Início » Política » Quais estados do Nordeste podem definir o governador no 1º turno? Veja agora

Política

Quais estados do Nordeste podem definir o governador no 1º turno? Veja agora

Veja como estão as pesquisas para governador nos nove estados do Nordeste e quais apresentam cenário matemático para definição no primeiro turno.
Eliseu Lins, da Agência NE9
29 de setembro de 2026 - às 08:49
Atualizado 29 de setembro de 2026 - às 08:49
10 min de leitura

Piauí, Paraíba e Maranhão aparecem com maior concentração de votos nas pesquisas; outras disputas seguem abertas e dependem da reta final da campanha

A eleição para governador pode terminar no primeiro turno em diferentes estados do Nordeste. A menos de uma semana da votação, marcada para 4 de outubro, pesquisas divulgadas em setembro mostram cenários bastante diferentes entre as nove disputas estaduais da região.

Em alguns estados, um candidato concentra mais da metade dos votos destinados aos nomes que aparecem na pesquisa. Em outros, dois concorrentes dividem praticamente toda a preferência do eleitorado. Além disso, há casos em que três candidaturas ainda apresentam participação relevante.

Por isso, olhar apenas o percentual bruto da pesquisa pode levar a uma interpretação equivocada. Para definir uma vitória no primeiro turno, o candidato precisa alcançar mais de 50% dos votos válidos, ou seja, são excluídos da conta os votos brancos e nulos.

Com base nas pesquisas mais recentes localizadas para cada estado, Piauí, Paraíba e Maranhão apresentam hoje os cenários de maior concentração em torno de um candidato. Sergipe também aparece acima da marca de 50% quando se consideram apenas os votos atribuídos aos candidatos, mas com uma margem menor. Já Bahia, Ceará, Alagoas e Pernambuco apresentam disputas mais concentradas entre dois nomes, enquanto o Rio Grande do Norte tem três candidaturas competitivas.

Piauí tem a maior concentração entre os candidatos

No Piauí, a pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro colocou Rafael Fonteles (PT) com 55%, contra 25% de Joel Rodrigues (PP). Outros seis candidatos aparecem com 1% cada. Brancos e nulos somaram 7%, enquanto 8% disseram estar indecisos.

Considerando somente os candidatos, Fonteles fica acima de 60% dos votos válidos na fotografia do levantamento.

A pesquisa ouviu 826 eleitores entre 14 e 16 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Assim, entre as pesquisas analisadas, o Piauí apresenta o cenário em que a liderança está mais distante dos demais candidatos.

Paraíba: Lucas Ribeiro chega perto de 50% na intenção total

Lucas Ribeiro foto divulgação
Lucas Ribeiro foto divulgação

Na Paraíba, a Quaest divulgada em 22 de setembro mostrou Lucas Ribeiro (PP) com 49%, seguido por Efraim Filho (PL), com 16%, e Cícero Lucena (MDB), com 15%.

Pedro Coutinho marcou 1%, enquanto outros dois nomes ficaram em 0%. Brancos, nulos e eleitores que disseram que não votariam somaram 7%, e os indecisos chegaram a 12%.

Ao considerar apenas os votos destinados aos candidatos, o percentual de Lucas fica próximo de 60% dos votos válidos.

É importante, porém, fazer uma distinção: esse percentual de votos válidos é uma conversão matemática a partir dos números divulgados pela pesquisa, e não um percentual de votos válidos apresentado pela Quaest.

O levantamento ouviu 804 pessoas entre 18 e 21 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.

Maranhão: Braide ultrapassa 50% na conversão para votos válidos

No Maranhão, a pesquisa Quaest divulgada em 25 de setembro apresentou Eduardo Braide (PSD) com 46%, enquanto Orleans Brandão (MDB) marcou 27% e Felipe Camarão (PT), 10%.

Roberto Rocha teve 3%, André Luis e Reginaldo Lima ficaram com 1% cada, enquanto os demais candidatos não alcançaram 1%. Brancos e nulos somaram 3%, e 9% estavam indecisos.

Quando a conta considera apenas os votos destinados aos candidatos, Braide fica acima de 50% dos votos válidos.

A pesquisa ouviu 900 eleitores entre 21 e 24 de setembro.

