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Combustíveis subiram menos no Brasil do que no exterior durante crise no Oriente Médio

Gasolina teve alta de 4,9% no país, enquanto média mundial chegou a 17,5% A escalada da tensão no Oriente Médio, envolvendo o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã, provocou uma forte alta nos preços ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
19 de junho de 2026 - às 06:13
Atualizado 19 de junho de 2026 - às 06:13
3 min de leitura

Gasolina teve alta de 4,9% no país, enquanto média mundial chegou a 17,5%

A escalada da tensão no Oriente Médio, envolvendo o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã, provocou uma forte alta nos preços internacionais do petróleo nas últimas semanas.

Mesmo diante desse cenário, o Brasil registrou aumentos menores nos preços da gasolina e do diesel quando comparado à média mundial, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

A princípio, o estudo analisou a variação dos preços entre 23 de fevereiro e 8 de junho de 2026, período marcado pela intensificação das tensões geopolíticas que afetaram o mercado internacional de energia.

Segundo o levantamento, a gasolina aumentou 4,9% no Brasil, enquanto a média internacional foi de 17,5%. Já o diesel teve alta de 13,6% no mercado brasileiro, contra 23,3% na média mundial.

Comparação internacional

Os dados mostram que o impacto foi significativamente maior em outros países.

PaísGasolinaDiesel
Brasil4,9%13,6%
Média mundial17,5%23,3%
Estados Unidos36,1%36,8%
Argentina21,1%23,7%

Segundo o Ineep, a política de preços adotada pelo governo federal e medidas emergenciais contribuíram para reduzir o impacto da volatilidade internacional sobre o consumidor brasileiro.

Etanol ficou mais barato

Enquanto gasolina e diesel registraram altas, o etanol hidratado apresentou movimento contrário.

De acordo com o estudo, o combustível teve queda de 7,3% no período, impulsionada principalmente pelo início da safra 2026/2027 da cana-de-açúcar e pelo aumento da oferta no mercado nacional.

Esse cenário favoreceu principalmente estados com forte produção sucroenergética, onde o etanol costuma ser uma alternativa economicamente mais vantajosa para os motoristas.

Conflito internacional pressionou petróleo

O período analisado pelo Ineep coincidiu com uma sequência de acontecimentos que aumentaram a instabilidade no mercado internacional de petróleo.

Entre eles estão:

  • intensificação do conflito entre Israel e Irã;
  • participação dos Estados Unidos nas operações militares;
  • interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo;
  • incertezas sobre o fornecimento global de combustíveis.

Como consequência, o barril de petróleo sofreu forte valorização, pressionando os preços em diversos países.

petroleo OLEO EXPORTAÇÃO SERGIPE
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Desafio continua

Apesar dos resultados considerados positivos no curto prazo, o Ineep avalia que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais no setor de combustíveis.

Afinal, segundo o instituto, reduzir a dependência das oscilações internacionais passa pelo fortalecimento da capacidade nacional de refino, ampliação da infraestrutura da Petrobras e investimentos na cadeia de abastecimento e distribuição.

Portanto, especialistas também apontam que a estabilidade dos combustíveis continua diretamente ligada ao comportamento do mercado internacional do petróleo e às futuras decisões sobre política de preços.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.