoturismo é a segunda modalidade mais pesquisada no levantamento, com 5.567 buscas mensais.

Dessa forma, o Nordeste tem uma enorme variedade de destinos para esse público.

Em Alagoas, a Costa dos Corais combina piscinas naturais, mergulho e observação da vida marinha. No interior, as serras oferecem trilhas e ambientes procurados por observadores de aves.

No Ceará, o Parque Nacional de Ubajara, na Serra da Ibiapaba, reúne mata, cachoeiras, mirantes e clima diferente do litoral.

Na Bahia, o Monte Pascoal e a Costa do Descobrimento acrescentam outro componente: natureza combinada com história e cultura indígena Pataxó.

Glamping: uma oportunidade ainda pouco explorada

Assim, com quase 7 mil buscas mensais, o glamping lidera a pesquisa.

A modalidade combina a experiência de acampar com uma estrutura mais confortável e pode encontrar no Nordeste um território especialmente favorável.

Imagine dormir em uma estrutura diferenciada diante de uma paisagem de dunas, em uma área de serra, próximo a um rio ou em uma propriedade rural.

Afinal, o potencial não está apenas nos grandes destinos já conhecidos. O glamping pode ajudar a criar novos produtos turísticos em regiões que ainda recebem poucos visitantes.

É aí que entram destinos do interior nordestino, como áreas do Cariri, Sertão, Serra da Ibiapaba, Chapada Diamantina e Seridó, entre outras regiões.

A Caatinga pode virar protagonista

Um dos grandes potenciais do Nordeste está justamente em um ambiente que durante muito tempo ficou fora do imaginário tradicional do turismo brasileiro: a Caatinga.

Trilhas, observação de fauna e aves, geoturismo, gastronomia regional, experiências rurais e contato com comunidades podem transformar o bioma em produto turístico.

A lógica também combina com o crescimento do turismo de base comunitária e da busca por experiências mais autênticas.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, inclusive, trabalha a integração entre biodiversidade, comunidades tradicionais, produção sustentável e ecoturismo como instrumentos de desenvolvimento regional.

Associação Caatinga foto divulgação
Associação Caatinga foto divulgação

Turismo rural também abre espaço para o interior

Ao mesmo tempo, o turismo rural aparece entre as modalidades mais pesquisadas, com 2.167 buscas mensais.

Para o Nordeste, isso representa uma oportunidade que vai muito além do litoral.

Propriedades rurais podem oferecer experiências relacionadas à produção de alimentos, criação de animais, culinária regional, trilhas, artesanato e contato com comunidades.

É uma forma de transformar atividades tradicionais em experiências turísticas e, ao mesmo tempo, distribuir o dinheiro do turismo para além das cidades litorâneas.

turismo rural na rota dos cafes na Bahia foto reprodução

Birdwatching, cicloturismo e turismo de aventura

Ao mesmo tempo, o levantamento também revela um viajante cada vez mais interessado em atividades específicas.

ModalidadeBuscas médias/mês
Glamping6.950
Ecoturismo5.567
Enoturismo2.250
Turismo rural2.167
Turismo social1.450
Turismo sustentável1.155
Cicloturismo1.040
Birdwatching822
Mototurismo778
Turismo de base comunitária702
Turismo cultural644
Turismo religioso634
Turismo de aventura502
Turismo espacial471
Turismo gastronômico371

Fonte: Comparar Seguro de Viagem/Google Brasil. Período: julho de 2025 a junho de 2026.

O resultado mostra que não existe apenas um novo tipo de turista. Há diversos nichos crescendo ao mesmo tempo.

Para o Nordeste, isso significa uma possibilidade de montar produtos diferentes para públicos diferentes.

E o enoturismo no Nordeste?

Outra modalidade que aparece com força é o enoturismo, com 2.250 buscas mensais.

E aqui o Nordeste tem um exemplo muito particular: o Vale do São Francisco, onde a produção de uvas e vinhos transformou a paisagem do Sertão em um polo de experiências ligadas à vitivinicultura.

É uma combinação interessante de vinho + gastronomia + rio + Sertão + cultura regional, exatamente o tipo de experiência especializada que aparece no levantamento.

Garras de vinho
O Vale do São Francisco é a casa de várias fábricas de vinho.

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O Nordeste pode vender mais do que praia

Essa talvez seja a principal conclusão dos dados.

O litoral continua sendo um dos maiores ativos turísticos da região. Mas a nova demanda permite ampliar a oferta.

Um visitante pode viajar para o Nordeste em busca de:

praia + trilha + gastronomia + cultura + natureza + aventura + experiência rural.

E isso muda também a distribuição do turismo.

Em vez de concentrar o visitante durante alguns dias em uma única praia, os destinos podem criar roteiros integrados, conectando litoral, interior, serras, comunidades e áreas naturais.

O próprio Ministério do Turismo vem apontando a diversificação da demanda interna e destacando estados nordestinos como Paraíba, Piauí, Alagoas, Bahia e Pernambuco entre os mercados com perspectivas de crescimento turístico em 2026.

O novo turista quer uma história para contar

O crescimento das buscas por modalidades especializadas aponta para uma mudança importante.

O viajante não quer apenas fotografar um destino. Ele também pode querer aprender, experimentar, caminhar, observar, comer, pedalar, conhecer uma comunidade ou dormir em um lugar diferente.

E poucos lugares no Brasil conseguem oferecer tantas possibilidades em uma mesma região quanto o Nordeste.

Afinal, de Fernando de Noronha aos Lençóis Maranhenses, da Costa dos Corais à Chapada Diamantina, de Jericoacoara ao Cariri, do São Francisco ao Seridó, existe uma enorme variedade de paisagens e experiências esperando para serem transformadas em produtos turísticos.

Portanto, a próxima fronteira do turismo nordestino pode estar justamente aí: fazer o visitante descobrir que o Nordeste é muito maior do que suas praias.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.