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Nordeste pode ser afetado caso Brasil reduza tarifa sobre etanol dos EUA; entenda

Governo federal afirma que retirar a tarifa de importação do etanol norte-americano pode prejudicar a indústria sucroenergética nordestina As negociações entre Brasil e Estados Unidos para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros ganharam um novo ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
8 de julho de 2026 - às 06:49
Atualizado 8 de julho de 2026 - às 06:49
5 min de leitura

Governo federal afirma que retirar a tarifa de importação do etanol norte-americano pode prejudicar a indústria sucroenergética nordestina

As negociações entre Brasil e Estados Unidos para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros ganharam um novo capítulo nesta semana. No entanto, um dos pontos defendidos por parte da classe política — a redução ou eliminação da tarifa de importação sobre o etanol produzido nos Estados Unidos — foi descartado pelo governo federal.

A princípio, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, a medida representaria um risco para o Nordeste, região que concentra importantes polos da indústria sucroenergética brasileira e já enfrenta desafios relacionados aos custos de produção e aos preços do setor.

Enquanto isso, as negociações entre os dois países continuam antes da decisão dos Estados Unidos sobre a possível imposição de novas tarifas comerciais contra produtos brasileiros.

Abastecimeno com Etanol
Abastecimento com Etanol

Por que o etanol é tão importante para o Nordeste?

A produção de etanol no Nordeste vai muito além do combustível. Ela movimenta uma extensa cadeia econômica ligada ao cultivo da cana-de-açúcar, à indústria, ao transporte e ao comércio regional.

Estados como:

  • Pernambuco
  • Alagoas
  • Paraíba
  • Rio Grande do Norte
  • Sergipe

mantêm usinas que empregam milhares de trabalhadores direta e indiretamente durante todo o ano, principalmente nas zonas rurais.

Além disso, muitos municípios dependem economicamente da atividade sucroenergética para geração de renda e arrecadação de impostos.

O que mudaria com a redução da tarifa?

Caso o Brasil diminua ou elimine a tarifa de importação do etanol americano, o combustível produzido nos Estados Unidos chegaria ao mercado brasileiro com menor custo.

Assim, na prática, isso pode aumentar a concorrência com o etanol nacional. Os principais impactos apontados pelo setor incluem:

Possível impactoConsequência para o Nordeste
Maior entrada de etanol importadoAumento da concorrência para as usinas nordestinas
Pressão sobre os preçosRedução da rentabilidade dos produtores brasileiros
Menor demanda pelo produto nacionalPossível queda na produção regional
Impacto econômicoReflexos sobre empregos e renda em municípios produtores

Governo diz que região já enfrenta dificuldades

Durante entrevista nesta terça-feira (7), o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o Nordeste merece atenção especial nas negociações comerciais.

Segundo ele, permitir maior entrada do etanol norte-americano poderia agravar a situação de um setor que já sofre com a redução dos preços.

“O presidente Lula defende claramente que o tema do etanol não seja tratado nessa negociação”, afirmou o ministro, acrescentando que a abertura do mercado pode causar danos especialmente aos estados nordestinos produtores.

Por que os Estados Unidos defendem essa mudança?

Os Estados Unidos argumentam que existe uma diferença entre as tarifas aplicadas pelos dois países. Sendo assim, a proposta de um acordo com tarifa “zero a zero” para etanol e açúcar foi defendida pelo senador Flávio Bolsonaro, que enviou manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Segundo o parlamentar, Brasil e Estados Unidos poderiam eliminar as tarifas de importação sobre os dois produtos de forma recíproca.

Flávio Bolsonaro. Foto_ Agência Senado
Flávio Bolsonaro. Foto_ Agência Senado

O açúcar também entra na discussão

O governo brasileiro afirma que não aceita discutir apenas o etanol. Segundo Márcio Elias Rosa, qualquer negociação precisaria envolver também o açúcar brasileiro, que enfrenta barreiras para entrar no mercado norte-americano.

Entidades do setor sucroenergético destacam que os Estados Unidos mantêm mecanismos de proteção ao açúcar produzido internamente, limitando as exportações brasileiras para aquele mercado.

O que está sendo negociado entre Brasil e EUA?

Além da questão do etanol, Brasil e Estados Unidos negociam uma solução para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros.

As equipes técnicas dos dois países seguem realizando reuniões, e uma nova conversa entre representantes dos governos está prevista antes da decisão norte-americana, esperada para a próxima semana.

Entenda por que o Nordeste preocupa

A preocupação do governo e do setor produtivo se concentra principalmente em quatro fatores:

  • Grande concentração de usinas nos estados nordestinos;
  • Importância da cana-de-açúcar para a economia regional;
  • Geração de milhares de empregos no campo e na indústria;
  • Dependência econômica de diversos municípios da cadeia sucroenergética.

Dessa forma, um aumento da concorrência com o etanol importado poderia pressionar os preços internos e reduzir a competitividade de produtores brasileiros, especialmente daqueles com custos de produção mais elevados.

O que pode acontecer agora?

Por enquanto, o governo brasileiro afirma que a redução da tarifa sobre o etanol norte-americano não faz parte das negociações em andamento. Afinal, o objetivo é buscar um acordo comercial mais amplo com os Estados Unidos sem comprometer setores considerados estratégicos para a economia nacional, especialmente a indústria sucroenergética do Nordeste. Portanto, a decisão final sobre as novas tarifas comerciais dos EUA é aguardada para os próximos dias.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.