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Quem são os senadores do Nordeste contra o fim da escala 6×1?

Enquanto a proposta que promete acabar com a escala 6×1 (PEC 221/2019) avança e mobiliza a população nas redes sociais, um movimento paralelo no Senado acendeu o sinal de alerta para os trabalhadores brasileiros. Liderada ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
1 de junho de 2026 - às 06:14
Atualizado 1 de junho de 2026 - às 06:14
3 min de leitura
Votação do Orçamento 2025 no Senado. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado Fonte: Agência Senado
Votação do Orçamento 2025 no Senado. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado Fonte: Agência Senado

Enquanto a proposta que promete acabar com a escala 6×1 (PEC 221/2019) avança e mobiliza a população nas redes sociais, um movimento paralelo no Senado acendeu o sinal de alerta para os trabalhadores brasileiros.

Liderada por nomes de oposição, a PEC 12/2026 surge como uma contraproposta que, na visão de críticos, pode representar um retrocesso histórico nos direitos trabalhistas. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), autora da proposta original aprovada na Câmara, foi dura ao classificar a manobra: “O senador Flávio Bolsonaro e seus aliados apresentaram uma PEC no Senado que acaba com a CLT e cria a escala 7×0”, escreveu a parlamentar.

Mas afinal, quem são os representantes do Nordeste, uma região historicamente ligada às lutas sindicais e trabalhistas, que discordam do fim da escala 6×1? Reunimos os nomes e partidos para você saber exatamente quem está do outro lado dessa trincheira.

A polêmica da jornada flexível

Enquanto a PEC de Erika Hilton reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, a proposta dos senadores da oposição (PEC 12/2026) permite a adoção de uma jornada flexível, ainda limitada a 44 horas semanais, mas que seria definida em contrato individual entre empregado e empregador.

Ou seja, para que o trabalhador tenha mais um dia de folga como prevê o fim da escala 6×1, haveria redução salarial.

Rogério Marinho e o ex-presidente Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR
Primeiro signatário da proposta, Rogério Marinho é um aliado antigo do clã Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), a medida é uma afronta direta à vontade popular. “Isso é uma afronta, um acinte à vontade popular. 70% da população aprova a redução da jornada. As mulheres trabalhadoras querem, os trabalhadores querem. E o que eles estão propondo é uma afronta a essa vontade. Ou seja, é uma parte do Parlamento de costas para a vontade popular”, desabafou o parlamentar.

A preocupação central é que, na prática, o trabalhador possa ser coagido a aceitar escalas exaustivas — incluindo finais de semana inteiros — sob o argumento de “negociação direta”, o que a deputada Erika Hilton chamou de “escala 7×0”.

Senadores do Nordeste que apoiam a PEC 12/2026

Confira na tabela abaixo os senadores da região Nordeste que assinam ou apoiam a proposta que permite a jornada flexível, colocando em risco o fim da escala 6×1:

EstadoSenadorPartido
Rio Grande do NorteRogério MarinhoPL
Rio Grande do NorteStyvenson ValentimPodemos
CearáEduardo GirãoNovo
PiauíCiro NogueiraPL
BahiaAngelo CoronelRepublicanos
SergipeLaércio OliveiraPP
AlagoasDra. EudociaPSDB
ParaíbaEfraim FilhoPL

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A discussão vai muito além da política partidária. Trata-se de definir se o Brasil caminhará para a redução da jornada com qualidade de vida (como defendem 70% da população, segundo pesquisas) ou para um modelo flexível que pode intensificar a exploração da mão de obra.

Enquanto a PEC 221/2019 (fim da 6×1) ainda precisa de apoio no Senado, a PEC 12/2026 já foi protocolada e de acordo com Erika Hilton já conta com 40 a assinatura de 40 senadores, liderados por Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.