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Pix vai fazer seis anos: saiba tudo sobre o meio de pagamento brasileiro

Criado pelo Banco Central em novembro de 2020, o Pix revolucionou a forma como os brasileiros movimentam dinheiro. Assim, em menos de seis anos, tornou-se o principal meio de pagamento do país. Ao mesmo tempo, ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
28 de julho de 2026 - às 07:02
Atualizado 28 de julho de 2026 - às 07:02
6 min de leitura

Criado pelo Banco Central em novembro de 2020, o Pix revolucionou a forma como os brasileiros movimentam dinheiro.

Assim, em menos de seis anos, tornou-se o principal meio de pagamento do país. Ao mesmo tempo, já conquistou mais de 170 milhões de usuários, reduziu custos para consumidores e empresas e passou a ser estudado por governos de todo o mundo. Contudo, o sucesso do sistema brasileiro também despertou a atenção dos Estados Unidos, onde grandes empresas de cartões e meios de pagamento veem no Pix um concorrente direto ao modelo tradicional de transações financeiras.

Enquanto dezenas de países ainda buscam modernizar seus sistemas de pagamentos instantâneos, o Brasil criou uma infraestrutura pública que eliminou boa parte dos intermediários das operações financeiras e reduziu significativamente os custos das transações.

O que fez o Pix mudar o sistema financeiro brasileiro?

Pix para BOLETOS
Pix para BOLETOS

Antes do Pix, transferências bancárias dependiam principalmente de TED e DOC, modalidades que possuíam horários de funcionamento, tarifas e maior tempo para compensação.

Em suma, com o novo sistema, desenvolvido e operado pelo Banco Central, as transferências passaram a ocorrer em poucos segundos, durante 24 horas por dia, sete dias por semana.

De acordo com Priscilla Santos, sócia do Tauil & Chequer Advogados associado à Mayer Brown, o ganho está justamente na simplificação da estrutura de pagamentos.

“O Pix reduz custos porque foi estruturado pelo Banco Central para simplificar a cadeia de pagamentos. Em vez de múltiplos intermediários, o sistema utiliza uma infraestrutura única operada pelo próprio Banco Central, com liquidação instantânea. Isso reduz a intermediação no fluxo e o custo para o usuário final.”

Inclusão financeira acelerou no Brasil

Antes de mais nada, um dos principais impactos do Pix foi ampliar o acesso aos serviços financeiros.

Com mais de 170 milhões de usuários, o sistema impulsionou a bancarização e reduziu o uso do dinheiro em espécie.

Segundo Ingrid Pistili, counsel do Tauil & Chequer Advogados associado à Mayer Brown, o efeito vai além da tecnologia.

“O Pix se consolidou como o principal meio de pagamento no país. Esse fenômeno representa uma transformação estrutural na dinâmica do sistema financeiro, aumentando a velocidade de circulação da moeda, reduzindo custos operacionais e ampliando o acesso a populações historicamente desbancarizadas.”

Por que o Pix incomoda empresas dos Estados Unidos?

Em suma, o avanço do Pix não representa apenas uma inovação tecnológica.

Dessa forma, ele alterou profundamente o mercado de pagamentos ao reduzir a dependência das tradicionais bandeiras internacionais de cartões e das taxas cobradas em diversas operações.

Enquanto o modelo predominante nos Estados Unidos continua baseado em redes privadas de cartões, adquirentes e diversas empresas intermediárias, o Pix funciona sobre uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central.

Portanto, na prática, isso significa menos intermediários, custos menores para comerciantes e transferências gratuitas para pessoas físicas.

O modelo reduz receitas de empresas que tradicionalmente lucram com tarifas de processamento, intercâmbio e compensação financeira, razão pela qual o sucesso brasileiro passou a ser acompanhado de perto por gigantes globais do setor.

Brasil virou referência internacional

Hoje, mais de 70 países possuem sistemas de pagamentos instantâneos.

Mesmo assim, especialistas apontam que o Pix tornou-se uma das principais referências mundiais por reunir características pouco comuns em conjunto:

  • operação pública;
  • gestão pelo Banco Central;
  • adesão obrigatória para instituições relevantes;
  • gratuidade para pessoas físicas;
  • funcionamento ininterrupto;
  • rápida adoção pela população.

A internacionalização também começou a sair do papel.

Em 2026, clientes do Banco do Brasil passaram a realizar pagamentos via Pix na Argentina utilizando QR Code, por meio de parceria com o Banco Patagonia.

Novas funções ampliam concorrência com cartões

Desse modo, o Pix deixou de ser apenas uma ferramenta de transferência bancária.

Ao mesmo tempo, novas modalidades começam a disputar espaço diretamente com cartões de débito, crédito e boletos.

Principais novidades

ModalidadeComo funciona
Pix AutomáticoPagamentos recorrentes, como mensalidades e assinaturas
Pix por AproximaçãoPagamento via NFC, semelhante aos cartões contactless
Pix ParceladoCompras parceladas utilizando crédito da instituição financeira
Pix GarantidoEm desenvolvimento, permitirá pagamento com liquidação futura
Pix CobrançaAlternativa digital aos boletos bancários

Afinal, essas funcionalidades ampliam o ecossistema criado pelo Banco Central e tornam o Pix cada vez mais presente no dia a dia de consumidores e empresas.

Desafios para os próximos anos

Embora seja considerado um caso de sucesso internacional, o Pix ainda enfrenta desafios importantes.

Em resumo, os principais pontos em desenvolvimento são:

  • integração com sistemas de pagamento de outros países;
  • fortalecimento dos mecanismos antifraude;
  • ampliação das modalidades de crédito;
  • aperfeiçoamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED);
  • expansão da rastreabilidade das operações suspeitas.

Segundo especialistas, o Banco Central mantém um processo contínuo de evolução da plataforma para aumentar a segurança e ampliar sua interoperabilidade internacional.

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília

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Mitos e verdades sobre o Pix

AfirmaçãoSituação
Pix não é seguro❌ Mito
A chave Pix dá acesso à conta❌ Mito
Só bancos podem operar Pix❌ Mito
Pix é gratuito para pessoas físicas✅ Verdade
O Pix reduziu o uso de dinheiro em espécie✅ Verdade
Empresas também utilizam Pix✅ Verdade
O Pix acabou com TED e DOC⚠️ Parcialmente (DOC foi encerrado; TED permanece)
Toda transferência cai imediatamente⚠️ Parcialmente (transações suspeitas podem ser retidas para análise)

Pix em números

IndicadorResultado
LançamentoNovembro de 2020
UsuáriosMais de 170 milhões
Funcionamento24 horas por dia, 7 dias por semana
Países com sistemas similaresMais de 70
Expansão internacionalArgentina já aceita Pix via QR Code para clientes do Banco do Brasil

Tecnologia brasileira ganha protagonismo global

Em poucos anos, o Pix deixou de ser apenas um novo meio de pagamento para se tornar uma das maiores transformações do sistema financeiro brasileiro nas últimas décadas.

Além de facilitar a vida dos consumidores, reduzir custos e ampliar a inclusão financeira, o modelo brasileiro passou a influenciar debates internacionais sobre infraestrutura de pagamentos. Ao desafiar um mercado historicamente dominado por grandes operadores privados, o sistema também colocou o Brasil no centro de uma disputa tecnológica e econômica que tende a se intensificar com a expansão dos pagamentos instantâneos para outros países.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.