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Por que Flávio Bolsonaro ‘jogou a toalha’ no Nordeste?

A menos de um mês do primeiro turno, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) praticamente jogou a toalha em relação a novas ofensivas pelo Nordeste. A avaliação de que dificilmente reverterá o quadro favorável ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
8 de setembro de 2026 - às 09:26
Atualizado 8 de setembro de 2026 - às 09:26
3 min de leitura

A menos de um mês do primeiro turno, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) praticamente jogou a toalha em relação a novas ofensivas pelo Nordeste. A avaliação de que dificilmente reverterá o quadro favorável ao presidente Lula na região foi determinante para a decisão. E não são os nordestinos que estão dizendo isso, mas o jornalista Robson Bonin, da coluna Radar da revista Veja.

Assim, com amplo domínio sobre as regiões Sul e Centro-Oeste, o primogênito de Jair Bolsonaro deve concentrar os esforços, nas últimas semanas antes do primeiro turno, no Norte e no Sudeste. Isso porque há o diagnóstico de que há espaço para ampliar a base de apoio à sua candidatura ao comando do Palácio do Planalto.

Missão delegada aos candidatos locais

Fontes do PL ouvidas por Robson Bonin ponderam que a missão de levantar o nome de Flávio no Nordeste ficará nas mãos dos candidatos bolsonaristas da região. “O que vier é lucro”, relatou uma liderança do partido de Valdemar Costa Neto.

Por que Lula é tão bem votado no Nordeste?

Antes de mais nada, o domínio de Lula na região não é obra do acaso. É resultado de uma combinação de fatores históricos, econômicos e simbólicos que se reforçam há décadas.

Fatores históricos e eleitorais

  • Memória dos governos Lula (2003–2010): o período é uma marca para o Nordeste como uma era de crescimento econômico, geração de empregos e expansão do consumo. Em suma, essa memória positiva segue viva entre os eleitores
  • Programas de transferência de renda: o Bolsa Família alcança milhões de famílias nordestinas. dEssa forma, criou uma relação direta entre o nome de Lula e a renda mensal das casas
  • Identidade e pertencimento: para parte do eleitorado, Lula é “um dos seus”. Um nordestino de origem humilde, retirante, que ascendeu sem perder as raízes. E isso que gera identificação pessoal difícil de replicar por outros candidatos
  • Voto consolidado e leal: pesquisas históricas mostram que o eleitorado nordestino é o mais estável do país na preferência por Lula, com índices de rejeição proporcionalmente menores que em outras regiões
Lula no Nordeste
O presidente Lula é nordestino e tem uma identificação gigante com região. Foto: © Ricardo Stuckert | PR

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Fatores econômicos e sociais

  • Políticas de inclusão: valorização do salário mínimo acima da inflação, expansão do crédito e do consumo popular beneficiaram diretamente uma região com forte dependência de renda transferida e do comércio local
  • Investimentos em infraestrutura: obras como transposição do Rio São Francisco, universidades federais, institutos federais e programas de habitação deixaram marcas físicas associadas ao seu governo
  • Emprego formal: o Nordeste foi uma das regiões que mais criaram postos de trabalho com carteira assinada durante seus mandatos. Desse modo, fixou a associação entre Lula e oportunidade de emprego

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.