Portanto, o Maranhão também aparece entre os estados em que a fotografia atual apresenta uma concentração relevante de votos em torno de um candidato.

Sergipe também passa dos 50% na conta dos votos válidos

Em Sergipe, a Quaest divulgada em 24 de setembro mostrou Fábio Mitidieri (PSD) com 43%, contra 34% de Valmir de Francisquinho.

Ricardo Marques apareceu com 5%, Dr. Helton teve 1% e os demais não chegaram a 1%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somaram 8%, enquanto 9% estavam indecisos.

Na conversão para os votos destinados aos candidatos, Mitidieri também supera a marca de 50% dos votos válidos.

Entretanto, a diferença para o segundo colocado é menor do que aquela observada no Piauí, na Paraíba e no Maranhão. Além disso, outro levantamento recente, do RealTime Big Data, encontrou 43% para Mitidieri e 38% para Valmir, mantendo a disputa concentrada nos dois principais candidatos.

Isso mostra por que uma única pesquisa não deve ser tratada como resultado antecipado.

Alagoas tem disputa concentrada em dois candidatos

Alagoas apresenta um cenário diferente.

A Quaest divulgada em 25 de setembro mostrou JHC (PSB) com 43% e Renan Filho (MDB) com 41%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro de três pontos percentuais, caracterizando empate técnico.

A concentração dos votos em apenas dois candidatos faz com que a conversão para votos válidos possa colocar o primeiro colocado acima de 50%.

No entanto, os números também mostram uma disputa muito próxima. Portanto, o dado matemático sobre os votos válidos precisa ser lido junto com a margem de erro.

Bahia continua com disputa apertada

A Bahia também apresenta uma disputa concentrada entre os dois principais candidatos.

O cenário mais recente disponível em 28 de setembro, segundo levantamento RealTime Big Data, mantém Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) em empate técnico no primeiro turno.

Esse tipo de cenário tem uma característica importante: quando poucos candidatos concentram quase todos os votos, pequenas alterações na preferência do eleitorado podem modificar a distribuição dos votos válidos.

Por isso, a Bahia está entre os estados em que a possibilidade matemática de uma definição no primeiro turno existe, mas os números disponíveis não permitem tratar esse desfecho como definido.

Ceará tem dois candidatos concentrando a disputa

Ciro e Elmano. Foto: Reprodução/Facebook
Ciro e Elmano. Foto: Reprodução/Facebook

No Ceará, a Quaest divulgada em 23 de setembro colocou Ciro Gomes (PSDB) com 43% e Elmano de Freitas (PT) com 41%.

Delegado Huggo e Vera Lúcia tiveram 1% cada, enquanto os demais não chegaram a 1%. Brancos, nulos ou nenhum somaram 6% e os indecisos representaram 8%.

A diferença entre Ciro e Elmano ficou dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

Como os dois principais candidatos concentram a maior parte das intenções de voto, ambos ficam próximos da maioria dos votos válidos na conversão matemática.

Portanto, o Ceará também reúne condições matemáticas para uma definição no primeiro turno, mas a pesquisa mostra uma disputa tecnicamente empatada.

Pernambuco segue entre os cenários mais abertos

Raquel Lyra e João Campos. Foto_ Hesíodo Goés_Governo de Pernambuco
Raquel Lyra e João Campos. Foto_ Hesíodo Goés_Governo de Pernambuco

Pernambuco apresenta uma configuração semelhante à Bahia e ao Ceará, mas com uma disputa ainda muito próxima.

A Quaest divulgada em 23 de setembro mostrou Raquel Lyra (PSD) com 41% e João Campos (PSB) com 39%. Ivan Moraes e Renan Hallais marcaram 1% cada. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somaram 6%, enquanto 12% estavam indecisos.

A margem de erro é de três pontos percentuais. Portanto, os dois primeiros estão tecnicamente empatados.

Nesse cenário, a conversão para votos válidos também coloca o primeiro colocado próximo ou acima da metade. Porém, como a diferença entre os dois principais nomes está dentro da margem de erro, a pesquisa não permite apontar um desfecho de primeiro turno.

Rio Grande do Norte tem três candidaturas competitivas

No Rio Grande do Norte, a distribuição dos votos é diferente.

A Quaest divulgada em 25 de setembro apontou Allyson Bezerra (União Brasil) com 39%, Cadu de Lula (PT) com 21% e Álvaro Dias (PL) com 18%.

