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Lei de profissionalização do futebol feminino é sancionada

Lei 15.522 estabelece diretrizes permanentes para o desenvolvimento da modalidade e exige que clubes garantam os mesmos direitos e benefícios às equipes femininas O presidente Lula (PT) sancionou nesta segunda-feira (28) a Lei nº 15.522, ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
29 de setembro de 2026 - às 09:42
Atualizado 29 de setembro de 2026 - às 09:42
4 min de leitura

Lei 15.522 estabelece diretrizes permanentes para o desenvolvimento da modalidade e exige que clubes garantam os mesmos direitos e benefícios às equipes femininas

O presidente Lula (PT) sancionou nesta segunda-feira (28) a Lei nº 15.522, que estabelece diretrizes nacionais e permanentes para o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil. Antes de mais nada, a legislação reúne medidas que vão desde a formação de novas atletas até a profissionalização da modalidade, proteção à maternidade, incentivo à igualdade salarial e combate à discriminação.

O que a nova lei prevê

Em suma, entre os principais pontos da Lei 15.522, estão:

  • Promoção do direito ao esporte e ampliação da equidade de oportunidades;
  • Proteção às atletas durante a gravidez e a maternidade;
  • Incentivo à igualdade salarial entre homens e mulheres no futebol;
  • Combate à discriminação, ao racismo, ao preconceito e à violência contra as mulheres;
  • Prioridade nas políticas públicas esportivas para o desenvolvimento do futebol feminino.

Assim, com a sanção, os clubes de futebol masculino passam a ter que garantir os mesmos direitos e benefícios às equipes femininas.

Lula sanção lei do futebol feminino
Lula sanção lei do futebol feminino

Prazo de adaptação para os clubes

A princípio, os times de futebol terão até 180 dias para se adaptar às novas regras — prazo prorrogável por mais 180 dias. O projeto é de autoria do Executivo e foi aprovado neste ano pelo Congresso Nacional.

PrazoSituação
180 diasPrazo inicial para adaptação dos clubes
+ 180 diasProrrogação possível
Total máximo360 dias

Mudanças nas SAFs

Ao mesmo tempo, a nova lei também altera as regras das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Com a mudança, passa a ser permitido que uma SAF tenha como atividade a formação de atletas profissionais nas modalidades feminina e masculina ou exclusivamente feminina.

Dessa forma, a mudança permite, portanto, a formação de atletas profissionais por estruturas empresariais dedicadas especificamente ao futebol feminino. Desse modo, é um avanço importante para a criação de projetos de base voltados à modalidade.

Combate à discriminação e incentivo à liderança feminina

A legislação prevê que o Ministério do Esporte articule, junto aos clubes e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), protocolos de prevenção e enfrentamento ao racismo, à discriminação, ao preconceito e à violência contra as mulheres no futebol.

Além disso, as diretrizes incentivam a criação de medidas para que mulheres ocupem cargos de gestão nos clubes, comissões técnicas e arbitragem.

Legado para a Copa do Mundo Feminina de 2027

Em resumo, a sanção acontece a menos de um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho. O torneio terá partidas em oito cidades, incluindo Salvador, Recife e Fortaleza.

Portanto, a lei também prevê a elaboração de um plano de legado social, esportivo e financeiro para a competição, além de estabelecer estratégias nacionais para o desenvolvimento da modalidade.

Resumo da Lei 15.522

AspectoInformação
Leinº 15.522
Data da sanção28 de setembro de 2026
AutorExecutivo
AprovaçãoCongresso Nacional (2026)
ObjetivoDiretrizes nacionais e permanentes para o futebol feminino
Principais medidasIgualdade salarial, proteção à maternidade, combate à discriminação, profissionalização
Obrigação dos clubesGarantir mesmos direitos e benefícios às equipes femininas
Prazo de adaptação180 dias, prorrogável por mais 180
Mudança nas SAFsPermite SAF exclusivamente feminina ou com formação de atletas femininas e masculinas
Combate à discriminaçãoProtocolos articulados pelo Ministério do Esporte com clubes e CBF
Incentivo à liderançaMedidas para mulheres em gestão, comissões técnicas e arbitragem
LegadoPlano para a Copa do Mundo Feminina de 2027
Copa 202724 de junho a 25 de julho, em oito cidades brasileiras (incluindo Salvador)

O que muda na prática

A Lei 15.522 representa um marco para o futebol feminino brasileiro ao transformar em política pública permanente aquilo que, até então, dependia de iniciativas pontuais ou de regulamentos específicos de competições.

Na prática, os clubes passam a ter obrigação legal de oferecer às atletas mulheres as mesmas condições dadas aos homens — o que inclui direitos, benefícios e estrutura. Assim, a possibilidade de criar SAFs exclusivamente femininas abre espaço para novos modelos de negócio dedicados à modalidade. E os protocolos de combate à discriminação criam mecanismos institucionais para enfrentar problemas que, historicamente, afastaram meninas e mulheres do esporte.

A um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, a primeira sediada no Brasil, a lei chega em um momento estratégico: o país terá a chance de usar o torneio como vitrine e alavanca para consolidar o futebol feminino como parte central de sua identidade esportiva.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.