Projeto desenvolvido por estudantes de Sergipe reaproveita um dos principais resíduos da gastronomia nordestina
Um resíduo que normalmente termina no lixo e pode levar anos para se decompor está ganhando um destino inovador no Nordeste. Um projeto desenvolvido por estudantes da rede pública de Sergipe conseguiu transformar cascas de caranguejo descartadas por bares e restaurantes em biocerâmica, material que pode ser utilizado em diferentes aplicações laboratoriais e tecnológicas.
A pesquisa, desenvolvida no Centro Estadual de Educação Profissional José Figueiredo Barreto, em Aracaju, foi selecionada entre as 25 experiências mais inspiradoras do ensino médio em tempo integral do Brasil e fará parte do Caderno de Narrativas de Experiências Exitosas, publicação do Ministério da Educação (MEC).

O que acontece normalmente com as cascas de caranguejo?
Antes de mais nada, o consumo de caranguejo movimenta bares, restaurantes e o turismo em diversos estados do Nordeste, especialmente em Sergipe, Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão.
Após o consumo, porém, as cascas geralmente são descartadas no lixo comum e seguem para aterros sanitários ou lixões.
Por serem resíduos orgânicos ricos em cálcio e quitina, sua decomposição pode levar vários anos, dependendo das condições ambientais. Durante esse processo ocorre a liberação de gases provenientes da degradação da matéria orgânica, além da geração de odores, atração de insetos e aumento do volume de resíduos destinados aos aterros.
Assim, em cidades litorâneas, onde o consumo é grande, toneladas dessas cascas vão direto para o lixo todos os dias.
A novidade: transformar lixo em biocerâmica
Foi observando esse problema que um grupo de estudantes decidiu desenvolver uma alternativa sustentável.
Orientadas pela professora de Química Darcilayne Martins, as alunas criaram uma metodologia capaz de transformar as cascas de caranguejo em biocerâmica, utilizando reações químicas realizadas em laboratório.
Além de reduzir o descarte inadequado, a iniciativa agrega valor a um resíduo que antes não possuía aproveitamento econômico.
O projeto recebeu o nome “Das cascas de caranguejo no lixo à biocerâmica no laboratório”.
Reconhecimento nacional
A inovação chamou a atenção do Ministério da Educação e de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsáveis pela seleção das melhores experiências de ensino integral do país.
A princípio, o projeto sergipano integra a edição 2026 do Caderno de Narrativas de Experiências Exitosas, publicação que reúne iniciativas de destaque desenvolvidas em escolas públicas brasileiras.
De acordo com os pesquisadores, a proposta se diferencia por unir ciência, sustentabilidade, empreendedorismo, valorização da cultura local e protagonismo feminino na pesquisa científica.

Caranguejo também faz parte da identidade sergipana
Em Sergipe, o caranguejo vai muito além da gastronomia. Em suma, o crustáceo é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado em 2020. Desse modo, reflete sua importância para a economia, o turismo e a cultura sergipana.
Ao mesmo tempo, a pesquisa também contribui para fortalecer essa relação ao propor um destino ambientalmente correto para um resíduo gerado diariamente em bares e restaurantes da Orla de Atalaia, um dos principais polos turísticos do estado.

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Projeto já acumula premiações
Desde o início da pesquisa, em 2025, o trabalho já conquistou diversos reconhecimentos nacionais.
Entre eles estão:
- Seleção entre as 25 experiências exitosas do MEC;
- Selo ODS 2025, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU;
- Prêmio Destaque em Empreendedorismo na Feira Brasileira de Iniciação Científica (FEBIC);
- Participação na Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica, em Brasília;
- Exposição em feiras científicas realizadas em Sergipe, Pernambuco e Santa Catarina.
Portanto, a iniciativa também recebeu destaque durante a Bett Brasil, um dos maiores eventos de inovação em educação da América Latina.



