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Brasil faz história na ginástica rítmica: dois ouros, bronze e vaga olimpíca

Brasil conquista dois ouros inéditos no Mundial de Ginástica Rítmica, bronze no geral e vaga em Los Angeles 2028. Veja a ligação com o Nordeste.
Eliseu Lins, da Agência NE9
16 de agosto de 2026 - às 10:20
Atualizado 16 de agosto de 2026 - às 10:20
7 min de leitura
meninas no pódio
Brasil no pódio no Mundial de Ginastica foto reprodução you tube

Seleção brasileira conquista os primeiros títulos mundiais da modalidade e tem uma ligação especial com o Nordeste: a equipe mantém Aracaju como centro de treinamento e conta com a alagoana Duda Arakaki entre as ginastas

O domingo, 16 de agosto de 2026, entrou para a história da ginástica rítmica brasileira. Depois de conquistar o bronze no conjunto geral e garantir a vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, no sábado, a equipe brasileira voltou ao pódio no Mundial de Frankfurt, na Alemanha, e conquistou dois ouros inéditos.

O Brasil venceu as finais de cinco bolas e da série mista, com três arcos e dois pares de maças, estabelecendo um feito inédito para o país em Mundiais. Na final de cinco bolas, a equipe marcou 29.450 pontos, a maior nota da temporada.

O resultado confirma a evolução de uma equipe que já havia feito história em 2025, quando conquistou duas medalhas de prata no Mundial realizado no Rio de Janeiro.

Brasil no pódio no Mundial de Ginastica foto reprodução you tube

Um fim de semana histórico para o Brasil

No sábado, a seleção brasileira terminou o conjunto geral na terceira colocação, com 55.500 pontos.

A Espanha ficou com o ouro, com 57.450, enquanto o Japão conquistou a prata, com 56.700. A medalha brasileira garantiu também a classificação direta do conjunto para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

O Brasil chegou à disputa depois de uma apresentação forte na série mista, com 28.700 pontos, ao som de “Abracadabra”, de Lady Gaga. Na série de cinco bolas, houve uma falha e a equipe marcou 26.800 pontos.

Mesmo assim, a soma foi suficiente para colocar o Brasil no pódio e assegurar a vaga olímpica.

No domingo, porém, veio a resposta.

Na final de cinco bolas, justamente a prova em que havia ocorrido o erro na classificação, as brasileiras fizeram uma apresentação praticamente perfeita e alcançaram 29.450 pontos, superando China e Bulgária.

O Brasil agora é campeão mundial

A conquista das cinco bolas foi especialmente simbólica.

Foi o primeiro ouro do Brasil na história do Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica. Pouco depois, a equipe voltou a vencer e conquistou também o título na série mista.

Assim, o Brasil terminou o Mundial de Frankfurt com:

ResultadoConquista
🥉Bronze no conjunto geral
🥇Ouro na final de cinco bolas
🥇Ouro na série mista
🇺🇸Vaga garantida para Los Angeles 2028

As duas notas de 29.450 pontos também representaram a maior marca brasileira da temporada nas finais.

E o que o Nordeste tem a ver com essa história?

Tem bastante.

A seleção brasileira de conjunto tem Aracaju como sede oficial de treinamentos. A equipe já iniciou a temporada 2026 no Centro de Treinamento da capital sergipana e, desde 2025, a cidade passou a ser reconhecida como a casa da seleção.

É justamente por isso que o resultado de Frankfurt também representa uma conquista importante para o esporte nordestino.

E existe ainda uma atleta nordestina entre as ginastas que integram o conjunto brasileiro.

Duda Arakaki: a alagoana que virou campeã mundial

Maria Eduarda de Almeida Arakaki, a Duda Arakaki, nasceu em Maceió, Alagoas, e é uma das principais referências da equipe brasileira.

Capitã da seleção, Duda também esteve no grupo que conquistou as inéditas pratas no Mundial de 2025 e participou dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

A ligação com Alagoas continua forte. Em março deste ano, por exemplo, a seleção brasileira se apresentou em Maceió, no Colégio Marista, onde Duda estudou e que se tornou um dos locais importantes de aproximação da equipe com o público alagoano.

Duda é, entre as seis ginastas que compõem o grupo convocado para o Mundial, a única nascida no Nordeste.

Mas a presença nordestina na história da equipe é ainda maior quando se observa a formação das atletas.

De onde são as seis ginastas do conjunto brasileiro?

A convocação oficial da CBG para o Mundial de Frankfurt relacionou seis atletas para o conjunto: Maria Eduarda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Vitória Pinto, Nicole Pírcio, Sofia Madeira e Julia Kurunczi.

GinastaCidade de nascimento / origemEstadoRegião
Maria Eduarda Arakaki (Duda)MaceióALNordeste
Maria Paula CaminhaManausAMNorte
Nicole PírcioPiracicabaSPSudeste
Sofia MadeiraVitóriaESSudeste
Mariana Vitória PintoCuritibaPRSul
Julia KuruncziLondrinaPRSul

Maria Paula tem uma história nordestina

Embora tenha nascido em Manaus, Maria Paula Caminha possui uma ligação esportiva importante com o Nordeste.

A atleta representa o GORBA, da Bahia, na convocação oficial da CBG, e sua formação na ginástica rítmica está ligada a Salvador.

Por isso, a história da seleção não pode ser contada apenas pelas cidades de nascimento. Existe também uma trajetória de formação esportiva, e nesse aspecto a Bahia aparece entre os estados que contribuíram para a construção da equipe.

Aracaju virou uma referência da ginástica rítmica brasileira

A presença da seleção em Sergipe também ajuda a explicar por que o Nordeste aparece cada vez mais no mapa da modalidade.

Aracaju não é apenas um local de passagem. A cidade se consolidou como sede oficial dos treinamentos do conjunto brasileiro. Em 2025, inclusive, a Câmara Municipal concedeu o Título de Cidadania Aracajuana à equipe, reconhecendo a contribuição das ginastas para o esporte e para a cidade.

Em janeiro de 2026, uma clínica comandada pela técnica Camila Ferezin reuniu mais de 200 ginastas em Aracaju, mostrando também o papel da capital sergipana na formação e disseminação da modalidade.

O resultado de Frankfurt dá uma dimensão ainda maior a esse projeto.

Centro de Treinamento Foto CBG

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Da prata histórica ao ouro mundial

A trajetória recente da seleção ajuda a dimensionar o tamanho da conquista.

Em 2025, o Brasil conquistou duas pratas inéditas no Mundial do Rio de Janeiro.

Em 2026, veio o título pan-americano nas duas provas do conjunto, com o Brasil alcançando uma das maiores notas do mundo na temporada.

Agora, em Frankfurt:

prata → ouro continental → bronze mundial + vaga olímpica → dois ouros mundiais.

É uma evolução rápida de uma equipe que passou a ocupar definitivamente o primeiro grupo da ginástica rítmica internacional.

E Los Angeles 2028?

A vaga conquistada em Frankfurt garante ao Brasil presença no conjunto da ginástica rítmica nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Espanha e Japão, ouro e prata no geral, também garantiram classificação.

Portanto, para a seleção brasileira, a vantagem é poder trabalhar o restante do ciclo olímpico com a vaga já assegurada.

E, para o Nordeste, existe um motivo adicional para acompanhar essa história: a preparação da equipe olímpica brasileira passa por Aracaju e tem uma alagoana entre suas principais atletas.

A ginástica rítmica brasileira acaba de conquistar o mundo. E parte dessa história está sendo construída no Nordeste.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.