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Jovem de 17 anos descobre sítio arqueológico inédito no Nordeste

Quando Cassiano Santos da Conceição, de 17 anos, decidiu compartilhar com pesquisadores a memória de um passeio que fez em 2020, ele não imaginava que estava prestes a reescrever um pedaço da história do semiárido ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
4 de agosto de 2026 - às 09:23
Atualizado 4 de agosto de 2026 - às 09:23
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Quando Cassiano Santos da Conceição, de 17 anos, decidiu compartilhar com pesquisadores a memória de um passeio que fez em 2020, ele não imaginava que estava prestes a reescrever um pedaço da história do semiárido baiano. O estudante, morador da comunidade do Rumo, em Xique-Xique, no norte da Bahia, conduziu uma equipe de arqueólogos até um local que guardava segredos milenares.

A princípio, o que a expedição encontrou foi além do esperado. O sítio, batizado de Olhos D’Água, revelou um verdadeiro tesouro arqueológico: pinturas rupestres, um polidor de pedra utilizado por povos antigos para fabricar ferramentas e fragmentos de cerâmica pré-colonial. Ao mesmo tempo, a descoberta foi tão importante que o local já consta oficialmente no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Um oásis no semiárido

Em suma, a equipe do Projeto Assuruá, que atua na identificação e estudo de sítios arqueológicos na região, foi até o local esperando encontrar apenas as pinturas rupestres. Para surpresa geral, encontraram muito mais: uma nascente de água cristalina em uma serra de baixa altitude.

No coração do semiárido baiano, onde a escassez de água é uma realidade dura, encontrar uma fonte de água potável é como descobrir um oásis. Esse detalhe, segundo os pesquisadores, é fundamental para entender a ocupação humana na região, já que indica condições favoráveis para a vida em tempos pré-coloniais.

Vestígios de um passado desconhecido

Dessa forma, as pinturas encontradas no sítio Olhos D’Água pertencem à Tradição São Francisco, estilo caracterizado por figuras humanas, animais e desenhos geométricos. Algumas delas, infelizmente, já apresentam sinais de deterioração devido à exposição ao sol e à chuva. Para contornar esse problema, os pesquisadores aplicaram tecnologias de realce de imagem que permitiram identificar vestígios dos pigmentos originais.

Além das pinturas, os arqueólogos encontraram um polidor escavado na rocha. É uma espécie de “oficina” pré-histórica onde ferramentas eram produzidas. Em uma expedição subsequente, encontraram novos fragmentos de cerâmica; Desse modo, abriramo janelas para compreender melhor quais povos habitaram a região e quais eram suas tradições.

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Embora ainda não seja possível precisar com exatidão quais grupos ocuparam o sítio, a diversidade de vestígios o torna particularmente relevante para a arqueologia brasileira.

Cassiano Santos da Conceição e equipe de arqueológos
Cassiano Santos da Conceição e equipe de arqueológos

Ciência cidadã e valorização comunitária

De acordo com o professor Romeu Leite, coordenador do Projeto Assuruá, a importância do reconhecimento oficial do sítio pelo Iphan é ímpar. “O registro contribui para o estudo e a preservação do patrimônio arqueológico, especialmente considerando que as pinturas rupestres já apresentam sinais de desgaste devido à exposição ao sol e à chuva”, afirmou.

A descoberta de Cassiano é um exemplo brilhante de como a ciência cidadã pode transformar a história. Um jovem do interior, com sua curiosidade e observação, conseguiu revelar capítulos inéditos do passado brasileiro, evidenciando a importância do ensino voltado para o envolvimento dos jovens em projetos científicos.

O que foi encontrado no sítio Olhos D’Água

Tipo de VestígioDescriçãoSignificado Histórico
Pinturas RupestresFiguras humanas, animais e desenhos geométricos (Tradição São Francisco)Indicam práticas culturais e crenças de povos pré-coloniais; algumas já deterioradas pela exposição climática
Polidor de PedraSuperfície escavada na rocha utilizada para fabricar ferramentasEvidência de atividade tecnológica e produção de instrumentos no local
Fragmentos de CerâmicaPedaços de vasilhas e utensílios de barroPermitem entender tradições cerâmicas, alimentação e modos de vida dos ocupantes
Nascente de ÁguaFonte de água cristalina em pleno semiáridoFator determinante para a ocupação humana na região, transformando o local em um oásis

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O futuro do sítio

Com o registro no Iphan, o sítio Olhos D’Água agora integra o mapa nacional do patrimônio arqueológico brasileiro. A expectativa é que, nos próximos anos, estudos ocorram no local, incluindo análises de datação e novas escavações.

Enquanto isso, Cassiano Santos da Conceição já pode se orgulhar: com apenas 17 anos, ele se tornou o descobridor de um pedaço da história do Brasil que estava escondido nas rochas do sertão baiano.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.