Seleção brasileira conquista os primeiros títulos mundiais da modalidade e tem uma ligação especial com o Nordeste: a equipe mantém Aracaju como centro de treinamento e conta com a alagoana Duda Arakaki entre as ginastas
O domingo, 16 de agosto de 2026, entrou para a história da ginástica rítmica brasileira. Depois de conquistar o bronze no conjunto geral e garantir a vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, no sábado, a equipe brasileira voltou ao pódio no Mundial de Frankfurt, na Alemanha, e conquistou dois ouros inéditos.
O Brasil venceu as finais de cinco bolas e da série mista, com três arcos e dois pares de maças, estabelecendo um feito inédito para o país em Mundiais. Na final de cinco bolas, a equipe marcou 29.450 pontos, a maior nota da temporada.
O resultado confirma a evolução de uma equipe que já havia feito história em 2025, quando conquistou duas medalhas de prata no Mundial realizado no Rio de Janeiro.

Um fim de semana histórico para o Brasil

No sábado, a seleção brasileira terminou o conjunto geral na terceira colocação, com 55.500 pontos.
A Espanha ficou com o ouro, com 57.450, enquanto o Japão conquistou a prata, com 56.700. A medalha brasileira garantiu também a classificação direta do conjunto para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O Brasil chegou à disputa depois de uma apresentação forte na série mista, com 28.700 pontos, ao som de “Abracadabra”, de Lady Gaga. Na série de cinco bolas, houve uma falha e a equipe marcou 26.800 pontos.
Mesmo assim, a soma foi suficiente para colocar o Brasil no pódio e assegurar a vaga olímpica.
No domingo, porém, veio a resposta.
Na final de cinco bolas, justamente a prova em que havia ocorrido o erro na classificação, as brasileiras fizeram uma apresentação praticamente perfeita e alcançaram 29.450 pontos, superando China e Bulgária.
O Brasil agora é campeão mundial
A conquista das cinco bolas foi especialmente simbólica.
Foi o primeiro ouro do Brasil na história do Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica. Pouco depois, a equipe voltou a vencer e conquistou também o título na série mista.
Assim, o Brasil terminou o Mundial de Frankfurt com:
| Resultado | Conquista |
|---|---|
| 🥉 | Bronze no conjunto geral |
| 🥇 | Ouro na final de cinco bolas |
| 🥇 | Ouro na série mista |
| 🇺🇸 | Vaga garantida para Los Angeles 2028 |
As duas notas de 29.450 pontos também representaram a maior marca brasileira da temporada nas finais.
E o que o Nordeste tem a ver com essa história?
Tem bastante.
A seleção brasileira de conjunto tem Aracaju como sede oficial de treinamentos. A equipe já iniciou a temporada 2026 no Centro de Treinamento da capital sergipana e, desde 2025, a cidade passou a ser reconhecida como a casa da seleção.
É justamente por isso que o resultado de Frankfurt também representa uma conquista importante para o esporte nordestino.
E existe ainda uma atleta nordestina entre as ginastas que integram o conjunto brasileiro.
Duda Arakaki: a alagoana que virou campeã mundial
Maria Eduarda de Almeida Arakaki, a Duda Arakaki, nasceu em Maceió, Alagoas, e é uma das principais referências da equipe brasileira.
Capitã da seleção, Duda também esteve no grupo que conquistou as inéditas pratas no Mundial de 2025 e participou dos Jogos Olímpicos de Tóquio.
A ligação com Alagoas continua forte. Em março deste ano, por exemplo, a seleção brasileira se apresentou em Maceió, no Colégio Marista, onde Duda estudou e que se tornou um dos locais importantes de aproximação da equipe com o público alagoano.
Duda é, entre as seis ginastas que compõem o grupo convocado para o Mundial, a única nascida no Nordeste.
Mas a presença nordestina na história da equipe é ainda maior quando se observa a formação das atletas.
De onde são as seis ginastas do conjunto brasileiro?
A convocação oficial da CBG para o Mundial de Frankfurt relacionou seis atletas para o conjunto: Maria Eduarda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Vitória Pinto, Nicole Pírcio, Sofia Madeira e Julia Kurunczi.
| Ginasta | Cidade de nascimento / origem | Estado | Região |
|---|---|---|---|
| Maria Eduarda Arakaki (Duda) | Maceió | AL | Nordeste |
| Maria Paula Caminha | Manaus | AM | Norte |
| Nicole Pírcio | Piracicaba | SP | Sudeste |
| Sofia Madeira | Vitória | ES | Sudeste |
| Mariana Vitória Pinto | Curitiba | PR | Sul |
| Julia Kurunczi | Londrina | PR | Sul |
Maria Paula tem uma história nordestina
Embora tenha nascido em Manaus, Maria Paula Caminha possui uma ligação esportiva importante com o Nordeste.
A atleta representa o GORBA, da Bahia, na convocação oficial da CBG, e sua formação na ginástica rítmica está ligada a Salvador.
Por isso, a história da seleção não pode ser contada apenas pelas cidades de nascimento. Existe também uma trajetória de formação esportiva, e nesse aspecto a Bahia aparece entre os estados que contribuíram para a construção da equipe.
Aracaju virou uma referência da ginástica rítmica brasileira
A presença da seleção em Sergipe também ajuda a explicar por que o Nordeste aparece cada vez mais no mapa da modalidade.
Aracaju não é apenas um local de passagem. A cidade se consolidou como sede oficial dos treinamentos do conjunto brasileiro. Em 2025, inclusive, a Câmara Municipal concedeu o Título de Cidadania Aracajuana à equipe, reconhecendo a contribuição das ginastas para o esporte e para a cidade.
Em janeiro de 2026, uma clínica comandada pela técnica Camila Ferezin reuniu mais de 200 ginastas em Aracaju, mostrando também o papel da capital sergipana na formação e disseminação da modalidade.
O resultado de Frankfurt dá uma dimensão ainda maior a esse projeto.

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Da prata histórica ao ouro mundial
A trajetória recente da seleção ajuda a dimensionar o tamanho da conquista.
Em 2025, o Brasil conquistou duas pratas inéditas no Mundial do Rio de Janeiro.
Em 2026, veio o título pan-americano nas duas provas do conjunto, com o Brasil alcançando uma das maiores notas do mundo na temporada.
Agora, em Frankfurt:
prata → ouro continental → bronze mundial + vaga olímpica → dois ouros mundiais.
É uma evolução rápida de uma equipe que passou a ocupar definitivamente o primeiro grupo da ginástica rítmica internacional.
E Los Angeles 2028?
A vaga conquistada em Frankfurt garante ao Brasil presença no conjunto da ginástica rítmica nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Espanha e Japão, ouro e prata no geral, também garantiram classificação.
Portanto, para a seleção brasileira, a vantagem é poder trabalhar o restante do ciclo olímpico com a vaga já assegurada.
E, para o Nordeste, existe um motivo adicional para acompanhar essa história: a preparação da equipe olímpica brasileira passa por Aracaju e tem uma alagoana entre suas principais atletas.
A ginástica rítmica brasileira acaba de conquistar o mundo. E parte dessa história está sendo construída no Nordeste.


