Entre a derrota no primeiro turno e a virada na reta final, uma reconfiguração de forças no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorreu de forma acentuada. Assim, o desenho do próximo governo já começa a tomar forma, e o Nordeste ocupa um espaço central nessa equação. De senadores derrotados a ex-prefeitos que perderam a disputa estadual, nomes da região aparecem com força em possíveis ministros para a Esplanada.
Camilo Santana: de senador a favorito na Casa Civil
A princípio, o ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana (PT-CE) tornou-se favorito para assumir a Casa Civil, segundo relatos feitos à CNN. O posto, inicialmente pensado para Fernando Haddad, ganhou um novo favorito após a reconfiguração de forças nas últimas semanas de campanha. Cearense, Camilo já comandou o Ministério da Educação no governo Lula 3 e tem trânsito consolidado tanto no PT quanto entre aliados do Centrão — uma combinação que o credencia para a articulação política da Casa Civil.

A SRI e o espaço do Centrão
A princípio, pessoas próximas de Lula avaliam que o comando da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) precisa ser do Centrão, e não do PT, como ocorre hoje com o ministro José Guimarães. Antes dele, no governo Lula 3, o ministro era Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann. Um nome citado para o posto é o do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), que foi ministro de Portos e Aeroportos. Pernambucano, ele é um negociador hábil, com amplo trânsito no Congresso — perfil que atende exatamente ao que o governo busca para a articulação institucional.
João Campos: derrota estadual, espaço federal
Alguns políticos derrotados nas eleições de outubro devem ganhar espaço na Esplanada. Um caso dado como praticamente certo é o de João Campos, ex-prefeito de Recife, que perdeu a disputa do governo de Pernambuco para Raquel Lyra (PSD). Presidente nacional do PSB, ele é favorito para assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia — uma pasta simbólica, que teve Eduardo Campos (seu pai) como ministro no governo Lula 1. A escolha teria um peso político duplo: acomodar um aliado derrotado e, ao mesmo tempo, reforçar o vínculo histórico entre o PT e o PSB.

Daniella Ribeiro e o combate à violência contra a mulher
Outra favorita para assumir um ministério é a senadora Daniella Ribeiro (PP). Mãe do governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (um dos maiores apoiadores de Lula no Nordeste neste segundo turno), Daniella tem como bandeira principal o combate à violência contra a mulher. A paraibana aparece como nome natural para uma pasta ligada à área social ou aos direitos das mulheres.

Renan Calheiros: 32 anos de Senado e um novo capítulo
Além disso, outro que pode ter um lugar no ministério de Lula é o senador Renan Calheiros. Após 32 anos no Senado, o político não conseguiu renovar seu mandato neste último pleito e agora pode ser escalado para ajudar Lula em algum ministério. Alagoano, Renan é, antes de mais nada, uma das figuras mais experientes do Congresso. Desse modo, sua eventual entrada no governo seria uma forma de aproveitar sua capacidade de articulação — ainda que o episódio da derrota eleitoral adicione um componente político delicado à escolha.
| Nome | Estado | Cargo atual ou último cargo | Pasta cotada | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Camilo Santana | Ceará | Senador (PT-CE) e ex-ministro da Educação | Casa Civil | Favorito; posto era pensado inicialmente para Haddad |
| Silvio Costa Filho | Pernambuco | Deputado (Republicanos-PE) e ex-ministro de Portos e Aeroportos | Secretaria de Relações Institucionais (SRI) | Nome do Centrão; negociador com trânsito no Congresso |
| João Campos | Pernambuco | Ex-prefeito de Recife e presidente nacional do PSB | Ciência e Tecnologia | Perdeu o governo de PE para Raquel Lyra; pasta foi de Eduardo Campos, seu pai |
| Daniella Ribeiro | Paraíba | Senadora (PP) | Área social ou direitos das mulheres | Mãe do governador Lucas Ribeiro, forte apoiador de Lula no NE |
| Renan Calheiros | Alagoas | Senador (sem mandato renovado) | A definir | 32 anos no Senado; pode ser aproveitado na articulação |
O que observar
Em suma, o desenho do Lula 4 ainda está em movimento, e a lista de cotados reflete menos uma escolha técnica do que um acerto político. O Nordeste, que deu a Lula vitórias em todos os estados da região, aparece com força na composição. Assim, a dúvida que fica é quanto desse espaço nordestino será para aliados próximos e quanto será para o Centrão. Portanto, a resposta deve sair nas próximas semanas, à medida que Lula fecha o desenho da Esplanada.


