Já imaginou uma estrutura gigante, feita sob medida para construir uma das maiores pontes do mundo, que flutua sobre o mar e depois terá reaproveitamento? Pois é exatamente isso que vai começar a ser montado na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador, a partir de junho.
A princípio, essa novidade é uma plataforma operacional – uma espécie de “canteiro de obras flutuante” – que vai ajudar na construção da tão esperada Ponte Salvador-Itaparica. O mais legal? Essa tecnologia existe e tem uso há anos pelas grandes construtoras da China, mas nunca veio para a América Latina. Ou seja, estamos falando de algo inédito por aqui!
Para que serve essa plataforma?
Ela será como uma grande base no mar, por onde vão circular trabalhadores, máquinas, materiais de construção e equipamentos. Tudo isso com muito mais segurança e eficiência. A ideia é que a ponte seja praticamente “fabricada” em cima dessa estrutura, que vai acompanhar a obra por quase toda a sua extensão.
Obras já vão começar em dois lados da baía
Para que tudo saia dentro do prazo, a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica já pediu os alvarás (autorizações) para as prefeituras de Salvador e de Vera Cruz. As primeiras ações serão:
- Em Salvador: construção no meio da Baía de Todos-os-Santos (o tal “vão central”) e montagem de um canteiro de obras na Avenida Engenheiro Oscar Pontes.
- Em Vera Cruz: início dos trabalhos também pelo meio da baía, com um canteiro de obras partindo do município em direção ao centro da ponte.
Depois, virão as obras nos sistemas viários (estradas de acesso) nas duas cidades, pois elas não são consideradas caminhos críticos.
Tem mais um canteiro em Maragogipe
Além disso, a obra vai contar com um terceiro canteiro, no Estaleiro São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe (contrato com a Petrobras). Lá serão produzidas peças pré-moldadas – aqueles blocos gigantes de concreto que vão formar a ponte. Isso ajuda a acelerar o cronograma e ampliar a capacidade logística da obra.
Materiais já estão a caminho
No dia 30 de março, um navio partiu da China com 44 containers, carregando mais de 800 toneladas de materiais que irão para a construção. A previsão é que ele chegue em Salvador na segunda quinzena de maio.

Vantagens da plataforma
Segundo Carlos Prates, porta-voz da Concessionária, essa estrutura traz muitos benefícios:
- Redução de 70% no número de embarcações trabalhando na baía – ou seja, menos trânsito de barcos e mais organização.
- Mais segurança para os trabalhadores e para quem navega na região.
- Melhor gestão ambiental: os resíduos sólidos e líquidos terão recolhimento em pontos centralizados e descartados corretamente.
- Respeito aos pescadores: eles terão espaços exclusivos para navegar, bem próximos às margens (faixas de 15 metros de largura), além de poderem usar os canais auxiliares.
E uma notícia importante: depois que a ponte ficar pronta, a plataforma será removida e seus materiais serão reaproveitados. Nada vai ficar jogado no mar.
E como fica a navegação na baía durante a obra?
A estrutura foi pensada para não parar o movimento da baía. Veja na tabela abaixo como vai funcionar:
| Tipo de embarcação | Largura do canal | Altura (limite vertical) | Localização |
|---|---|---|---|
| Navios grandes (canal principal) | 400 metros | 85 metros | No centro da baía |
| Embarcações menores (canais auxiliares) | 40 metros | Sem limite | Lateral de Salvador e lateral da Ilha de Itaparica |
| Pesca artesanal (faixa exclusiva) | 15 metros | 3,3 metros | Mais próximo das margens (Salvador e Vera Cruz) |
Ou seja: cada tipo de barco tem seu espaço. O tráfego marítimo continua livre e organizado.
Tecnologia testada e aprovada na China
Os mesmos acionistas da Concessionária (grupos chineses CCCC e CRCC) estão construindo duas pontes na China com essa mesma tecnologia: a Ponte Ferroviária da Baía de Hangzhou e a Ponte Rodoviária de Liuheng. Em julho de 2025, uma comitiva técnica brasileira foi até lá para conhecer o sistema de perto. Agora, a experiência chega ao Brasil.
A ponte que vai conectar a Bahia
A ponte terá 12,4 quilômetros de extensão – a maior da América Latina! Mas o projeto vai muito além dela. Trata-se de um novo Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica, que inclui:
- Em Salvador: 4,4 km de estruturas (viadutos e túneis) ligando a Calçada e Água de Meninos.
- Na Ilha de Itaparica: 22 km de uma nova via expressa e duplicação de 8 km da BA-001 (do Tairu até a Ponte do Funil).
O resultado? Mais de 70% da população baiana (cerca de 250 cidades) terá impacto positivamente, com:
- Escoamento mais fácil da produção agrícola.
- Estímulo ao turismo regional.
- Atração de novos investimentos para áreas que antes estavam no esquecimento.

Parceria Público-Privada (PPP)
A obra é fruto de uma parceria entre o Governo do Estado da Bahia e a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, formada por dois gigantes chineses da infraestrutura. O contrato prevê 35 anos no total:
- 1 ano para estudos e projetos.
- 5 anos para a construção.
- 29 anos para a operação do sistema.
Em resumo
A chegada dessa plataforma operacional chinesa à Baía de Todos-os-Santos é um marco para a engenharia brasileira. Com mais segurança, menos impacto ambiental, respeito às comunidades tradicionais e tecnologia de ponta, a Ponte Salvador-Itaparica promete não apenas ligar duas margens, mas unir regiões, gerar riqueza e transformar a vida de milhões de baianos.
Fique de olho: em junho, o mar vai começar a ferver de trabalho. E a história da infraestrutura no Brasil nunca mais será a mesma.


