Trade turístico da ilha passa por capacitações para reduzir impactos ambientais
Em Fernando de Noronha, um dos destinos turísticos mais desejados do país, a relação entre turismo e preservação ambiental voltou ao centro das discussões após o crescimento recorde do número de visitantes na ilha.
Agora, o trade turístico local começa a passar por um movimento de transformação sustentável, envolvendo:
- pousadas
- bares
- restaurantes
- condutores turísticos
- empresas de passeios marítimos
A proposta é reduzir impactos ambientais em uma região considerada extremamente sensível do ponto de vista ecológico.
Para a coordenadora de Educomunicação Ambiental e Sustentabilidade do projeto, Cynthia Gerling, o desafio é transformar conhecimento em prática, sobretudo em um cenário de intensa movimentação turística na ilha. “Com o crescimento do turismo em Noronha, a adoção de práticas sustentáveis deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade e estratégia de negócios.
Segundo a Organização Mundial de Turismo, em virtude da pressão dos clientes e investidores, o empreendimento que não tiver práticas sustentáveis, estará fora do mercado europeu em dois anos. Já iniciamos as visitas nas pousadas e realizamos a formação com os condutores, e vamos seguir com as empresas de passeio de barco. A ideia é que o guia não fique só no papel, mas que se transforme em ferramenta de gestão, ajudando a reduzir impactos e a organizar melhor as atividades em um território tão sensível”, afirma.
A princípio, a iniciativa retoma uma experiência anterior do projeto, que, anos atrás, ofereceu consultoria gratuita a dezenas de pousadas na ilha. A diferença agora está no alcance. O novo guia amplia o olhar para outros atores do turismo local, incorporando barracas de praia, sedes administrativas e diferentes tipos de serviço, em um cenário em que a atividade cresce e se diversifica.
Turismo cresce e aumenta pressão sobre a ilha
Os números mostram o tamanho do desafio.
O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha recebeu:
| Ano | Visitantes |
|---|---|
| 2024 | 131.503 |
| 2025 | 139.901 |
O volume superou o limite anual de 132 mil turistas definido no acordo de gestão compartilhada firmado entre os governos estadual e federal.
Além disso, o teto mensal de 11 mil visitantes foi ultrapassado em oito meses do ano.
Projeto aposta em mudança prática
A resposta para o aumento da pressão turística vem através do Projeto Golfinho Rotador, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
O projeto lançou o guia:
“Vida na Água – Gestão Sustentável à Beira-Mar”
Mas a iniciativa vai além do material teórico.
A equipe passou a realizar:
- oficinas
- capacitações
- visitas técnicas
- acompanhamento direto de empresas locais
Mais do que propor grandes intervenções, o caminho adotado pelo Projeto Golfinho Rotador aposta na soma de práticas cotidianas. “São ajustes feitos no dia a dia por empresários, trabalhadores e condutores que, juntos, podem reduzir a pressão sobre o território”, acrescenta Cynthia Gerling.
É um processo gradual, que exige adesão, acompanhamento e continuidade. Mas que, ao avançar, reposiciona o papel do turismo na ilha: não apenas como motor econômico, mas como atividade que precisa caminhar lado a lado com a conservação de um dos ecossistemas mais sensíveis do país.


Pousadas já começam a mudar processos
Até agora, quatro pousadas da ilha passaram por visitas técnicas.
Entre os pontos avaliados:
- consumo de água
- uso de energia
- gestão de resíduos
- organização interna
- desperdício
A ideia é transformar sustentabilidade em prática diária dentro da operação turística.
Passeios de barco entram no foco ambiental
Outro segmento considerado estratégico é o de embarcações turísticas.
Empresas que operam passeios de barco, especialmente com motores, começam a participar de oficinas específicas sobre impacto ambiental marinho.
Além disso:
- 15 condutores turísticos já participaram de formação especializada
- as ações ocorrem em parceria com associações locais
Turismo é base da economia da ilha

O peso econômico do turismo em Noronha ajuda a explicar a preocupação com sustentabilidade.
Segundo inventário turístico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte:
| Segmento | Quantidade |
|---|---|
| Meios de hospedagem | 228 |
| Quartos | 1.596 |
| Leitos | 3.977 |
| Bares e restaurantes | 99 |
O setor gera:
- 1.687 empregos diretos
- quase mil trabalhadores fixos apenas em hospedagem
O desafio: preservar sem travar a economia
Fernando de Noronha vive hoje um dos maiores dilemas do turismo mundial: como equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental.
A ilha depende fortemente da atividade turística, mas o aumento contínuo do fluxo de visitantes amplia:
- produção de lixo
- consumo de água
- pressão sobre praias e trilhas
- impactos no ecossistema marinho
Noronha entra em debate global do turismo sustentável
O movimento observado na ilha acompanha uma tendência internacional.
Destinos naturais considerados frágeis vêm adotando:
- limites de visitantes
- controle ambiental
- turismo de baixo impacto
- educação sustentável
O objetivo é evitar que o excesso de turistas comprometa justamente aquilo que torna o destino especial.
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Um novo momento para Noronha
A discussão em Fernando de Noronha mostra que sustentabilidade deixou de ser apenas discurso institucional e passou a entrar diretamente na rotina do turismo.
O desafio agora é fazer com que:
- preservação
- atividade econômica
- turismo
- comunidade local
Portanto, com ações consistentes, é possivél coexistir em equilíbrio em um dos lugares mais valiosos ambientalmente do Brasil.


