Início » Economia » Estudo revela produtos que o Brasil consome que só o Nordeste produz

Economia

Estudo revela produtos que o Brasil consome que só o Nordeste produz

Quando se fala em agricultura brasileira, é comum que os holofotes se voltem para o Centro-Oeste e sua produção de grãos em larga escala. No entanto, um levantamento recente revela uma realidade que merece muito ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
15 de setembro de 2026 - às 08:14
Atualizado 15 de setembro de 2026 - às 08:14
4 min de leitura

Quando se fala em agricultura brasileira, é comum que os holofotes se voltem para o Centro-Oeste e sua produção de grãos em larga escala. No entanto, um levantamento recente revela uma realidade que merece muito mais atenção: o Nordeste concentra praticamente toda a produção nacional de diversas culturas agrícolas estratégicas, com destaque absoluto para o agave (sisal) e a castanha de caju.

Os dados fazem parte do Perfil Produtivo Agrícola, elaborado pela Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) com base na Produção Agrícola Municipal (PAM) 2024, do IBGE. O estudo analisou 20 culturas — entre lavouras permanentes e temporárias — e traçou um retrato detalhado da produção, área colhida, rendimento e valor econômico dos cultivos na região.

O domínio absoluto do sisal e do caju

Entre os destaques do levantamento, o agave — conhecido popularmente como sisal — ocupa uma posição de exclusividade: o Nordeste responde por 100% da produção brasileira, que alcançou 93,3 mil toneladas em 2024. As folhas da Agave sisalana são utilizadas na fabricação da fibra de sisal, matéria-prima essencial para cordas, tapetes e artigos industriais.

Já a castanha de caju apresenta números igualmente impressionantes. Foram 158,5 mil toneladas produzidas na região, o equivalente a 99,56% de toda a produção nacional. A fava e a mamona também reforçam essa concentração: 99,42% e 95,56%, respectivamente.

Fruticultura irrigada: o novo motor econômico

A princípio, o estudo também evidencia a força da fruticultura irrigada no Nordeste, especialmente no polo do Vale do São Francisco. A manga representa 82,11% da produção brasileira, com aproximadamente 1,51 milhão de toneladas. Já o melão concentra 98,35% da produção nacional, somando cerca de 803 mil toneladas em 2024.

Outras culturas de destaque nacional incluem guaraná, coco-da-baía, maracujá, uva, goiaba e cacau — todas com participação relevante da região no cenário brasileiro.

Castanha de caju. Foto: Divulgação/Sebrae
Castanha de caju. Foto: Divulgação/Sebrae

LEIA TAMBÉM:

Valor econômico: cacau, uva e manga na liderança

Além disso, o levantamento revela a importância econômica das culturas permanentes de maior valor agregado. Antes de mais nada, o cacau lidera com um valor de produção de aproximadamente R$ 6,5 bilhões em 2024. Ele é seguido pela uva, com R$ 5,2 bilhões e pela manga R$ 2.9 bilhões. Assim, somadas as três culturas movimentam cerca de R$ 14,6 bilhões na região.

O cacau também impressiona pelo volume: foram cerca de 137,2 mil toneladas, com forte concentração no sul da Bahia.

Uma agricultura mais especializada do que se imagina

De acordo com a Sudene, os dados ajudam a desconstruir o retrato tradicional de uma agricultura nordestina baseada apenas na produção de subsistência. A disponibilidade de áreas irrigadas, a adoção de tecnologia e a concentração de cadeias produtivas em determinados municípios permitiram o desenvolvimento de polos altamente competitivos, especialmente na fruticultura.

Ao mesmo tempo, o painel ainda permite comparar a evolução das culturas entre 2014 e 2024, identificando mudanças na distribuição e no peso econômico dos diferentes cultivos. Desse modo, mostra-se um instrumento valioso para o planejamento de políticas públicas e investimentos no setor.

Os números que resumem a força do Nordeste

CulturaProdução no NE (2024)Participação nacional
Agave (sisal)93,3 mil toneladas100%
Castanha de caju158,5 mil toneladas99,56%
Fava99,42%
Melão803 mil toneladas98,35%
Mamona95,56%
Manga1,51 milhão de toneladas82,11%

Valor de produção das três principais culturas permanentes:

  • Cacau: R$ 6,5 bilhões
  • Uva: R$ 5,2 bilhões
  • Manga: R$ 2,9 bilhões
  • Total: R$ 14,6 bilhões

Em suma, o levantamento da Sudene deixa claro: o Nordeste não é apenas um player relevante na agricultura brasileira.

Afinal, em diversas cadeias, ele é praticamente o único. E com investimentos contínuos em irrigação, tecnologia e especialização produtiva, a tendência é que essa liderança se consolide ainda mais na próxima década.