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Nova lei do cacau avança no Congresso e deve impulsionar produção na Bahia

O texto foi construído com participação do Governo da Bahia, por meio da Secretaria da Agricultura (Seagri), além de produtores e representantes do setor.
Eliseu Lins, da Agência NE9
20 de abril de 2026 - às 09:03
Atualizado 20 de abril de 2026 - às 09:03
3 min de leitura
PLANTACAO, COLHEITA DO CACAU, FABRICACAO DE CHOCOLATE, TRABALHADOR RURAL, AGRICULTURA, AGRICULTOR, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO E DO TRABALHO, SEDET, INCENTIVO GOVERNO, MICRO EMPRESARIO, FOTOS ©HELENE SANTOS.

A aprovação do Projeto de Lei nº 1.769/2019 pelo Senado Federal marca um novo capítulo para a cadeia produtiva do cacau no país. A proposta, que segue agora para sanção presidencial, estabelece regras para a produção e comercialização de derivados e deve beneficiar diretamente a cacauicultura da Bahia.

O texto foi construído com participação do Governo da Bahia, por meio da Secretaria da Agricultura (Seagri), além de produtores e representantes do setor.

Valorização da produção nacional

A nova legislação tem como objetivo fortalecer a produção brasileira, majoritariamente formada por pequenos produtores, além de estimular a geração de emprego e renda ao longo de toda a cadeia do cacau.

A medida também busca ampliar o consumo interno e garantir maior qualidade dos produtos disponíveis no mercado.

Segundo o secretário da Seagri, Vivaldo Gois, a iniciativa representa um avanço importante diante dos desafios enfrentados pelos produtores, como os baixos preços internacionais e a concorrência com grandes exportadores, como a Costa do Marfim.

Ele destaca ainda o diferencial do cacau baiano, especialmente pelo sistema cabruca — modelo de cultivo que preserva a Mata Atlântica e agrega valor ambiental à produção.

Regras mais rígidas para derivados

O projeto estabelece parâmetros técnicos para os produtos derivados do cacau, elevando o padrão de qualidade. Entre os principais pontos:

  • Mínimo de 32% de sólidos de cacau no chocolate em pó
  • Pelo menos 10% de manteiga de cacau na composição
  • Limite de 9% de umidade no cacau em pó
  • Mínimo de 15% de cacau em achocolatados e produtos similares

Além disso, passa a ser obrigatória a informação clara nos rótulos sobre o percentual de cacau presente nos produtos, aumentando a transparência para o consumidor.

Bahia lidera produção e projeta crescimento

O Brasil ocupa atualmente a sexta posição no ranking mundial de produção de cacau, com destaque para a Bahia, responsável por mais de 137 mil toneladas.

De acordo com o IBGE, o valor bruto da produção deve alcançar R$ 6,5 bilhões em 2025.

A expectativa para 2026 é de crescimento de 5,3%, consolidando o cacau como um dos motores do agronegócio baiano. Dessa maneira, apenas em março deste ano, a produção chegou a 125 mil toneladas, superando o mesmo período do ano anterior.

Julia produz chocolate com o cacau que sua família produz
Julia produz chocolate com o cacau que sua família produz

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Novas fronteiras e reconhecimento

Enquanto o sul da Bahia segue como polo tradicional da cultura, com destaque para a produção em sistema cabruca, o oeste do estado desponta como nova fronteira agrícola, impulsionado por tecnologia e irrigação.

Também avançam as discussões para a criação de uma Indicação Geográfica (IG) do cacau Cabruca, o que pode ampliar ainda mais o reconhecimento do produto no mercado nacional e internacional.

Consumo segue em alta

Portanto, o chocolate, principal derivado do cacau, mantém forte demanda no Brasil. Segundo a Abicab, o consumo médio foi de 3,9 kg por habitante em 2024.

Afinal, com a nova legislação, a expectativa é de um mercado mais competitivo, transparente e alinhado à valorização da produção nacional.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.