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Jerimum: por que esse alimento é tão presente na mesa nordestina?

De origem indígena, o jerimum é tradição na mesa nordestina. Conheça sua história, os usos na culinária e aprenda uma receita com carne de sol.
Eliseu Lins, da Agência NE9
30 de outubro de 2026 - às 07:13
Atualizado 30 de outubro de 2026 - às 07:13
5 min de leitura

Quem vive no Nordeste conhece bem o jerimum. Ele aparece no almoço com carne de sol, acompanha o feijão, vira purê, sopa, creme e até doce. Além de fazer parte da alimentação cotidiana, o alimento carrega uma história que atravessa gerações e preserva uma herança dos povos indígenas na própria língua.

Conhecido como abóbora em outras regiões do Brasil, o jerimum tem presença marcante na culinária nordestina. Sua versatilidade, o cultivo em diferentes áreas e a variedade de preparos ajudam a explicar por que ele continua tão popular nas feiras, mercados e cozinhas da região.

Jerimum tem origem em palavra indígena

O nome jerimum vem do tupi, com registro da forma yurum-um. Segundo referências reunidas pela Embrapa, a palavra significa “pescoço escuro” e permanece no vocabulário de populações nordestinas.

A palavra também revela uma diferença cultural entre as regiões brasileiras. Enquanto boa parte do Nordeste utiliza o nome jerimum, em estados do Sul e do Sudeste prevalecem termos como abóbora e moranga.

Além disso, não existe apenas um tipo de jerimum. A Embrapa identifica diferentes variedades tradicionais, entre elas o jerimum caboclo, o jerimum jandaia e o jerimum de leite.

A distinção também aparece na classificação botânica. O jerimum caboclo está associado à espécie Cucurbita maxima, enquanto o jerimum de leite corresponde à Cucurbita moschata, conhecida em outras regiões como abóbora.

Bahia se destaca na produção nordestina

O cultivo de abóboras, morangas e jerimuns tem importância econômica e social para a agricultura brasileira, especialmente para a produção familiar.

A Bahia aparece entre os destaques da região segundo o IBGE, o estado registrou a maior produção de abóbora, moranga e jerimum, entre os estados nordestinos.

O dado precisa ser observado dentro de seu período de referência: ele não representa um ranking atualizado da produção em 2026. Ainda assim, ajuda a mostrar a importância histórica da cultura para a agricultura baiana.

Além da Bahia, estados como Maranhão, Pernambuco, Piauí e Ceará também possuem tradição no cultivo e no consumo desse alimento.

Como o jerimum é usado na culinária nordestina?

Uma das razões para a popularidade do jerimum é a facilidade de combinar seu sabor levemente adocicado com ingredientes salgados e doces.

Na cozinha nordestina, ele aparece em diferentes preparações:

  • Jerimum com carne de sol: combinação tradicional, geralmente servida com arroz, feijão ou macaxeira.
  • Purê de jerimum: acompanhamento cremoso para carnes e peixes.
  • Sopa e creme: preparo bastante utilizado em refeições caseiras.
  • Jerimum com leite: receita de sabor suave, que pode acompanhar refeições ou aparecer em preparações doces.
  • Feijão com jerimum: combinação que acrescenta sabor e textura ao prato.
  • Bolos e doces: a polpa também pode entrar em receitas com açúcar, coco e especiarias.

A versatilidade não termina na polpa. As sementes podem ser torradas e consumidas como aperitivo, enquanto folhas, brotos e flores também podem ser aproveitados em preparações culinárias.

Receita: jerimum cremoso com carne de sol

Uma combinação bastante apreciada no Nordeste é o jerimum acompanhado de carne de sol. A receita abaixo é uma versão caseira, simples e fácil de preparar.

Ingredientes

  • 500 g de jerimum descascado e cortado em cubos
  • 300 g de carne de sol dessalgada e desfiada
  • 1 cebola média picada
  • 2 dentes de alho amassados
  • 2 colheres de sopa de manteiga de garrafa ou azeite
  • 100 ml de leite ou leite de coco
  • Cheiro-verde a gosto
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo

  1. Primeiro, cozinhe o jerimum em água até ficar macio. Escorra e reserve.
  2. Em seguida, aqueça a manteiga de garrafa em uma panela e refogue a cebola e o alho.
  3. Acrescente a carne de sol desfiada e misture até dourar levemente.
  4. Depois, amasse o jerimum cozido com um garfo ou espremedor.
  5. Adicione a polpa à panela com a carne e misture.
  6. Acrescente o leite ou leite de coco aos poucos, até alcançar uma consistência cremosa.
  7. Por fim, ajuste o sal, coloque a pimenta e finalize com cheiro-verde.

Sirva ainda quente, acompanhado de arroz branco, feijão-verde ou macaxeira.

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Um alimento que preserva sabores e tradições

Do cultivo familiar às mesas dos restaurantes, o jerimum continua presente na alimentação nordestina. Mais do que um ingrediente, ele representa uma tradição que reúne agricultura, cultura e hábitos alimentares transmitidos entre gerações.

E talvez seja justamente essa combinação que explique sua permanência: um alimento acessível, versátil e capaz de participar de receitas simples ou elaboradas sem perder sua identidade regional.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.