Cabo submarino entre Europa e Brasil será ampliado até o Maranhão
O Nordeste voltou a ocupar posição estratégica na relação entre o Brasil e a União Europeia. O bloco europeu anunciou um pacote de R$ 1,56 bilhão (266,58 milhões de euros) em novos investimentos no país, tendo como principais beneficiados projetos de infraestrutura digital e energia limpa que passam diretamente pela região.
A princípio, o anúncio foi realizado durante o II Fórum de Investimentos União Europeia–Brasil, em Brasília, e faz parte da estratégia europeia de ampliar sua presença econômica na América do Sul.
Assim, a ação visa fortalecer áreas consideradas essenciais para o futuro, como conectividade, inteligência artificial, economia de dados, cibersegurança e hidrogênio renovável.
Nordeste será a principal porta digital entre Brasil e Europa
O maior investimento anunciado será destinado à ampliação do cabo submarino óptico EllaLink, que atualmente conecta diretamente Fortaleza (CE) a Setúbal, em Portugal, reduzindo significativamente o tempo de transmissão de dados entre a América do Sul e a Europa.
Agora, o projeto receberá 260,8 milhões de euros, permitindo a expansão da infraestrutura até os estados do Maranhão e Pará.
Na prática, isso fortalece o Nordeste como uma das principais portas de entrada e saída de dados internacionais do Brasil, atraindo empresas de tecnologia, data centers, serviços em nuvem, inteligência artificial e novos investimentos ligados à economia digital.
Entretanto, Fortaleza já é considerada um dos maiores hubs de cabos submarinos do hemisfério sul e concentra conexões que ligam o Brasil aos Estados Unidos, Europa e África. Com a ampliação do EllaLink, essa posição estratégica tende a crescer ainda mais.

Hidrogênio verde coloca Nordeste entre prioridades
Outro anúncio importante envolve o fortalecimento da cadeia do hidrogênio renovável, setor em que o Nordeste brasileiro desponta como principal candidato a liderar a produção nacional.
A União Europeia destinou 3,51 milhões de euros para acelerar projetos considerados promissores, preparando-os para receber grandes investimentos internacionais.
Dessa maneira, embora os recursos sejam voltados ao desenvolvimento técnico dos projetos, o anúncio beneficia diretamente estados nordestinos que já concentram alguns dos maiores empreendimentos do país.
Os principais polos de hidrogênio verde do Nordeste
| Estado | Projeto em destaque |
|---|---|
| Ceará | Hub de Hidrogênio Verde do Porto do Pecém |
| Piauí | Projetos ligados ao Porto Piauí e produção de amônia verde |
| Bahia | Complexos industriais em Camaçari e Porto Sul |
| Pernambuco | Estudos e projetos no Complexo de Suape |
| Rio Grande do Norte | Produção integrada à geração eólica offshore |
O Porto do Pecém, no Ceará, segue como um dos maiores candidatos a se tornar um dos principais exportadores de hidrogênio verde para a Europa, reunindo dezenas de memorandos assinados com empresas internacionais.
Economia digital e energia limpa caminham juntas
Além da expansão do cabo submarino e do incentivo ao hidrogênio renovável, a União Europeia anunciou:
- fortalecimento dos sistemas de cibersegurança brasileiros;
- implantação de conectividade 4G em comunidades remotas da Amazônia;
- apoio a projetos voltados para mulheres e jovens indígenas.
Embora essas iniciativas estejam distribuídas em diferentes regiões do país, especialistas destacam que os dois maiores projetos possuem forte ligação com o Nordeste, consolidando a região como protagonista da nova economia baseada em tecnologia e energia limpa.
Nordeste ganha importância estratégica internacional
Nos últimos anos, o Nordeste deixou de ser visto apenas como destino turístico para assumir papel central em setores considerados estratégicos para o século XXI.
Além de liderar a produção brasileira de energia eólica e solar, a região concentra importantes portos, polos industriais e a maior concentração de cabos submarinos da América Latina, fatores que vêm atraindo investimentos de governos e empresas internacionais.
Portanto, com a ampliação da infraestrutura digital e o avanço dos projetos de hidrogênio verde, o Nordeste reforça sua posição como um dos principais corredores de inovação, conectividade e transição energética do Brasil.



