O Nordeste acaba de escrever um novo capítulo na pecuária brasileira. De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada na última quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região foi a única do país a registrar crescimento do rebanho bovino. Dessa forma, alcançou pela primeira vez em sua história a marca de 37,3 milhões de cabeças. Assim, supera o patamar dos 37 milhões e igualando o Sudeste, que recuou pelo terceiro ano consecutivo.
A princípio, o avanço de 2,2% em relação a 2024 representa 815,9 mil cabeças a mais no efetivo regional. Mais do que um número isolado, o resultado coroa um ciclo de expansão de nove anos. Antes de mais nada, em 2016, o rebanho nordestino somava 28,4 milhões de cabeças. Ou seja, crescimento acumulado de 31,2% em um período em que o rebanho nacional encolhia.
O que explica o desempenho nordestino
Enquanto o Centro-Oeste, maior produtor nacional, recuou 3,7% e o Norte caiu 1,8%, o Nordeste seguiu na contramão. Dessa maneira, Sudeste e Sul também amargaram o terceiro ano seguido de retração, com quedas de 1% e 1,7%, respectivamente.
Ao mesmo tempo, o movimento tem raízes estruturais. Afinal, a expansão da pecuária no semiárido, o uso de tecnologias adaptadas ao clima e a migração de investimentos do Centro-Oeste para novas fronteiras explicam, em parte, o fenômeno.
Dessa forma, em 2016, a diferença entre Nordeste e Sudeste era de 10,7 milhões de cabeças. Portanto, nove anos depois, o intervalo praticamente desapareceu: são menos de 34 mil animais separando as duas regiões.
Hoje, o Nordeste responde por 15,9% do rebanho bovino brasileiro.
Sergipe lidera em percentual; Bahia e Maranhão concentram o rebanho
Em suma, o crescimento regional não foi uniforme entre os nove estados. Em termos percentuais, Sergipe liderou com alta de 9,7%, chegando a 1,5 milhão de cabeças. O Rio Grande do Norte veio na sequência, com 8,6% de crescimento, também atingindo 1,5 milhão.
Em termos absolutos, Sergipe e Bahia praticamente empataram no topo: 130,5 mil e 130,4 mil cabeças a mais, respectivamente. Ceará (+128,1 mil), Pernambuco (+124,0 mil) e Rio Grande do Norte (+118,8 mil) completam os cinco maiores ganhos absolutos.
Desse modo, na outra ponta, o Piauí foi o único estado nordestino a recuar: queda de 0,6%, equivalente a 7.995 cabeças a menos, encerrando 2025 com 1,4 milhão de animais.

Contudo, a base do rebanho permanece concentrada em dois estados. A Bahia lidera com 13,8 milhões de cabeças (37% do total regional), crescimento de 1%. O Maranhão vem na sequência, com 10,3 milhões (27,7%), praticamente estável. Juntos, os dois estados respondem por 64,7% do rebanho bovino nordestino.
Rebanho bovino por estado do Nordeste — 2025
| Estado | Rebanho (milhões de cabeças) | Participação no Nordeste | Variação vs. 2024 |
|---|---|---|---|
| Bahia | 13,8 | 37,0% | +1,0% |
| Maranhão | 10,3 | 27,7% | +0,1% |
| Ceará | 3,0 | 8,0% | — |
| Pernambuco | 2,8 | 7,5% | — |
| Paraíba | 1,6 | 4,3% | — |
| Rio Grande do Norte | 1,5 | 4,0% | +8,6% |
| Alagoas | 1,5 | 4,0% | — |
| Sergipe | 1,5 | 4,0% | +9,7% |
| Piauí | 1,4 | 3,8% | −0,6% |
| Total Nordeste | 37,3 | 100% | +2,2% |

