Quem vive no Nordeste conhece bem o jerimum. Ele aparece no almoço com carne de sol, acompanha o feijão, vira purê, sopa, creme e até doce. Além de fazer parte da alimentação cotidiana, o alimento carrega uma história que atravessa gerações e preserva uma herança dos povos indígenas na própria língua.
Conhecido como abóbora em outras regiões do Brasil, o jerimum tem presença marcante na culinária nordestina. Sua versatilidade, o cultivo em diferentes áreas e a variedade de preparos ajudam a explicar por que ele continua tão popular nas feiras, mercados e cozinhas da região.
Jerimum tem origem em palavra indígena
O nome jerimum vem do tupi, com registro da forma yurum-um. Segundo referências reunidas pela Embrapa, a palavra significa “pescoço escuro” e permanece no vocabulário de populações nordestinas.
A palavra também revela uma diferença cultural entre as regiões brasileiras. Enquanto boa parte do Nordeste utiliza o nome jerimum, em estados do Sul e do Sudeste prevalecem termos como abóbora e moranga.
Além disso, não existe apenas um tipo de jerimum. A Embrapa identifica diferentes variedades tradicionais, entre elas o jerimum caboclo, o jerimum jandaia e o jerimum de leite.
A distinção também aparece na classificação botânica. O jerimum caboclo está associado à espécie Cucurbita maxima, enquanto o jerimum de leite corresponde à Cucurbita moschata, conhecida em outras regiões como abóbora.
Bahia se destaca na produção nordestina
O cultivo de abóboras, morangas e jerimuns tem importância econômica e social para a agricultura brasileira, especialmente para a produção familiar.
A Bahia aparece entre os destaques da região segundo o IBGE, o estado registrou a maior produção de abóbora, moranga e jerimum, entre os estados nordestinos.
O dado precisa ser observado dentro de seu período de referência: ele não representa um ranking atualizado da produção em 2026. Ainda assim, ajuda a mostrar a importância histórica da cultura para a agricultura baiana.
Além da Bahia, estados como Maranhão, Pernambuco, Piauí e Ceará também possuem tradição no cultivo e no consumo desse alimento.
Como o jerimum é usado na culinária nordestina?
Uma das razões para a popularidade do jerimum é a facilidade de combinar seu sabor levemente adocicado com ingredientes salgados e doces.
Na cozinha nordestina, ele aparece em diferentes preparações:
- Jerimum com carne de sol: combinação tradicional, geralmente servida com arroz, feijão ou macaxeira.
- Purê de jerimum: acompanhamento cremoso para carnes e peixes.
- Sopa e creme: preparo bastante utilizado em refeições caseiras.
- Jerimum com leite: receita de sabor suave, que pode acompanhar refeições ou aparecer em preparações doces.
- Feijão com jerimum: combinação que acrescenta sabor e textura ao prato.
- Bolos e doces: a polpa também pode entrar em receitas com açúcar, coco e especiarias.
A versatilidade não termina na polpa. As sementes podem ser torradas e consumidas como aperitivo, enquanto folhas, brotos e flores também podem ser aproveitados em preparações culinárias.
Receita: jerimum cremoso com carne de sol

Uma combinação bastante apreciada no Nordeste é o jerimum acompanhado de carne de sol. A receita abaixo é uma versão caseira, simples e fácil de preparar.
Ingredientes
- 500 g de jerimum descascado e cortado em cubos
- 300 g de carne de sol dessalgada e desfiada
- 1 cebola média picada
- 2 dentes de alho amassados
- 2 colheres de sopa de manteiga de garrafa ou azeite
- 100 ml de leite ou leite de coco
- Cheiro-verde a gosto
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
Modo de preparo
- Primeiro, cozinhe o jerimum em água até ficar macio. Escorra e reserve.
- Em seguida, aqueça a manteiga de garrafa em uma panela e refogue a cebola e o alho.
- Acrescente a carne de sol desfiada e misture até dourar levemente.
- Depois, amasse o jerimum cozido com um garfo ou espremedor.
- Adicione a polpa à panela com a carne e misture.
- Acrescente o leite ou leite de coco aos poucos, até alcançar uma consistência cremosa.
- Por fim, ajuste o sal, coloque a pimenta e finalize com cheiro-verde.
Sirva ainda quente, acompanhado de arroz branco, feijão-verde ou macaxeira.
LEIA TAMBÉM:
- Rubacão: prato nordestino que mistura tradição, sabor e identidade regional
- Conheça 10 Terroirs do Nordeste reconhecidos por sua excelência e identidade única
Um alimento que preserva sabores e tradições
Do cultivo familiar às mesas dos restaurantes, o jerimum continua presente na alimentação nordestina. Mais do que um ingrediente, ele representa uma tradição que reúne agricultura, cultura e hábitos alimentares transmitidos entre gerações.
E talvez seja justamente essa combinação que explique sua permanência: um alimento acessível, versátil e capaz de participar de receitas simples ou elaboradas sem perder sua identidade regional.



