O programa Move Brasil, idealizado pelo governo federal para facilitar a compra de carros, motos e bicicletas para motoristas de aplicativos e taxistas, nasceu com pompa de vitrine eleitoral, mas já enfrenta uma realidade bem menos animadora. Em uma reunião realizada ontem (28), o presidente Lula e seus auxiliares discutiram o baixo desempenho da linha de crédito, e o cenário desenhado é de um fracasso numérico.
Apesar dos R$ 30 bilhões, a expectativa do governo é que apenas um terço desse valor seja disponibilizado.
Críticas de Lula e o “racha” interno no governo
Após o encontro com auxiliares, o presidente Lula direcionou suas críticas aos bancos, acusando as instituições financeiras de criarem dificuldades para conceder os empréstimos, mesmo com a garantia federal respaldando parte das operações. A fala do petista, no entanto, esbarra em um fato incômodo: dentro do próprio governo, há quem veja o tropeço do programa com certo alívio.
Em suma, o mau desempenho do Move Brasil serve como argumento para a equipe econômica, que nunca foi entusiasta da medida. Nos bastidores, circula a informação de que a ideia original não partiu da ala técnica do Ministério da Fazenda, mas sim da Secretaria de Comunicação da Presidência, que buscava uma resposta rápida para melhorar a avaliação do governo entre os motoristas de aplicativo, um público que tem demonstrado insatisfação nas pesquisas de opinião.
Por que o crédito não está saindo?
Mesmo com o aval do Tesouro Nacional, os bancos têm adotado critérios de avaliação de risco que vão além da garantia federal. Ao mesmo tempo, motoristas de aplicativo frequentemente enfrentam dificuldades para comprovar renda estável, e a volatilidade do setor assusta as instituições financeiras. Além disso, os juros praticados, embora subsidiados, ainda não são atrativos o suficiente para esse público, que vê a parcela do financiamento pesar no bolso em um cenário de inflação e combustíveis caros.
O efeito colateral (positivo) para a Economia
Curiosamente, o baixo desempenho do Move Brasil está sendo visto com bons olhos pela equipe econômica. Enquanto o Banco Central mantém juros elevados para conter a inflação, a liberação massiva de crédito subsidiado pelo governo poderia gerar um efeito contrário, aquecendo a demanda por veículos e pressionando ainda mais os preços.
Com as contratações patinando, o governo consegue neutralizar as críticas de que estaria atuando na contramão da política monetária. A leitura interna é que, se o programa não decola, ao menos não atrapalha o esforço fiscal e inflacionário.
📉 Raio-X do Programa Move Brasil: Expectativa vs. Realidade
Confira abaixo o resumo do desempenho do programa e as projeções do governo:
| Indicador | Expectativa Inicial | Projeção Atual (Realista) | % da Meta |
|---|---|---|---|
| Total da Linha de Crédito | R$ 30 bilhões | R$ 5 a 6 bilhões | Menos de 20% |
| Público-Alvo | Motoristas de app e taxistas | Motoristas com maior comprovação de renda | Reduzido pela seletividade dos bancos |
| Situação do Crédito | Facilitado com garantia federal | Trava na avaliação de risco dos bancos | Crítico |
| Posicionamento do Governo | Vitrine eleitoral e política social | Críticas aos bancos e preocupação com desempenho | Frustrado |
| Impacto Econômico | Previsto como aquecimento do setor | Considerado irrelevante pela equipe econômica | Neutralizado |
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O que esperar do programa daqui para frente?
Com a eleição se aproximando, o governo deve tentar renegociar com os bancos ou ampliar os subsídios para tentar salvar o programa. No entanto, o tempo é curto, e a realidade fiscal apertada limita a margem para novos incentivos.
Por enquanto, o Move Brasil serve como um exemplo clássico de como uma boa intenção política pode esbarrar na dura lógica do mercado de crédito. O motorista de aplicativo que sonhava com o carro zero continua dependendo de condições mais acessíveis que, ao que tudo indica, não virão tão cedo.


