Enquanto a proposta que promete acabar com a escala 6×1 (PEC 221/2019) avança e mobiliza a população nas redes sociais, um movimento paralelo no Senado acendeu o sinal de alerta para os trabalhadores brasileiros.
Liderada por nomes de oposição, a PEC 12/2026 surge como uma contraproposta que, na visão de críticos, pode representar um retrocesso histórico nos direitos trabalhistas. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), autora da proposta original aprovada na Câmara, foi dura ao classificar a manobra: “O senador Flávio Bolsonaro e seus aliados apresentaram uma PEC no Senado que acaba com a CLT e cria a escala 7×0”, escreveu a parlamentar.
Mas afinal, quem são os representantes do Nordeste, uma região historicamente ligada às lutas sindicais e trabalhistas, que discordam do fim da escala 6×1? Reunimos os nomes e partidos para você saber exatamente quem está do outro lado dessa trincheira.
A polêmica da jornada flexível
Enquanto a PEC de Erika Hilton reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, a proposta dos senadores da oposição (PEC 12/2026) permite a adoção de uma jornada flexível, ainda limitada a 44 horas semanais, mas que seria definida em contrato individual entre empregado e empregador.
Ou seja, para que o trabalhador tenha mais um dia de folga como prevê o fim da escala 6×1, haveria redução salarial.

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), a medida é uma afronta direta à vontade popular. “Isso é uma afronta, um acinte à vontade popular. 70% da população aprova a redução da jornada. As mulheres trabalhadoras querem, os trabalhadores querem. E o que eles estão propondo é uma afronta a essa vontade. Ou seja, é uma parte do Parlamento de costas para a vontade popular”, desabafou o parlamentar.
A preocupação central é que, na prática, o trabalhador possa ser coagido a aceitar escalas exaustivas — incluindo finais de semana inteiros — sob o argumento de “negociação direta”, o que a deputada Erika Hilton chamou de “escala 7×0”.
Senadores do Nordeste que apoiam a PEC 12/2026
Confira na tabela abaixo os senadores da região Nordeste que assinam ou apoiam a proposta que permite a jornada flexível, colocando em risco o fim da escala 6×1:
| Estado | Senador | Partido |
|---|---|---|
| Rio Grande do Norte | Rogério Marinho | PL |
| Rio Grande do Norte | Styvenson Valentim | Podemos |
| Ceará | Eduardo Girão | Novo |
| Piauí | Ciro Nogueira | PL |
| Bahia | Angelo Coronel | Republicanos |
| Sergipe | Laércio Oliveira | PP |
| Alagoas | Dra. Eudocia | PSDB |
| Paraíba | Efraim Filho | PL |
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O que está em jogo?
A discussão vai muito além da política partidária. Trata-se de definir se o Brasil caminhará para a redução da jornada com qualidade de vida (como defendem 70% da população, segundo pesquisas) ou para um modelo flexível que pode intensificar a exploração da mão de obra.
Enquanto a PEC 221/2019 (fim da 6×1) ainda precisa de apoio no Senado, a PEC 12/2026 já foi protocolada e de acordo com Erika Hilton já conta com 40 a assinatura de 40 senadores, liderados por Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).



