O Rio Grande do Norte começou a desenhar oficialmente uma estratégia de longo prazo para tentar se consolidar como um dos principais polos brasileiros de economia verde. A governadora Fátima Bezerra recebeu nesta semana o Plano Estratégico de Crescimento Verde do estado, documento elaborado pela Fundação IDH, organização civil holandesa, em parceria com o Sebrae-RN.
A princípio, o material propõe uma agenda que mistura desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social, tentando conectar desde energia renovável até agricultura familiar, passando pela recuperação da Caatinga, uso eficiente da água e fortalecimento de cadeias produtivas tradicionais do semiárido potiguar.
O plano foi construído a partir de oficinas, entrevistas e consultas com universidades, representantes do setor produtivo, organizações sociais e gestores públicos. A proposta é que o documento funcione como um guia técnico para decisões econômicas e administrativas de longo prazo no estado.
Segundo Fátima Bezerra, a proposta dialoga diretamente com políticas já adotadas pelo governo estadual, principalmente nas áreas de agricultura familiar e inclusão produtiva. A governadora afirmou que o plano reflete tanto o potencial econômico do estado quanto os gargalos que ainda precisam ser superados.
Um dos principais focos do documento é justamente a transição energética. O Rio Grande do Norte já lidera a geração de energia eólica no Brasil e tenta ampliar seu protagonismo também nos setores de energia solar e hidrogênio verde. Assim, o plano prevê que essa expansão energética seja acompanhada por geração de empregos, qualificação profissional e distribuição de renda nos territórios rurais e comunidades tradicionais.

Plano mira cadeias produtivas do semiárido
O estudo também identifica atividades econômicas consideradas estratégicas para o crescimento sustentável potiguar. Entre elas aparece a fruticultura irrigada, um dos motores da economia do interior do estado.
Hoje, o Rio Grande do Norte responde por cerca de 70% da produção nacional de melão, especialmente nas regiões de Mossoró, Vale do Açu e Apodi. O plano propõe ampliar essa força produtiva utilizando práticas mais sustentáveis no uso da água e recuperação ambiental.
Outro eixo importante envolve a retomada da tradição algodoeira potiguar, agora ligada ao algodão agroecológico e à chamada moda sustentável. A ideia é fortalecer sistemas produtivos sem uso intensivo de químicos, conectando agricultura familiar com novos mercados consumidores ligados à sustentabilidade.
A agenda também inclui:
- fortalecimento da pesca e carcinicultura sustentável;
- valorização dos queijos artesanais potiguares;
- expansão da caprinocultura e ovinocultura;
- incentivo à piscicultura;
- recuperação de áreas degradadas da Caatinga.
Segundo a Fundação IDH, o conceito central do projeto é baseado no modelo PPI — Produção, Proteção e Inclusão — que busca equilibrar crescimento econômico, conservação ambiental e desenvolvimento social.
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Energia verde deve liderar nova fase econômica do RN
Nos bastidores econômicos, o plano é visto como mais um movimento do Rio Grande do Norte para se posicionar nacionalmente como referência em economia verde e transição energética.
O estado já atrai investimentos bilionários em:
- parques eólicos;
- usinas solares;
- hidrogênio verde;
- infraestrutura energética.
A proposta agora é tentar conectar esses investimentos com cadeias produtivas locais e geração de renda regional, especialmente no interior do estado.
Para o Sebrae-RN, o documento também pode servir como instrumento para atrair novos investimentos privados ligados à economia de baixo carbono e ao mercado internacional de sustentabilidade.
A gerente do Programa Raízes da Caatinga da Fundação IDH no Brasil, Grazielle Cardoso, afirmou que a proposta busca criar mecanismos permanentes de planejamento, governança e financiamento multissetorial, envolvendo setor público, empresas, universidades e sociedade civil.
Portanto, na prática, o Rio Grande do Norte tenta aproveitar um momento em que o mundo passa a valorizar cada vez mais projetos ligados à sustentabilidade, eficiência climática e produção de baixo impacto ambiental.
Afinal, no centro dessa disputa global por investimentos verdes, o Nordeste começa a tentar transformar clima, vento, sol e semiárido em ativos econômicos estratégicos para as próximas décadas.


