Longa dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias foi premiado na principal competição do festival suíço e leva o cinema pernambucano a um dos grandes palcos internacionais
O cinema de Pernambuco ganhou destaque internacional neste sábado (15). O filme “A Margem do Rio”, dirigido e escrito pelos pernambucanos Enock Carvalho e Matheus Farias, conquistou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Locarno, na Suíça.
A produção foi exibida pela primeira vez mundialmente no festival e integrou a principal competição do evento, concorrendo ao Leopardo de Ouro, uma das mais importantes premiações do cinema internacional.
O reconhecimento também representa a estreia da dupla de diretores em um longa-metragem, depois da repercussão do curta “Inabitável”, considerado um dos trabalhos de destaque do cinema pernambucano na última década.

Prêmio representa mais de R$ 190 mil
Como parte da premiação, “A Margem do Rio” receberá 30 mil francos suíços, valor equivalente a pouco mais de R$ 190 mil. O recurso será dividido entre os diretores e produtores da obra.
A equipe do filme esteve em Locarno durante a estreia, incluindo os diretores e integrantes do elenco formado por Caique Copque, Ítalo Martins, Robério Diógenes, Artia e Renna Costa.
Para Enock Carvalho, a seleção para Locarno já representava uma conquista importante para a produção pernambucana, e o prêmio ampliou ainda mais o significado da participação.
“Foi uma grande surpresa ter o filme selecionado por Locarno porque é uma oportunidade de levar o filme para o mundo em um dos maiores festivais de cinema.”
O diretor também destacou o caráter coletivo da produção e a importância de representar o cinema brasileiro e pernambucano no festival suíço.
Filme foi gravado no Recife
A história de “A Margem do Rio” se passa no Recife e utiliza o manguezal da capital pernambucana como um dos elementos centrais da narrativa.
O protagonista é Izaquiel, interpretado por Caique Copque, um auxiliar de serviços gerais que, durante a noite, procura encontros secretos no mangue do Recife.
É nesse ambiente que ele conhece Jeremias, personagem de Ítalo Martins, um pescador misterioso que acaba conduzindo o protagonista por uma jornada pelas profundezas do manguezal.
A história muda quando uma ameaça externa chega ao local e traz consigo um cenário de violência.
Uma história construída durante quase sete anos
O longa começou a ser desenvolvido ainda em 2017, quando os diretores iniciaram a primeira versão do roteiro.
Segundo Matheus Farias, o projeto atravessou um longo processo até chegar às telas, passando pelo desenvolvimento do roteiro, realização de outros trabalhos e busca por financiamento.
As filmagens aconteceram entre agosto e setembro de 2025. Depois disso, a equipe trabalhou na finalização da obra até a estreia internacional em Locarno.
“A gente pensa sobre essa história desde 2017, que foi quando começamos a escrever a primeira versão do roteiro”, explicou Matheus.



Pernambuco no cinema internacional
A conquista em Locarno coloca novamente o cinema pernambucano no radar de grandes festivais internacionais.
Além da ambientação no Recife, a produção reúne profissionais e empresas ligadas ao audiovisual brasileiro e internacional. “A Margem do Rio” é produzido pela Gatopardo Filmes, Poetik Film, Moçambique Filmes e Tama Filmproduktion.
A distribuição no Brasil ficará a cargo da Vitrine Filmes.
O filme ainda não tem data definida para chegar aos cinemas do Recife, mas o lançamento comercial no Brasil está previsto para 2027.
Quem está no elenco de “A Margem do Rio”
Além de Caique Copque e Ítalo Martins nos papéis principais, o elenco conta com:
- Robério Diógenes;
- Carlos Francisco;
- Renna Costa;
- Enio Cavalcanti;
- Artia;
- Isis Broken.

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Do Recife para Locarno
O reconhecimento de “A Margem do Rio” é especialmente significativo porque a produção transforma uma paisagem muito particular do Recife — o manguezal — em cenário de uma história levada para um dos principais festivais cinematográficos do mundo.
O filme foi pensado em Pernambuco em 2017 chegou a Locarno nove anos depois, com uma produção construída ao longo de quase sete anos e agora premiada pelo júri da competição internacional.
Para o cinema pernambucano, o prêmio representa mais uma oportunidade de apresentar ao mundo histórias, personagens e paisagens produzidas a partir do Nordeste brasileiro.


