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Como o empreendedorismo feminino está transformando o Nordeste

De artesãs a empresárias, mulheres lideram mais de 145 mil negócios no Maranhão e inspiram uma nova economia baseada na autonomia, na colaboração e na cultura No Maranhão, junho é tempo de tambores. É tempo ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
11 de junho de 2026 - às 08:46
Atualizado 11 de junho de 2026 - às 08:46
6 min de leitura

De artesãs a empresárias, mulheres lideram mais de 145 mil negócios no Maranhão e inspiram uma nova economia baseada na autonomia, na colaboração e na cultura

No Maranhão, junho é tempo de tambores. É tempo de “guarnicê”, de proteger e renovar as tradições mais ricas do estado. Mas, neste ano, um outro patrimônio também ganhou destaque nas celebrações culturais: o empreendedorismo feminino.

Realizado no dia 9 de junho, em São Luís, o I Encontro Nordeste CMEC Maranhão reuniu lideranças femininas de seis estados e 11 municípios maranhenses para discutir exatamente isso. Organizado pelo Conselho da Mulher Empresária e da Cultura (CMEC Maranhão) em correalização com o Sebrae, o evento foi um marco na valorização do papel das mulheres na geração de emprego, renda e desenvolvimento local.

O resultado? Um retrato de uma região que está sendo transformada de baixo para cima — por mãos femininas.

trabalho presencial

Os números que impressionam

Antes de mais nada, o protagonismo feminino nos negócios não é mais uma promessa. É uma realidade crescente em todo o Nordeste. No Maranhão, os dados já mostram um movimento expressivo:

IndicadorNúmero
Empresas maranhenses lideradas por mulheresMais de 145 mil
Municípios alcançados pelo programa Força Mulher (Sebrae)110
Mulheres atendidas pelo Força Mulher no MaranhãoMais de 2 mil
Estados presentes no I Encontro Nordeste CMEC6 (MA, RN, CE, BA, PI, PB)

“O Sebrae reforçou a crença na força da mulher empreendedora e tem trabalhado para que cada vez mais mulheres possam ter suas vidas, suas comunidades e o próprio Maranhão transformados pelo empreendedorismo” – Édila Neves, diretora de Administração e Finança do Sebrae Maranhão.

Capacitação, autonomia e redes de apoio

O encontro não foi apenas uma celebração. Foi um espaço de capacitação técnica, troca de experiências e fortalecimento de redes colaborativas. A programação trouxe painéis, palestras e exposições que conectaram teoria e prática.

Destaques da programação:

AtividadeDescrição
Painel “Feito à Mão com Legado e Desenvolvimento”Lideranças do MA, RN, CE, BA e PI discutiram como artesanato, saberes tradicionais e economia criativa geram desenvolvimento sustentável
Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026Inscrições abertas até 19 de junho; vitrine nacional para negócios liderados por mulheres
Programa Força MulherIniciativa do Sebrae para inclusão socioprodutiva de mulheres em situação de vulnerabilidade
Exposição de produtos e serviçosArtesanato dos Lençóis Maranhenses, rendas da Raposa e outros produtos de empreendedoras locais

Projetos apresentados no evento:

  • Wonder Woman (idealizado por Lou Marques): fortalecimento da mulher empreendedora
  • Programa Iyá: apoio a mulheres negras empreendedoras
  • Instituto do Amor Verdadeiro (Mães Atípicas Empreendedoras) : inclusão produtiva de mães de crianças com deficiência
  • Ellas Empreendem: rede de apoio a mulheres nos negócios

“Se eu pude, com luta na hora certa, com delicadeza em outros momentos, juntas, as mulheres podem muito mais” – Sheila Sousa, Instituto Amor Verdadeiro.

Histórias que inspiram

O encontro também foi palco de relatos emocionantes de mulheres que estão transformando suas realidades por meio do empreendedorismo.

“Como empreendedora, é muito bom contar com o apoio do Sebrae em momentos como esse, onde compartilhamos experiências e aprendizados” – Virgínia Diniz, ateliê Coisas da Vida SLZ.

“Com esse apoio do Sebrae, estamos inovando o nosso produto e levando a nossa arte para vários estados do Brasil” – Rita de Cássia, Associação de Rendeiras Bilro de Ouro da Raposa.

“O Sebrae nos apoia como empreendedoras e como mulheres, nos fazendo descobrir, a cada passo, novos horizontes” – Marilene Marques, também de Raposa.

O que vem pela frente?

O I Encontro Nordeste CMEC Maranhão deixou claro que o empreendedorismo feminino no Nordeste não é uma tendência passageira. É um movimento estrutural, que combina:

  • Geração de renda para milhares de famílias
  • Valorização da cultura local (artesanato, rendas, saberes tradicionais)
  • Inclusão socioprodutiva de mulheres em situação de vulnerabilidade
  • Fortalecimento de redes colaborativas entre estados e municípios

A palestra magna do evento, conduzida pela terapeuta e mentora de empreendedoras Celiane Cabral (que atua no Brasil e em Portugal), resumiu o espírito do encontro: o papel do empreendedorismo feminino na transformação de realidades — e os caminhos para ampliar ainda mais o impacto dos negócios liderados por mulheres.

Como participar e apoiar

Se você é mulher e tem um negócio — ou sonha em ter um —, o ecossistema de apoio está se expandindo. O Sebrae, o CMEC e outras instituições oferecem:

  • Capacitações gratuitas em gestão, finanças e marketing
  • Programas de inclusão como o Força Mulher
  • Premiações como o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios (inscrições até 19 de junho)
  • Redes de contato e mentoria com outras empreendedoras

“Precisamos impactar mais mulheres e tornar mais conhecidas essas experiências que nos transformam e mudam o mundo” – Keiteane Mesquita, participante dos projetos Iyá e Wonder Woman.

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Uma nova luz para o Nordeste

O I Encontro Nordeste CMEC Maranhão terminou com uma pergunta no ar — e no coração de cada participante:

“Que luz você quer ser para outras mulheres?”

A resposta, aos poucos, está sendo construída por cada empreendedora que transforma sua realidade, gera empregos, mantém vivas as tradições e inspira outras a dar o primeiro passo.

O Nordeste está mudando. E quem está liderando essa transformação — com mãos que bordam, rendam, cozinham, gerem e empreendem — são elas.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.