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Nova espécie de dinossauro é descoberta no Maranhão

Uma nova espécie de dinossauro foi identificada a partir de fósseis encontrados durante obras de terraplanagem de uma ferrovia em Davinópolis, no Maranhão. A princípio, o estudo foi publicado no periódico científico Journal of Systematic ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
2 de março de 2026 - às 12:22
Atualizado 2 de março de 2026 - às 12:22
4 min de leitura

Uma nova espécie de dinossauro foi identificada a partir de fósseis encontrados durante obras de terraplanagem de uma ferrovia em Davinópolis, no Maranhão.

A princípio, o estudo foi publicado no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology e descreve o Dasosaurus tocantinensis, um titanossauriforme que viveu há cerca de 120 milhões de anos, no período Cretáceo.

O animal era um dinossauro de pescoço longo, podendo atingir aproximadamente 20 metros de comprimento. Fragmentos como fêmur, costelas, ossos do braço e da bacia foram localizados em outubro de 2021 por trabalhadores da obra.

Inicialmente, acreditava-se que os restos pertenciam a preguiças-gigantes, mas análises posteriores confirmaram tratar-se de fósseis muito mais antigos.

Fóssil de dinossauro encontrado em obra de ferrovia em Davinópolis (MA) em 2021 foto Divulgação Brado

Espécie inédita no Brasil

Segundo os pesquisadores, o Dasosaurus tocantinensis é o primeiro titanossauriforme não-titanossauro identificado no Brasil — dado considerado altamente relevante para a paleontologia sul-americana.

Estudos comparativos indicam que essa linhagem teria se originado na Europa, com posterior dispersão pelo norte da África e pelo Nordeste brasileiro. Assim, a análise filogenética reforça hipóteses sobre conexões faunísticas entre continentes durante o Cretáceo, quando as massas terrestres ainda estavam em processo de separação.

Após o resgate, o material foi encaminhado para análise na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e atualmente integra o acervo do Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.

Nordeste se consolida como território estratégico para descobertas fósseis

A nova espécie soma-se a uma série de descobertas relevantes realizadas nos últimos anos na região Nordeste, que possui formações geológicas ricas e ainda pouco exploradas.

Ceará: Berço de fósseis mundialmente reconhecidos

A Chapada do Araripe, que ao mesmo tempo fica no Ceará, Pernambuco e Piauí, é um dos principais sítios fossilíferos do mundo. Entretanto, nos últimos anos, pesquisadores descreveram novas espécies de pterossauros e dinossauros a partir de fósseis encontrados na Formação Santana.

Entre os achados recentes está o dinossauro carnívoro Aratasaurus museunacionali, anunciado em 2020. O fóssil ajudou a ampliar o entendimento sobre a diversidade de terópodes no Gondwana.

A região é conhecida pela preservação excepcional de tecidos moles e detalhes anatômicos, fator que aumenta seu valor científico internacional.

Bahia: Titanossauros e pegadas pré-históricas

No interior da Bahia, escavações identificaram fósseis de titanossauros e importantes sítios com pegadas fossilizadas. Contudo, em municípios como Ibicoara e Morro do Chapéu, pesquisadores registraram novos materiais atribuídos a saurópodes e terópodes.

A diversidade de icnofósseis (pegadas fossilizadas) tem permitido reconstituir padrões de locomoção e comportamento desses animais no período Cretáceo.

Maranhão e Piauí: Expansão das pesquisas

Além do caso recente em Davinópolis, o Maranhão integra uma faixa geológica ainda pouco estudada, mas com alto potencial. Já no Piauí, a região do Parque Nacional da Serra da Capivara — embora mais conhecida pelos sítios arqueológicos — também apresenta registros paleontológicos relevantes.

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Impacto científico e econômico

As descobertas reforçam o papel do Nordeste como uma das principais fronteiras da paleontologia brasileira. Além do avanço científico, os achados impulsionam:

  • Projetos de pesquisa universitária;
  • Formação de acervos regionais;
  • Turismo científico e educacional;
  • Valorização de museus locais.

O caso do Dasosaurus tocantinensis demonstra que grandes descobertas podem surgir em contextos inesperados, como obras de infraestrutura. Afinal, especialistas apontam que a região ainda possui vastas áreas com potencial fossilífero inexplorado, o que pode revelar novas espécies nos próximos anos.

Portanto, com uma biota fóssil diversificada e registros que ajudam a preencher lacunas evolutivas, o Nordeste brasileiro se consolida como território estratégico para compreender a história da vida no planeta.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.