Salvador, Fortaleza e Recife têm dois anos para transformar o Mundial Feminino em uma vitrine global
O Nordeste vive um dos melhores momentos de sua história no turismo internacional. Após três anos consecutivos de crescimento, a região vem quebrando recordes de desembarque de estrangeiros, impulsionada pela ampliação de voos internacionais, investimentos em infraestrutura, fortalecimento da promoção turística e pela valorização dos destinos brasileiros no exterior.
Agora, um novo desafio surge no horizonte: transformar a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 em um grande catalisador para consolidar o Nordeste como um dos principais destinos turísticos do planeta.
Das oito cidades brasileiras escolhidas para sediar a competição, três estão no Nordeste: Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Recife (PE). Ao mesmo tempo, elas terão a oportunidade de apresentar a milhões de turistas e bilhões de telespectadores uma região muito maior do que apenas as cidades onde acontecerão os jogos.

O esporte pode ser o maior motor do turismo brasileiro em 2027
A princípio, a realização da Copa do Mundo Feminina acontece justamente em um momento extremamente favorável para o Brasil.
Nos últimos anos, o país voltou a crescer fortemente no mercado internacional de viagens. Alguns indicadores mostram esse cenário:
- recordes consecutivos de turistas estrangeiros entre 2024 e 2026;
- crescimento dos voos internacionais para o Nordeste;
- aumento do interesse de europeus e norte-americanos pelos destinos brasileiros;
- fortalecimento do turismo de experiência, natureza e gastronomia.
Além disso, a Copa do Mundo Masculina de 2026 movimentará cerca de R$ 14 bilhões em publicidade, marketing, campanhas digitais e patrocínios, criando uma enorme vitrine para o futebol mundial. Em seguida, toda essa atenção internacional será direcionada para o Brasil em 2027.
O desafio será transformar essa exposição em turistas reais.

Muitos turistas podem voltar ao Brasil
Especialistas do setor avaliam que existe um fenômeno muito comum nos grandes eventos esportivos. Quem conhece um país durante uma viagem internacional costuma retornar anos depois — e, muitas vezes, leva familiares e amigos.
O Brasil vive exatamente esse momento. Nos últimos três anos, milhares de turistas internacionais passaram pelo Nordeste conhecendo praias, gastronomia, cultura e hospitalidade.
A Copa Feminina oferece a oportunidade perfeita para que muitos deles retornem.

O turista não quer apenas assistir aos jogos
A grande diferença da Copa Feminina em relação a outros eventos esportivos é o perfil do público.
Pesquisas da FIFA mostram que o torcedor da competição costuma:
- permanecer mais dias no destino;
- viajar em família;
- consumir cultura local;
- realizar passeios turísticos;
- gastar mais com experiências.
Ou seja, o futebol funciona apenas como porta de entrada.
A experiência completa acontece fora dos estádios.

O que Salvador, Fortaleza e Recife precisam fazer?
Mais do que organizar partidas, as três capitais nordestinas precisam pensar como grandes destinos internacionais.
1. Criar roteiros regionais
O visitante dificilmente viajará milhares de quilômetros para permanecer apenas três dias. É a oportunidade para integrar o turismo regional.
2. Facilitar deslocamentos
Uma das principais reclamações de turistas estrangeiros ainda é a dificuldade de transporte entre destinos.
Integração entre aeroportos, rodoviárias, aplicativos, sinalização multilíngue e transporte turístico podem fazer enorme diferença.
3. Investir em promoção internacional
A Copa começa muito antes do primeiro jogo. As cidades precisam aproveitar os próximos dois anos para aparecer nas campanhas digitais voltadas aos mercados internacionais.
Vídeos, influenciadores, ações em redes sociais e parcerias com companhias aéreas podem ampliar significativamente o alcance.
4. Apostar na economia criativa
A Copa também movimenta:
- gastronomia;
- artesanato;
- música;
- festas populares;
- experiências culturais.
O turista moderno quer viver o destino. Quanto maior a experiência, maior a chance de retorno.
5. Transformar o Nordeste em um único destino
Talvez esse seja o maior desafio. Ao invés de competir entre si, os estados nordestinos podem vender uma única experiência.
O turista que desembarcar em Salvador pode seguir para Recife. Quem assistir aos jogos em Fortaleza pode conhecer Lençóis Maranhenses, Jericoacoara, Delta do Parnaíba ou o litoral do Rio Grande do Norte.
A Copa pode ser o momento ideal para fortalecer a marca Nordeste no mercado internacional.
A maior oportunidade desde a Copa de 2014
A Copa do Mundo Feminina chega em um momento completamente diferente daquele vivido em 2014.
Hoje o Brasil possui:
- mais conectividade aérea internacional;
- maior presença digital;
- crescimento do turismo de experiência;
- fortalecimento do futebol feminino;
- maior interesse mundial pelos destinos brasileiros.
Afinal, para Salvador, Fortaleza e Recife, o evento representa muito mais do que receber partidas. Isso é a oportunidade de transformar milhões de espectadores em futuros visitantes.
Portanto, se houver planejamento integrado entre governos, setor privado e trade turístico, a Copa de 2027 poderá consolidar o Nordeste como a principal porta de entrada do turismo internacional no Brasil durante a próxima década.

