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Grupo Amarante anuncia R$ 1,7 bilhão em resorts no litoral de Alagoas

Expansão do Japaratinga Lounge e novo resort em Porto de Pedras fazem parte do plano da Amarante, enquanto aeroporto, infraestrutura, demanda turística e crédito ajudam a transformar o Litoral Norte de Alagoas em uma das ...
Redação NE9 Nordeste, da Agência NE9
29 de setembro de 2026 - às 09:15
Atualizado 29 de setembro de 2026 - às 09:15
8 min de leitura

Expansão do Japaratinga Lounge e novo resort em Porto de Pedras fazem parte do plano da Amarante, enquanto aeroporto, infraestrutura, demanda turística e crédito ajudam a transformar o Litoral Norte de Alagoas em uma das áreas mais disputadas para novos empreendimentos

O Litoral Norte de Alagoas entrou em uma nova fase de expansão da hotelaria. O Grupo Amarante anunciou um plano de mais de R$ 1,7 bilhão em investimentos até 2031 no Nordeste, incluindo novos empreendimentos, ampliações e modernização dos resorts que já estão em operação.

Em Alagoas, uma parcela importante desse movimento já está definida. A empresa prevê R$ 230 milhões para a terceira expansão do Japaratinga Lounge Resort, em Japaratinga, e mais R$ 260 milhões para a implantação do Salg Patacho Exclusive Resort, em Porto de Pedras. Além disso, o grupo reservou R$ 80 milhões para retrofit de unidades que já funcionam na região.

A princípio, a estratégia acompanha o crescimento da própria empresa. Segundo a Amarante, a receita com diárias passou de R$ 50 milhões em 2012 para mais de R$ 700 milhões em 2025. No ano passado, a companhia também registrou mais de 250 mil hóspedes e aproximadamente 300 mil diárias comercializadas.

Japaratinga terá uma nova expansão

O Japaratinga Lounge Resort será novamente ampliado e deverá passar de 374 para 554 acomodações.

A terceira expansão acrescentará aproximadamente 180 unidades e incluirá novas categorias de hospedagem. O projeto também prevê quatro piscinas, rooftop com piscina de borda infinita, novos restaurantes e bares, cafeteria 24 horas e um complexo esportivo.

A previsão divulgada pela empresa aponta para soft opening em fevereiro de 2028.

Com isso, Japaratinga amplia sua participação no corredor turístico que reúne alguns dos destinos mais conhecidos da Costa dos Corais.

Porto de Pedras terá novo resort de luxo

Enquanto Japaratinga amplia uma operação existente, Porto de Pedras receberá um novo empreendimento.

O Salg Patacho Exclusive Resort está em construção em uma área de quase sete hectares e terá 120 acomodações no modelo all inclusive de luxo.

O projeto inclui bangalôs, apartamentos e vilas, algumas com piscina privativa. A estrutura também terá restaurantes, gastrobar, rooftop, beach club, piscinas, spa, academia e áreas voltadas para crianças.

A abertura está prevista para 2027.

O empreendimento representa uma mudança importante na dinâmica da região porque amplia a oferta de hospedagem de alto padrão justamente em um município que ganhou projeção nacional com a Praia do Patacho.

O investimento da Amarante é maior do que os dois resorts

Embora Alagoas concentre uma parte importante do novo ciclo, o plano anunciado pela Amarante tem dimensão regional.

InvestimentoValorDestino/objetivo
Expansão do Japaratinga LoungeR$ 230 milhõesJaparatinga (AL)
Salg Patacho Exclusive ResortR$ 260 milhõesPorto de Pedras (AL)
Retrofit de unidadesR$ 80 milhõesResorts em operação
Plano total até 2031Mais de R$ 1,7 bilhãoNordeste

A empresa ainda não detalhou como distribuirá todo o restante dos recursos entre os novos projetos no Nordeste. Portanto, o valor de R$ 1,7 bilhão representa o plano global anunciado, e não um investimento exclusivamente em Alagoas.

Por que o litoral de Alagoas está atraindo tantos investimentos?

O movimento da Amarante não acontece isoladamente. Nos últimos anos, o litoral alagoano passou a reunir uma combinação de fatores que interessa diretamente à hotelaria e ao mercado turístico.

Japaratinga Lounge Resort (foto) ganhará terceira ampliação e chegará a 554 quartos Foto Grupo Amarante

1. A Costa dos Corais já tem uma demanda consolidada

Maragogi, Japaratinga, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres formam um corredor turístico com forte reconhecimento nacional.

Essa demanda reduz um dos principais riscos de um novo empreendimento: começar uma operação em um destino ainda desconhecido pelo público.

O Banco do Nordeste identificou esse movimento no mercado de crédito. Em 2025, pelo menos 10 novos projetos hoteleiros em Alagoas estavam em negociação com o banco, além de propostas de reforma de equipamentos turísticos, somando aproximadamente R$ 640 milhões em operações em análise.

2. O Aeroporto Costa dos Corais muda a perspectiva de acesso

Outro fator importante é a construção do Aeroporto Costa dos Corais, em Maragogi.

