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União Europeia anuncia investimentos no Brasil e coloca Nordeste no centro da economia digital

Cabo submarino entre Europa e Brasil será ampliado até o Maranhão O Nordeste voltou a ocupar posição estratégica na relação entre o Brasil e a União Europeia. O bloco europeu anunciou um pacote de R$ ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de junho de 2026 - às 08:02
Atualizado 25 de junho de 2026 - às 08:02
4 min de leitura

Cabo submarino entre Europa e Brasil será ampliado até o Maranhão

O Nordeste voltou a ocupar posição estratégica na relação entre o Brasil e a União Europeia. O bloco europeu anunciou um pacote de R$ 1,56 bilhão (266,58 milhões de euros) em novos investimentos no país, tendo como principais beneficiados projetos de infraestrutura digital e energia limpa que passam diretamente pela região.

A princípio, o anúncio foi realizado durante o II Fórum de Investimentos União Europeia–Brasil, em Brasília, e faz parte da estratégia europeia de ampliar sua presença econômica na América do Sul.

Assim, a ação visa fortalecer áreas consideradas essenciais para o futuro, como conectividade, inteligência artificial, economia de dados, cibersegurança e hidrogênio renovável.

Nordeste será a principal porta digital entre Brasil e Europa

O maior investimento anunciado será destinado à ampliação do cabo submarino óptico EllaLink, que atualmente conecta diretamente Fortaleza (CE) a Setúbal, em Portugal, reduzindo significativamente o tempo de transmissão de dados entre a América do Sul e a Europa.

Agora, o projeto receberá 260,8 milhões de euros, permitindo a expansão da infraestrutura até os estados do Maranhão e Pará.

Na prática, isso fortalece o Nordeste como uma das principais portas de entrada e saída de dados internacionais do Brasil, atraindo empresas de tecnologia, data centers, serviços em nuvem, inteligência artificial e novos investimentos ligados à economia digital.

Entretanto, Fortaleza já é considerada um dos maiores hubs de cabos submarinos do hemisfério sul e concentra conexões que ligam o Brasil aos Estados Unidos, Europa e África. Com a ampliação do EllaLink, essa posição estratégica tende a crescer ainda mais.

Cabos submarinos no fundo do mar
Os cabos submarinos são fundamentais para os dados de internet. foto: Governo Federal

Hidrogênio verde coloca Nordeste entre prioridades

Outro anúncio importante envolve o fortalecimento da cadeia do hidrogênio renovável, setor em que o Nordeste brasileiro desponta como principal candidato a liderar a produção nacional.

A União Europeia destinou 3,51 milhões de euros para acelerar projetos considerados promissores, preparando-os para receber grandes investimentos internacionais.

Dessa maneira, embora os recursos sejam voltados ao desenvolvimento técnico dos projetos, o anúncio beneficia diretamente estados nordestinos que já concentram alguns dos maiores empreendimentos do país.

Os principais polos de hidrogênio verde do Nordeste

EstadoProjeto em destaque
CearáHub de Hidrogênio Verde do Porto do Pecém
PiauíProjetos ligados ao Porto Piauí e produção de amônia verde
BahiaComplexos industriais em Camaçari e Porto Sul
PernambucoEstudos e projetos no Complexo de Suape
Rio Grande do NorteProdução integrada à geração eólica offshore

O Porto do Pecém, no Ceará, segue como um dos maiores candidatos a se tornar um dos principais exportadores de hidrogênio verde para a Europa, reunindo dezenas de memorandos assinados com empresas internacionais.

Economia digital e energia limpa caminham juntas

Além da expansão do cabo submarino e do incentivo ao hidrogênio renovável, a União Europeia anunciou:

  • fortalecimento dos sistemas de cibersegurança brasileiros;
  • implantação de conectividade 4G em comunidades remotas da Amazônia;
  • apoio a projetos voltados para mulheres e jovens indígenas.

Embora essas iniciativas estejam distribuídas em diferentes regiões do país, especialistas destacam que os dois maiores projetos possuem forte ligação com o Nordeste, consolidando a região como protagonista da nova economia baseada em tecnologia e energia limpa.

Nordeste ganha importância estratégica internacional

Nos últimos anos, o Nordeste deixou de ser visto apenas como destino turístico para assumir papel central em setores considerados estratégicos para o século XXI.

Além de liderar a produção brasileira de energia eólica e solar, a região concentra importantes portos, polos industriais e a maior concentração de cabos submarinos da América Latina, fatores que vêm atraindo investimentos de governos e empresas internacionais.

Portanto, com a ampliação da infraestrutura digital e o avanço dos projetos de hidrogênio verde, o Nordeste reforça sua posição como um dos principais corredores de inovação, conectividade e transição energética do Brasil.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.