A menos de um mês do primeiro turno, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) praticamente jogou a toalha em relação a novas ofensivas pelo Nordeste. A avaliação de que dificilmente reverterá o quadro favorável ao presidente Lula na região foi determinante para a decisão. E não são os nordestinos que estão dizendo isso, mas o jornalista Robson Bonin, da coluna Radar da revista Veja.
Assim, com amplo domínio sobre as regiões Sul e Centro-Oeste, o primogênito de Jair Bolsonaro deve concentrar os esforços, nas últimas semanas antes do primeiro turno, no Norte e no Sudeste. Isso porque há o diagnóstico de que há espaço para ampliar a base de apoio à sua candidatura ao comando do Palácio do Planalto.
Missão delegada aos candidatos locais
Fontes do PL ouvidas por Robson Bonin ponderam que a missão de levantar o nome de Flávio no Nordeste ficará nas mãos dos candidatos bolsonaristas da região. “O que vier é lucro”, relatou uma liderança do partido de Valdemar Costa Neto.
Por que Lula é tão bem votado no Nordeste?
Antes de mais nada, o domínio de Lula na região não é obra do acaso. É resultado de uma combinação de fatores históricos, econômicos e simbólicos que se reforçam há décadas.
Fatores históricos e eleitorais
- Memória dos governos Lula (2003–2010): o período é uma marca para o Nordeste como uma era de crescimento econômico, geração de empregos e expansão do consumo. Em suma, essa memória positiva segue viva entre os eleitores
- Programas de transferência de renda: o Bolsa Família alcança milhões de famílias nordestinas. dEssa forma, criou uma relação direta entre o nome de Lula e a renda mensal das casas
- Identidade e pertencimento: para parte do eleitorado, Lula é “um dos seus”. Um nordestino de origem humilde, retirante, que ascendeu sem perder as raízes. E isso que gera identificação pessoal difícil de replicar por outros candidatos
- Voto consolidado e leal: pesquisas históricas mostram que o eleitorado nordestino é o mais estável do país na preferência por Lula, com índices de rejeição proporcionalmente menores que em outras regiões

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Fatores econômicos e sociais
- Políticas de inclusão: valorização do salário mínimo acima da inflação, expansão do crédito e do consumo popular beneficiaram diretamente uma região com forte dependência de renda transferida e do comércio local
- Investimentos em infraestrutura: obras como transposição do Rio São Francisco, universidades federais, institutos federais e programas de habitação deixaram marcas físicas associadas ao seu governo
- Emprego formal: o Nordeste foi uma das regiões que mais criaram postos de trabalho com carteira assinada durante seus mandatos. Desse modo, fixou a associação entre Lula e oportunidade de emprego


