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Por que a conta de luz pode ficar mais barata no Nordeste?

Milhões de consumidores do Nordeste devem sentir algum alívio na conta de luz ao longo de 2026 após uma decisão aprovada nesta terça-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A princípio, a agência definiu ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
20 de maio de 2026 - às 05:55
Atualizado 20 de maio de 2026 - às 05:55
5 min de leitura

Milhões de consumidores do Nordeste devem sentir algum alívio na conta de luz ao longo de 2026 após uma decisão aprovada nesta terça-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A princípio, a agência definiu as regras para devolver até R$ 5,5 bilhões aos consumidores atendidos por distribuidoras das regiões Norte e Nordeste, além de áreas do Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo.

Na prática, o dinheiro será transformado em descontos nas tarifas de energia elétrica ao longo dos próximos reajustes tarifários.

Dessa maneira, para o Nordeste, a medida possui impacto importante porque a região concentra parte das distribuidoras beneficiadas e também uma população fortemente afetada pelo peso crescente da conta de luz nos últimos anos.

Segundo a Aneel, o desconto médio pode chegar a cerca de 4,5%, embora o percentual final varie de acordo com cada distribuidora e dos reajustes aplicados ao longo de 2026.

Nordeste está entre as regiões mais afetadas pelo custo da energia

Ao mesmo tempo, o debate sobre tarifa de energia ganhou enorme peso nos últimos anos no Nordeste. Assim. apesar de a região ter se tornado líder nacional em geração de energia renovável, especialmente:

  • solar;
  • eólica;
  • e projetos de hidrogênio verde,

o consumidor nordestino continua convivendo com tarifas pressionadas por:

  • custos de distribuição;
  • expansão da rede;
  • sistemas isolados;
  • encargos setoriais;
  • e geração térmica em algumas áreas.

Estados do interior nordestino ainda possuem regiões onde o custo operacional da energia é elevado devido à distância entre centros consumidores e infraestrutura elétrica. Além disso, boa parte da população da região possui renda média menor do que Sul e Sudeste, o que faz a conta de luz pesar proporcionalmente mais no orçamento doméstico.

De onde vem o dinheiro do desconto

Os recursos usados para reduzir as tarifas virão de um mecanismo chamado Uso de Bem Público (UBP). Na prática, hidrelétricas pagam à União pelo uso dos rios na geração de energia elétrica. Entretanto, esse custo normalmente acaba sendo incorporado ao sistema elétrico e repassado ao consumidor.

Uma nova legislação permitiu que as geradoras antecipassem pagamentos futuros desse encargo com desconto de 50%. Em troca, os valores arrecadados serão utilizados justamente para reduzir tarifas em áreas atendidas pela Sudam e pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Inicialmente, o governo esperava arrecadar quase R$ 8 bilhões, mas nem todas as empresas aderiram ao modelo. No fim, 24 hidrelétricas aceitaram participar da operação, reduzindo a previsão para aproximadamente R$ 5,5 bilhões.

Quem pode sentir a redução primeiro

Algumas distribuidoras do Nordeste já começaram a usar parte desses recursos antes mesmo da arrecadação definitiva. Além disso, Concessionárias da Neoenergia Coelba, na Bahia, e da Enel Ceará estão entre as empresas que acompanham o processo de perto.

A Aneel informou que outras distribuidoras ainda aguardam definição para aplicação dos descontos nos próximos ciclos tarifários. Contudo, os consumidores chamados “cativos”, aqueles que compram energia diretamente das distribuidoras e não fazem parte do mercado livre, serão os principais beneficiados.

Conta de luz virou tema econômico e político

A princípio, o peso da energia elétrica passou a ter impacto cada vez maior no debate econômico brasileiro. Nos últimos anos, a conta de luz acumulou:

  • bandeiras tarifárias;
  • reajustes;
  • aumento de encargos;
  • crises hídricas;
  • e pressão inflacionária.

No Nordeste, onde o clima quente eleva naturalmente o consumo com ventiladores e ar-condicionado, o impacto costuma ser ainda maior. Sendo assim, ao mesmo tempo, a região virou potência nacional em energia renovável, ideram a produção brasileira de energia eólica e solar. Hoje, estados como:

  • Bahia;
  • Rio Grande do Norte;
  • Ceará;
  • Piauí,

Isso fez crescer também uma discussão recorrente entre consumidores: como uma região que produz tanta energia ainda convive com contas tão altas?

Especialistas apontam que geração e tarifa final nem sempre caminham juntas, porque o valor pago pelo consumidor depende de vários componentes:

  • transmissão;
  • distribuição;
  • encargos;
  • tributos estaduais;
  • custos operacionais;
  • e políticas setoriais.
Leilão de Energia foto MME
Leilão de Energia foto MME

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Desconto deve chegar gradualmente

De acordo com a Aneel, os descontos não aparecerão de uma única vez para todos os consumidores. O efeito será incorporado gradualmente aos reajustes tarifários das distribuidoras ao longo de 2026. O percentual final dependerá:

  • do total efetivamente arrecadado;
  • do calendário de revisão tarifária;
  • e da situação financeira de cada concessionária.

Portanto, mesmo assim, a expectativa do setor elétrico é que o Nordeste esteja entre as regiões mais beneficiadas pela medida devido ao perfil das distribuidoras contempladas e ao peso que a conta de energia possui no orçamento das famílias da região.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.