O Nordeste já definiu praticamente todos os seus governadores no primeiro turno, mas um colégio eleitoral resistiu à onda de definições de 4 de outubro: o Rio Grande do Norte. E é justamente lá que o PT corre o risco de perder seu principal bastião na região.
Antes de mais nada, a mais recente pesquisa do Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, 20, mostra um cenário de empate técnico na corrida pelo governo potiguar. A princípio, o levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 15 e 19 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os números da disputa no 2º turno
Nos votos válidos, o ex-prefeito de Mossoró Alysson Bezerra (União) aparece numericamente à frente, com 52%, contra 48% do ex-secretário de governo Carlos Eduardo Xavier (PT), o “Cadu de Lula”. Assim, como a diferença de quatro pontos está dentro do limite da margem de erro, a disputa segue tecnicamente empatada.
Na pesquisa estimulada de votos totais, a vantagem de Bezerra é ainda menor: 45% a 42%. Brancos e nulos somam 9%, enquanto 4% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
| Indicador | Alysson Bezerra (União) | Cadu Xavier (PT) | Outros |
|---|---|---|---|
| Votos válidos | 52% | 48% | — |
| Votos totais (estimulada) | 45% | 42% | Nulo/Branco: 9% · NS/NR: 4% |
| Rejeição | 24% | 33% | Rejeita ambos: 22% · Não rejeita nenhum: 21% |
O dado de rejeição chama atenção: Cadu Xavier é rejeitado por 33% do eleitorado, nove pontos acima de Bezerra (24%). Outros 22% rejeitam ambos os candidatos, e 21% não rejeitam nenhum dos dois.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código RN-02651/2026.
Um estado que o PT comanda há oito anos
Se a tendência se confirmar neste 2º turno, no próximo domingo, 25, o PT perderá um território que governa há oito anos, sob a gestão de Fátima Bezerra. A derrota teria peso simbólico: o Rio Grande do Norte é o último estado nordestino a não encerrar seu processo democrático neste ciclo eleitoral, e sua perda se somaria a uma série de reveses petistas na região.
Bezerra, se vencer, entrará para um grupo de governadores nordestinos que derrotaram o PT ou candidatos apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva — casos de Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco, JHC (PSDB) em Alagoas e Eduardo Braide (PSD) no Maranhão. Todos eles, assim como o próprio Alysson Bezerra, se declaram independentes da disputa polarizada nacional, sem apoiar nenhum dos lados na eleição presidencial.
O que observar neste 2º turno
Com a margem de erro de dois pontos e a diferença de quatro pontos nos votos válidos, a eleição potiguar permanece aberta. Os números de rejeição e a parcela de eleitores que ainda podem mudar de voto — além dos 9% de brancos e nulos e 4% de indecisos na estimulada — serão decisivos para definir se o PT mantém o comando do estado ou se o Nordeste fecha seu ciclo eleitoral com uma nova derrota petista.
Pesquisa Real Time Big Data: 1.600 entrevistados, entre 15 e 19 de outubro de 2026. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%. Registro no TSE: RN-02651/2026.


