Dez indústrias planejam ampliar a presença no interior cearense; estado também mantém posição de destaque nas exportações nacionais do setor
A indústria calçadista do Ceará prevê um novo ciclo de expansão, com mais de R$ 140 milhões em investimentos e a expectativa de gerar 4.100 empregos diretos. O pacote envolve dez indústrias e contempla municípios do interior, como Irauçuba, Granja, Pedra Branca, Baturité, Porteiras, Mauriti, Brejo Santo, Itapajé e Pentecoste.
Os projetos avançam em um momento de concorrência internacional e pressão sobre o mercado brasileiro. Mesmo nesse cenário, o Ceará mantém uma posição de destaque na produção e nas exportações de calçados. Além disso, a expansão prevista pode ampliar a presença da indústria em cidades fora da Região Metropolitana de Fortaleza.
Segundo o Governo do Ceará, os investimentos passaram pela aprovação de protocolos de intenção no Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado (Condec), com participação da Agência de Desenvolvimento do Estado (Adece). Portanto, os valores e empregos representam projeções ligadas aos projetos, e não resultados já integralmente realizados. Fonte: Governo do Ceará
Onde devem ficar os novos investimentos em calçados no Ceará?
A princípio, os dez projetos previstos abrangem municípios de diferentes regiões do estado. A distribuição pode ampliar a atividade industrial em cidades do interior e criar novas oportunidades de trabalho próximas às comunidades onde as empresas pretendem operar.
Veja os municípios citados pelo governo estadual:
| Município | Estado |
|---|---|
| Irauçuba | Ceará |
| Granja | Ceará |
| Pedra Branca | Ceará |
| Baturité | Ceará |
| Porteiras | Ceará |
| Mauriti | Ceará |
| Brejo Santo | Ceará |
| Itapajé | Ceará |
| Pentecoste | Ceará |
A lista reúne nove municípios para dez indústrias, o que significa que ao menos uma cidade poderá receber mais de um projeto. O anúncio, entretanto, não detalha a distribuição individual dos investimentos, o número de vagas por município nem o cronograma de implantação de cada unidade.
Ainda assim, a iniciativa coloca a interiorização industrial no centro da estratégia de expansão do setor. Com novas fábricas ou ampliações, os municípios podem aumentar a oferta de empregos e movimentar atividades ligadas ao transporte, ao comércio e aos serviços.
Ceará mantém força nas exportações de calçados
Os investimentos previstos chegam em um momento de destaque para a indústria cearense no comércio exterior. Entre janeiro e julho de 2026, o estado exportou US$ 84,8 milhões em calçados, correspondentes a 15,7 milhões de pares. Nesse período, o Rio Grande do Sul ficou à frente do Ceará, que ocupou a segunda posição nacional em valor e volume exportados.
De acordo com os dados citados pelo governo estadual, as vendas cearenses representaram cerca de 19% do valor exportado pelos cinco principais estados fabricantes de calçados no período.
O desempenho reforça a importância do setor para a economia estadual. Além de atender ao mercado brasileiro, as empresas cearenses vendem para diferentes países e buscam ampliar sua presença internacional.
Quais mercados compram calçados do Ceará?
Entre janeiro e julho de 2026, alguns destinos registraram crescimento nas compras de calçados cearenses. O Canadá apresentou a maior alta percentual entre os mercados destacados pelo governo estadual, enquanto países da América Latina continuaram entre os compradores relevantes.
| Mercado | Exportações no período | Variação |
|---|---|---|
| Colômbia | US$ 11 milhões | +1,6% |
| Equador | US$ 3,4 milhões | +14,2% |
| Peru | US$ 2,6 milhões | +7,3% |
| Canadá | US$ 1,8 milhão | +58,1% |
Os dados mostram oportunidades de expansão em diferentes mercados. Entretanto, o crescimento percentual não significa necessariamente que esses países lideram as compras do setor: o resultado também depende do valor exportado e da participação de cada destino no total.
Ceará produziu 206,8 milhões de pares em 2025
A força da indústria cearense também aparece nos indicadores de produção. Em 2025, o estado fabricou 206,8 milhões de pares de calçados, o equivalente a 24,4% da produção nacional, segundo o relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Naquele ano, o Ceará liderou a produção brasileira por estado, à frente do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Além disso, respondeu por 31,4% do volume nacional exportado, recuperando a liderança nas vendas externas em quantidade de pares.
Os resultados de 2025 e os dados de janeiro a julho de 2026 apontam para uma indústria com forte participação nacional, embora a liderança nas exportações varie conforme o período analisado.

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Sobral concentra o principal polo calçadista do estado
A produção cearense está concentrada em alguns polos industriais. Sobral ocupa posição de destaque e, em 2025, respondeu por aproximadamente 123,8 milhões de pares, o equivalente a 59,8% da produção estadual.
Fortaleza aparece na sequência, com 14,8% da produção do Ceará. Depois vêm Quixadá, com 11,5%, e Juazeiro do Norte, com 10,3%. Juntos, os quatro principais polos concentraram 96,4% da produção estadual naquele ano.
Nesse contexto, a previsão de investimentos em outros municípios pode ampliar a distribuição territorial da atividade. Contudo, o efeito sobre a concentração industrial dependerá do porte das novas unidades, da capacidade produtiva e do ritmo de implantação de cada projeto.
Concorrência asiática desafia a indústria brasileira
A expansão ocorre em um cenário de pressão sobre o setor calçadista nacional. A concorrência de produtos asiáticos e a retração do consumo doméstico dificultam o ambiente de negócios, enquanto as empresas buscam manter competitividade e ampliar as vendas externas.
Por isso, os investimentos em capacidade produtiva e a diversificação dos mercados consumidores ganham importância. No Ceará, a combinação entre novos projetos, mão de obra e estrutura industrial pode ajudar as empresas a responder às mudanças do mercado.
Apesar das perspectivas, o resultado dependerá da execução dos projetos e do comportamento da demanda. A aprovação dos protocolos de intenção representa uma etapa do processo, mas não garante que todas as vagas previstas estarão disponíveis imediatamente.
O que os investimentos podem representar para o interior?
Se os projetos avançarem conforme o planejamento, a indústria calçadista poderá ampliar sua presença em municípios do interior cearense e criar novas oportunidades de emprego formal. Além disso, a atividade pode estimular fornecedores, transportadoras, comércio e outros serviços ligados à cadeia produtiva.
Sendo assim, o próximo passo será acompanhar a implantação de cada projeto, os prazos anunciados pelas empresas e a abertura efetiva das vagas. Assim, será possível medir quanto dos R$ 140 milhões previstos se transformará em investimentos executados e quantos dos mais de 4 mil empregos projetados chegarão ao mercado de trabalho.
A indústria de calçados, portanto, segue como uma atividade estratégica para a economia do Ceará. O desafio será transformar a força produtiva e exportadora em crescimento sustentável, com expansão industrial e oportunidades distribuídas por mais municípios do estado.


