Aos 77 anos, o cantor alagoano traz ao Nordeste um show onde a sofisticação encontra a multidão
Tem artista que a gente respeita. Tem artista que a gente ama. E tem Djavan. Aquele que, desde “Luz” (1982), toca sem parar nas casas da nossa infância, nos violões dos amigos, nas playlists dos nossos pais – e, mais recentemente, nos algoritmos perplexos da geração TikTok.
Enquanto o mundo da música cobra reinvenção a cada sexta-feira, Djavan faz o contrário. Ele não corre atrás do “novo”. Não se aflige com a velocidade dos tempos. E é exatamente por isso que Djavanear 50 anos, a turnê que celebra cinco décadas de carreira, chega ao Nordeste como um acontecimento raro: um show de duas horas e meia sem medleys, sem pressa e sem precisar mastigar refrões para o público.
Um Fenômeno Chamado Constância
Quem foi ao show no Allianz Parque (SP) viu uma cena que destrói qualquer argumento de que o público atual tem déficit de atenção. Mais de 45 mil pessoas cantaram músicas inteiras – versos inteiros – incluindo aqueles que a preguiça da crítica, durante anos, classificou como “incompreensíveis”.
E, antes de mais nada, Djavan nunca simplificou sua linguagem para parecer acessível. E, ainda assim, tornou-se um fenômeno popular. Dessa forma, poucos artistas brasileiros passaram por tantas gerações sem negociar a própria identidade.
A Máquina a seu Favor
A banda que o acompanha é de altíssimo nível técnico: Felipe Alves (bateria), Marcelo Mariano (baixo), Torcuato Mariano (guitarra e violão), Paulo Calasans e Renato Fonseca (teclados), além de uma seção de metais com Jessé Sadoc, Marcelo Martins e Rafael Rocha. Os vocais de Clara Carolina e Jenni Rocha completam o time.
A direção artística de Gringo Cardia traduz o universo das canções em painéis de LED que homenageiam Athos Bulcão, Portinari, Espedito Seleiro, Vik Muniz e Walter Firmo.
E o ápice da intimidade acontece quando Djavan senta sozinho com o violão e canta “Meu Bem Querer”, “Oceano”, “Lambada de Serpente” e “Mal de Mim”. Desse modo, revisita clássicos em um momento intimista compartilhado por um estádio inteiro.
Onde assistir no Nordeste?
Ao mesmo tempo, a pequena turnê pelo Nordeste terá dois momentos distintos: Primeiramente, passa por Salvador e Fortaleza. E no final do ano chega a Recife e Maceió.
| Cidade | Data | Local | Status |
|---|---|---|---|
| Salvador (BA) | 23/05 (sábado) | Casa de Apostas Arena Fonte Nova | À venda |
| Fortaleza (CE) | 30/05 | Centro de Formação Olímpica | À venda |
| Recife (PE) | 31/10 | Classic Hall | À venda |
| Maceió (AL) | 05/12 | Estacionamento do Jaraguá | À venda |
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O que esperar do repertório?
Assim, o cantor colocou no seu repertório 27 músicas que passeiam por praticamente toda a carreira. Você ouvirá (e cantará) clássicos como:
- “Sina”
- “Oceano”
- “Um Amor Puro”
- “Se…”
- “Eu Te Devoro”
- “Samurai”
- “Flor de Lis”
- “Açaí”
Em suma, ao fim de duas horas e meia, a sensação é de que ainda faltou coisa. Desse modo, Djavan oferece uma coisa muito mais sofisticada do que “ser novo”. Se você puder ir a um desses shows, vá. Leve seus pais, seus filhos, seu amor – ou sua saudade. E prepare-se para ouvir 45 mil pessoas cantando versos que a crítica um dia chamou de “difíceis”. Não são. São apenas Djavan.


