O Nordeste está cada vez mais virando o protagonista do desenvolvimento do Brasil. Para se ter ideia, somente no primeiro trimestre de 2026, o BNDES registrou um crescimento de 98,3% em aprovações de projeto. Antes de mais nada, os números são em comparação ao mesmo período de 2025, atingindo a impressionante marca de R$ 3,38 bilhões.
Pode chamar de virada de chave, de prioridade ou de estratégia. Mas os números não mentem: o Nordeste voltou a ser protagonista no mapa do desenvolvimento brasileiro.
O que esse dinheiro representa?
A princípio, não se trata apenas de um número bonito no relatório do banco. Por trás desses R$ 3,38 bilhões, há um recado claro: o crédito chegou para ficar — e em condições melhores do que em outras regiões do país.
“Hoje, por exemplo, é mais barato adquirir máquinas e equipamentos pelo Finame no Nordeste que na região Sudeste” — afirmou Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do BNDES.
Ao mesmo tempo, esse diferencial nos juros não é acaso. É resultado de uma série de iniciativas adotadas pelo banco desde 2023, incluindo orçamento dedicado ao Nordeste, linhas incentivadas como o Mais Inovação e o Fundo Clima, e a reativação do relacionamento com bancos parceiros, como o Banco do Nordeste (BNB), que já acumula mais de R$ 800 milhões em repasses.
Aprovações do BNDES no Nordeste — 1º trimestre de 2026
| Eixo econômico | Valor aprovado (R$) |
|---|---|
| Micro, Pequenas e Médias Empresas | 2,2 bilhões |
| Infraestrutura | 1,35 bilhão |
| Comércio e serviços | 838,3 milhões |
| Agropecuária | 623,6 milhões |
| Indústria | 560,8 milhões |
Os números mostram uma aposta clara no tecido produtivo local: mais de 90% dos municípios brasileiros já são cobertos pelas instituições parceiras do BNDES. Desse modo, garante capilaridade e chegada ao interior da região.

A cereja do bolo: Chamada Nordeste
Se o primeiro trimestre de 2026 foi forte, o horizonte é ainda mais promissor. Em 2025, foi realizada, pela primeira vez, a Chamada Nordeste da Nova Indústria Brasil (NIB), que atraiu R$ 127 bilhões em propostas de projetos. Assim, selecionou R$ 113 bilhões em iniciativas.
O mais impressionante: 74% das propostas selecionadas vieram de micro, pequenas e médias empresas. Isso significa que o desenvolvimento não está concentrado em grandes grupos, mas está sendo construído a partir da base.
As áreas prioritárias da chamada incluem:
- Transição energética com foco em armazenamento
- Bioeconomia com foco em fármacos
- Hidrogênio verde
- Data center verde
- Setor automotivo, incluindo máquinas agrícolas
Essas propostas estão agora na fase de estruturação de Planos de Suporte Conjunto (PSC), com as primeiras contratações previstas para junho de 2026.

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O que falta? E o que vem por aí?
Apesar do avanço, a diretora do BNDES reconhece que há desafios. Um deles é a comunicação: muitos empresários ainda desconhecem as condições mais vantajosas disponíveis para a região. Por isso, o banco tem investido em treinamento e reativação de relacionamento com instituições parceiras.


