Gasolina teve alta de 4,9% no país, enquanto média mundial chegou a 17,5%
A escalada da tensão no Oriente Médio, envolvendo o conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã, provocou uma forte alta nos preços internacionais do petróleo nas últimas semanas.
Mesmo diante desse cenário, o Brasil registrou aumentos menores nos preços da gasolina e do diesel quando comparado à média mundial, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
A princípio, o estudo analisou a variação dos preços entre 23 de fevereiro e 8 de junho de 2026, período marcado pela intensificação das tensões geopolíticas que afetaram o mercado internacional de energia.
Segundo o levantamento, a gasolina aumentou 4,9% no Brasil, enquanto a média internacional foi de 17,5%. Já o diesel teve alta de 13,6% no mercado brasileiro, contra 23,3% na média mundial.
Comparação internacional
Os dados mostram que o impacto foi significativamente maior em outros países.
| País | Gasolina | Diesel |
|---|---|---|
| Brasil | 4,9% | 13,6% |
| Média mundial | 17,5% | 23,3% |
| Estados Unidos | 36,1% | 36,8% |
| Argentina | 21,1% | 23,7% |
Segundo o Ineep, a política de preços adotada pelo governo federal e medidas emergenciais contribuíram para reduzir o impacto da volatilidade internacional sobre o consumidor brasileiro.
Etanol ficou mais barato
Enquanto gasolina e diesel registraram altas, o etanol hidratado apresentou movimento contrário.
De acordo com o estudo, o combustível teve queda de 7,3% no período, impulsionada principalmente pelo início da safra 2026/2027 da cana-de-açúcar e pelo aumento da oferta no mercado nacional.
Esse cenário favoreceu principalmente estados com forte produção sucroenergética, onde o etanol costuma ser uma alternativa economicamente mais vantajosa para os motoristas.
Conflito internacional pressionou petróleo
O período analisado pelo Ineep coincidiu com uma sequência de acontecimentos que aumentaram a instabilidade no mercado internacional de petróleo.
Entre eles estão:
- intensificação do conflito entre Israel e Irã;
- participação dos Estados Unidos nas operações militares;
- interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo;
- incertezas sobre o fornecimento global de combustíveis.
Como consequência, o barril de petróleo sofreu forte valorização, pressionando os preços em diversos países.

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Desafio continua
Apesar dos resultados considerados positivos no curto prazo, o Ineep avalia que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais no setor de combustíveis.
Afinal, segundo o instituto, reduzir a dependência das oscilações internacionais passa pelo fortalecimento da capacidade nacional de refino, ampliação da infraestrutura da Petrobras e investimentos na cadeia de abastecimento e distribuição.
Portanto, especialistas também apontam que a estabilidade dos combustíveis continua diretamente ligada ao comportamento do mercado internacional do petróleo e às futuras decisões sobre política de preços.


