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Quem são os nordestinos que já concorreram ao Prêmio Nobel?

Entre escritores, intelectuais e defensores da paz, nomes do Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia aparecem no histórico de indicações ao Prêmio Nobel O Brasil ainda não tem um vencedor do Prêmio Nobel, mas a história ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
7 de outubro de 2026 - às 08:01
Atualizado 7 de outubro de 2026 - às 08:01
6 min de leitura

Entre escritores, intelectuais e defensores da paz, nomes do Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia aparecem no histórico de indicações ao Prêmio Nobel

O Brasil ainda não tem um vencedor do Prêmio Nobel, mas a história das indicações revela uma presença importante de brasileiros em diferentes áreas. Entre eles estão personalidades nascidas no Nordeste, que chegaram às listas de candidatos em categorias como Paz e Literatura.

Um levantamento baseado no Nobel Prize Nomination Archive, reproduzido no infográfico enviado, reúne indicações feitas entre 1901 e 1975.

Ao mesmo tempo, entre os nordestinos que aparecem nesse histórico estão Raimundo Teixeira Mendes e Coelho Neto, do Maranhão; Josué de Castro, de Pernambuco; Dom Hélder Câmara, do Ceará; e Jorge Amado, da Bahia.

Todos os nordestinos indicados ao Prêmio Nobel

ÁreaNomeEstado de origemAno(s) de indicação
PazTeixeira MendesMaranhão1924
PazJosué de CastroPernambuco1953, 1963, 1964, 1965, 1970, 1973
PazDom Hélder CâmaraCeará1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975
LiteraturaCoelho NetoMaranhão1933
LiteraturaJorge AmadoBahia1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973

Teixeira Mendes: o maranhense ligado à Bandeira do Brasil

Nascido em Caxias, no Maranhão, Raimundo Teixeira Mendes foi indicado ao Nobel da Paz em 1924, de acordo com o levantamento.

Filósofo e matemático, Teixeira Mendes ficou especialmente conhecido por sua participação na concepção da Bandeira Nacional republicana e pela autoria do lema “Ordem e Progresso”. A Prefeitura de Caxias o identifica como um dos filhos ilustres do município e destaca sua atuação baseada no positivismo.

Assim, a indicação ao Nobel da Paz colocou o intelectual maranhense entre os brasileiros considerados para uma das mais importantes premiações internacionais.

Coelho Neto: a literatura do Maranhão na lista do Nobel

Outro maranhense que aparece no levantamento é Henrique Maximiano Coelho Neto, indicado ao Nobel de Literatura em 1933.

Nascido em Caxias (MA), em 1864, Coelho Neto foi romancista, crítico e teatrólogo. A Academia Brasileira de Letras registra sua trajetória e sua atuação em diferentes áreas da cultura e da educação brasileira.

A princípio, o escritor teve uma carreira extensa e chegou a ocupar espaço de destaque na vida literária brasileira. Sua origem maranhense é também parte da história cultural de Caxias, cidade que se tornou berço de importantes nomes da literatura brasileira.

Josué de Castro: a luta contra a fome chegou ao Nobel

Entre os nordestinos da lista, Josué de Castro é um dos nomes que mais vezes aparecem entre as indicações.

Nascido no Recife, o médico, nutrólogo, geógrafo, professor, escritor e ativista dedicou boa parte de sua trajetória ao estudo e ao combate à fome. Sua obra Geografia da Fome projetou internacionalmente o debate sobre a alimentação e as desigualdades sociais.

Antes de mais nada, Josué de Castro teve indicações ao Nobel da Paz em 1953, 1963, 1964, 1965, 1970 e 1973, embora existam diferenças entre levantamentos e bases históricas sobre a contagem e as categorias de suas indicações.

O próprio arquivo oficial do Nobel registra, por exemplo, sua indicação de 1953, motivada pelo trabalho relacionado ao crescimento populacional e ao acesso à alimentação a partir de Geography of Hunger.

Sua importância ultrapassou as fronteiras brasileiras. Josué de Castro presidiu o Conselho Executivo da FAO e atuou internacionalmente na discussão sobre fome, desenvolvimento e desigualdade.

Dom Hélder Câmara: o cearense indicado pela paz

Nascido no Ceará, Dom Hélder Câmara aparece entre os brasileiros indicados ao Nobel da Paz. O levantamento apresentado no infográfico registra indicações em 1970, 1971, 1972, 1973, 1974 e 1975.

Afinal, o religioso ficou conhecido pela defesa dos direitos humanos, da justiça social e da não violência. Embora tenha nascido no Ceará, foi em Pernambuco que construiu uma parte fundamental de sua trajetória, como arcebispo de Olinda e Recife.

O Senado Federal destaca que Dom Hélder foi nascido no Ceará e teve sua atuação de maior destaque em Pernambuco. Também registra que ele foi indicado quatro vezes ao Nobel da Paz.

Em suma, sua trajetória ganhou ainda mais relevância por sua atuação durante o regime militar brasileiro. Documentos posteriormente divulgados apontaram esforços do governo militar para impedir que sua candidatura ao Nobel prosperasse.

Jorge Amado: a Bahia entre os grandes nomes da literatura

A literatura nordestina também chegou à disputa do Nobel por meio de Jorge Amado.

Nascido em Ferradas, distrito de Itabuna, na Bahia, em 1912, o escritor construiu uma das obras mais conhecidas da literatura brasileira.

O infográfico registra indicações ao Nobel de Literatura em 1968, 1969, 1970, 1971, 1972 e 1973.

O arquivo oficial do Nobel confirma, por exemplo, a indicação de Jorge Amado em 1968, feita pela Associação Brasileira de Escritores. Nos anos seguintes, seu nome continuou aparecendo nas listas oficiais de indicados.

Portanto, sua presença no Nobel representa também a força internacional da literatura baiana e nordestina, que levou para outros países personagens, conflitos sociais, costumes e paisagens do Brasil.

Jorge Amado é um dos maiores escritores da história do Brasil e suas obras são lidas em todo o mundo.

Um Nordeste presente na história do Prêmio Nobel

Em suma, os nomes reunidos no levantamento mostram que a participação nordestina nas listas do Nobel atravessa diferentes áreas.

Do Maranhão, aparecem Teixeira Mendes e Coelho Neto. De Pernambuco, Josué de Castro. Do Ceará, Dom Hélder Câmara. Da Bahia, Jorge Amado.

São trajetórias muito diferentes, mas que têm em comum a capacidade de transformar experiências brasileiras em obras, ideias e ações com repercussão internacional.

E há um detalhe simbólico nessa história: Caxias, no Maranhão, aparece duas vezes, com Teixeira Mendes e Coelho Neto, em áreas distintas — Paz e Literatura. Já Pernambuco aparece associado a uma das mais importantes discussões sociais do século XX, a luta contra a fome, enquanto Ceará e Bahia colocaram seus nomes entre os grandes debates internacionais sobre paz e literatura.

O Brasil pode ainda esperar pelo primeiro Nobel. Mas, muito antes de qualquer troféu, o Nordeste já havia colocado alguns de seus nomes na história das indicações à maior premiação internacional em ciência, literatura e paz.