Rodrigo Bolsonaro teve 1%, enquanto os demais candidatos não pontuaram. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somaram 11%, e 10% estavam indecisos.

O dado mais importante para analisar o primeiro turno é a presença de três candidaturas com percentuais relevantes.

Dessa forma, mesmo com um líder isolado na pesquisa, os votos estão menos concentrados em um único nome do que nos estados em que o primeiro colocado ultrapassa 50% dos votos válidos na conversão.

Veja como estão os nove estados

A tabela abaixo reúne as pesquisas mais recentes localizadas para cada estado e mostra a diferença entre intenção total e uma estimativa matemática de votos válidos.

EstadoLíder na pesquisaIntenção de voto2º colocadoLeitura matemática dos votos válidos
PiauíRafael Fonteles55%Joel Rodrigues 25%acima de 60%
ParaíbaLucas Ribeiro49%Efraim Filho 16%cerca de 60%
MaranhãoEduardo Braide46%Orleans Brandão 27%acima de 50%
SergipeFábio Mitidieri43%Valmir 34%acima de 50%
AlagoasJHC43%Renan Filho 41%acima de 50% na conversão
BahiaJerônimo/ACM Netoempate técnico—depende da evolução da disputa
CearáCiro/Elmanoempate técnico—depende da evolução da disputa
PernambucoRaquel Lyra41%João Campos 39%acima de 50% na conversão do líder
Rio Grande do NorteAllyson Bezerra39%Cadu 21%liderança, mas três nomes competitivos

Fonte: Datafolha e Quaest, pesquisas divulgadas em setembro de 2026. Os percentuais de votos válidos indicados na tabela são cálculos derivados dos números divulgados pelos institutos e não devem ser confundidos com resultados oficiais ou projeções eleitorais.

O que os números mostram sobre o primeiro turno

O levantamento dos nove estados revela três situações distintas.

Estados com liderança acima de 50% dos votos válidos na conversão

Piauí, Paraíba, Maranhão, Sergipe, Alagoas e Pernambuco apresentam, nas pesquisas citadas, um primeiro colocado que ultrapassa ou se aproxima da maioria dos votos válidos quando os percentuais são recalculados.

Isso, porém, não significa que a eleição esteja definida.

Estados em que os dois primeiros concentram a disputa

Bahia e Ceará apresentam disputas concentradas em dois candidatos e com diferenças dentro da margem de erro nas pesquisas citadas.

Nesse caso, a reta final pode alterar a distribuição dos votos válidos.

Estado com três candidaturas relevantes

No Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra aparece com 39%, mas Cadu de Lula e Álvaro Dias somam percentuais relevantes.

A estrutura da disputa, portanto, é diferente daquela observada em estados onde dois candidatos concentram quase toda a intenção de voto.

LEIA TAMBÉM

Por que a reta final pode mudar essa fotografia?

Faltam poucos dias para o primeiro turno e ainda existem eleitores que não definiram completamente sua escolha.

No Piauí, por exemplo, 8% dos entrevistados estavam indecisos na pesquisa Datafolha.

Na Paraíba, eram 12% na Quaest.

No Ceará, 8%; em Pernambuco, 12%; e no Rio Grande do Norte, 10%.

Além disso, existe a margem de erro de cada levantamento. Portanto, diferenças pequenas entre candidatos não permitem estabelecer uma ordem definitiva entre eles.

O mapa do Nordeste às vésperas da eleição

A fotografia das pesquisas mostra que o Nordeste não terá um padrão único nas eleições para governador de 2026.

Piauí, Paraíba e Maranhão apresentam hoje as maiores concentrações de votos em torno de um candidato. Sergipe também registra maioria matemática acima de 50% dos votos válidos na conversão da pesquisa.

Ao mesmo tempo, Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco apresentam disputas mais concentradas entre os dois primeiros colocados, enquanto o Rio Grande do Norte reúne três candidaturas relevantes.

A votação de 4 de outubro será, portanto, o primeiro momento em que essa fotografia das pesquisas será substituída pelos votos efetivamente registrados nas urnas.

Até lá, os números indicam possibilidades matemáticas de definição no primeiro turno, mas não antecipam o resultado eleitoral.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.