O terminal ainda passa por etapas de implantação e concessão, portanto sua operação comercial futura não deve ser tratada como realidade consolidada. Mesmo assim, a perspectiva de uma ligação aérea mais próxima já influencia decisões de investimento na região.

Segundo levantamento publicado pelo Movimento Econômico, empresários e representantes do setor avaliam que a operação do aeroporto pode ampliar o fluxo turístico e estimular novos empreendimentos em Maragogi, Japaratinga, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres.

O projeto prevê uma pista de 2.200 metros, estrutura que poderá receber aeronaves de médio porte, e já entrou inclusive na agenda de apresentação para investidores internacionais.

3. A infraestrutura começa a acompanhar o crescimento

O investimento turístico também encontra uma infraestrutura em transformação.

Em Maragogi, por exemplo, a Codevasf e a prefeitura anunciaram aproximadamente R$ 23,95 milhões para obras de estruturação viária, incluindo intervenções em áreas turísticas. O município também recebeu mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos estaduais considerando obras, infraestrutura, mobilidade, saneamento, turismo e serviços públicos, segundo levantamento divulgado pela Associação dos Municípios Alagoanos.

Esse tipo de investimento importa porque grandes resorts dependem de muito mais do que uma boa praia. Eles precisam de acesso rodoviário, energia, água, saneamento, conectividade e serviços capazes de acompanhar o aumento do fluxo.

4. O crédito de longo prazo ajuda a viabilizar hotéis

Outro ponto é a disponibilidade de financiamento específico para o turismo.

O FNE Proatur, operado pelo Banco do Nordeste, financia implantação, reforma, ampliação e modernização de empreendimentos turísticos. Para hotéis e outros meios de hospedagem, a linha pode chegar a 20 anos de prazo, com até cinco anos de carência, de acordo com as condições do programa.

Esse modelo é particularmente relevante para resorts, que exigem investimentos elevados e apresentam retorno ao longo de vários anos.

Além disso, o BNB já registrou aumento da procura por crédito para novos empreendimentos hoteleiros em Alagoas, mostrando que existe uma demanda financeira acompanhando a expansão do setor.

5. Incentivos fiscais entram na conta dos investidores

Os incentivos também ajudam a explicar a concentração de novos projetos.

Levantamento publicado pelo Movimento Econômico apontou que Alagoas concentrou R$ 428 milhões em incentivos via Sudene em 2025, equivalentes a 38% do total nacional naquele recorte. O mesmo levantamento apontou mais de R$ 600 milhões em incentivos estaduais e destacou Maceió, Maragogi e Porto de Pedras entre os municípios com maior volume de projetos hoteleiros beneficiados.

Além disso, na prática, a combinação entre incentivo fiscal e crédito de longo prazo pode alterar a equação financeira de um empreendimento turístico de grande porte.

O novo mapa dos investimentos turísticos em Alagoas

O movimento recente permite visualizar um corredor cada vez mais integrado:

RegiãoPrincipal vetor de investimento
MaceióHotelaria, eventos, turismo urbano e conectividade
IpiocaResorts e expansão da hotelaria de lazer
MaragogiResorts, imóveis turísticos e novo aeroporto
JaparatingaGrandes resorts e ampliação da oferta hoteleira
Porto de PedrasHotelaria de luxo e Praia do Patacho
São Miguel dos MilagresPousadas, turismo de experiência e empreendimentos de menor escala
Costa dos CoraisIntegração entre natureza, hotelaria e turismo de lazer

Esse processo também mostra uma mudança no perfil dos investimentos. Entretanto, a região não depende apenas da construção de novos hotéis. Grandes grupos estão ampliando resorts existentes, modernizando estruturas e elevando o padrão dos empreendimentos.

Um ciclo que pode mudar o litoral Norte

O plano da Amarante ajuda a dimensionar esse novo momento.

A empresa começou sua trajetória em Alagoas com o Salinas Maragogi, depois chegou a Maceió e, em 2019, abriu o Japaratinga Lounge. Agora, pretende ampliar novamente sua presença no estado.

Ao mesmo tempo, outros grupos avançam em Maragogi, Porto de Pedras e municípios próximos.

Por isso, o principal ponto de atenção para os próximos anos será a capacidade da infraestrutura de acompanhar esse crescimento. O aeroporto precisa avançar para a operação comercial, as estradas precisam absorver o aumento do fluxo e os municípios precisam ampliar serviços públicos e estrutura urbana.

Além disso, a expansão ocorre em uma região ambientalmente sensível, que inclui a APA Costa dos Corais. Dessa forma, a preservação dos ecossistemas costeiros passa a fazer parte da própria sustentabilidade econômica do destino.

O cenário, portanto, combina capital privado, infraestrutura pública, crédito, incentivos e uma demanda turística já consolidada.

Afinal, o resultado é uma nova disputa por espaço no mercado de turismo de lazer do Nordeste, com o litoral de Alagoas ocupando uma posição central nesse movimento.