A disputa pelo Palácio de Ondina promete ser uma das mais emocionantes do país em 2026. Pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta quarta-feira (29), revela um cenário de equilíbrio absoluto entre o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT).
A princípio, os números indicam que a eleição na Bahia está literalmente pau a pau, com os dois principais candidatos tecnicamente empatados dentro da margem de erro. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 1.200 eleitores baianos entre os dias 23 e 27 de julho e registra um cenário de indefinição que promete movimentar o segundo semestre.
Primeiro turno: vantagem numérica mínima para ACM Neto
No cenário estimulado, ACM Neto aparece com 39% das intenções de voto, contra 38% de Jerônimo Rodrigues. A diferença de apenas 1 ponto percentual está dentro da margem de erro de 3 pontos para mais ou para menos, o que configura um empate técnico.
Os demais candidatos aparecem com percentuais residuais: Aroldo Felix (UP) e Ronaldo Mansur (PSOL) têm 1% cada. A pesquisa também revela um contingente significativo de eleitores indecisos (14%) e daqueles que pretendem votar branco, nulo ou não votar (7%), o que pode ser decisivo para definir o rumo da eleição.
Em um segundo cenário, com a inclusão do candidato José Estêvão (DC), que não pontuou, os números permanecem praticamente inalterados: ACM Neto mantém 39%, Jerônimo 38%, com 13% de indecisos e 8% de brancos/nulos.
Segundo turno: o equilíbrio persiste
Se a eleição for para o segundo turno, o empate técnico se mantém. ACM Neto aparece numericamente à frente com 43%, contra 39% de Jerônimo Rodrigues. Assim, a diferença de 4 pontos ainda está dentro da margem de erro, mantendo a indefinição.
Ao mesmo tempo, os indecisos somam 11%, e os que declaram voto em branco, nulo ou não votar representam 7%. Ou seja: o resultado final pode ser decidido por uma margem muito pequena de votos.
O cenário nacional na Bahia e a força de Lula
Antes de mais nada, um dado que chama a atenção na pesquisa é o desempenho do presidente Lula (PT) no estado. No primeiro turno, o petista lidera com folga: 52% das intenções de voto contra apenas 18% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa vantagem histórica reflete o DNA do PT na Bahia, mas não tem se traduzido automaticamente em votos para Jerônimo, o que indica que o eleitorado baiano faz distinção clara entre as disputas nacional e estadual.
Da mesma forma, no segundo turno para presidente, Lula venceria todos os adversários com vantagens entre 33 e 44 pontos percentuais, consolidando a Bahia como um dos principais colégios eleitorais do petista.

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Aprovação do governo e rejeição
Em suma, a pesquisa também revela que 57% dos entrevistados aprovam o governo de Jerônimo Rodrigues, contra 34% que desaprovam. Apesar do índice positivo, a avaliação favorável não tem sido suficiente para garantir vantagem na disputa eleitoral.
Para 42% dos eleitores, a violência é o pior problema do estado, seguida pela saúde, com 27%. Esses temas devem dominar o debate nos próximos meses e podem pesar no voto do eleitor indeciso.
Os cenários para governador da Bahia
| Cenário | ACM Neto (União) | Jerônimo (PT) | Outros | Indecisos | Brancos/Nulos |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º Turno (Cenário 1) | 39% | 38% | Aroldo (1%) Ronaldo (1%) | 14% | 7% |
| 1º Turno (Cenário 2) | 39% | 38% | Aroldo (1%) Ronaldo (1%) Estêvão (0%) | 13% | 8% |
| 2º Turno | 43% | 39% | – | 11% | 7% |
Fonte: Quaest – Registro TSE: BA-02331/2026. Margem de erro: 3 p.p. para mais ou para menos. Nível de confiança: 95%. Período de coleta: 23 a 27 de julho de 2026.
Senado e o fator Lula
Para o Senado, o cenário é mais fragmentado. O ex-governador Rui Costa (PT) lidera com 22%, seguido por Jaques Wagner (PT), com 16%. A intenção de voto para senador ainda é volátil: 51% dos eleitores podem mudar de ideia, contra 48% que têm voto definido.
Outro dado relevante: 47% dos entrevistados preferem que o próximo governador seja aliado de Lula, enquanto 35% optam por um governador independente e apenas 13% desejam um aliado de Bolsonaro. Esse número mostra que, embora o PT tenha força na Bahia, o eleitorado busca um certo distanciamento da polarização nacional na hora de escolher o gestor estadual.
O que esperar daqui para frente?
Com a campanha eleitoral começando oficialmente em 16 de agosto e o horário eleitoral gratuito a partir do dia 28 do mesmo mês, a tendência é que o cenário se defina nas próximas semanas. ACM Neto aposta na rejeição ao PT e em sua experiência como gestor de Salvador, enquanto Jerônimo conta com o apoio de Lula e a máquina pública para tentar reverter o empate.
O eleitor baiano, conhecido por sua sagacidade política, terá a palavra final em outubro. E, pelo visto, a decisão promete ser emocionante até o último voto.

