Iniciativas em 3 mil quilômetros da costa, tem ações que incluem pesquisa, restauração e turismo sustentável
Do Maranhão ao Espírito Santo, uma série de áreas importantes do litoral brasileiro receberá novos investimentos para conservar e recuperar recifes de coral. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 24,95 milhões em recursos não reembolsáveis para dois projetos que, juntos, movimentarão R$ 50,87 milhões em ações ambientais.
As iniciativas fazem parte do programa BNDES Corais e terão duração prevista de 36 meses. Assim, as ações alcançarão nove estados: Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Espírito Santo.
A princípio, além da conservação ambiental, os projetos envolvem monitoramento científico, restauração de corais, turismo sustentável, educação ambiental, ciência cidadã e apoio a comunidades que dependem da pesca e do turismo.
Veja onde cada projeto vai atuar
| Projeto | Quem executa | Investimento total | Recursos do BNDES | Estados | Principais ações |
|---|---|---|---|---|---|
| De Manuel Luís a Trindade | FEST, em articulação com ICMBio | R$ 33,01 milhões | R$ 16,36 milhões | MA, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA e ES | Mapeamento, monitoramento, conservação, combate a espécies invasoras, ciência cidadã e turismo de base comunitária |
| A Virada dos Recifes de Coral | WWF Brasil e Fundação Grupo Boticário | R$ 17,86 milhões | R$ 8,59 milhões | CE, PE e BA, com estudos em AL | Restauração, reprodução de corais, pesquisa genética, turismo sustentável, educação e negócios de impacto |
Os recursos do BNDES têm caráter não reembolsável, ou seja, não são empréstimos que precisarão ser devolvidos pelas instituições responsáveis pelos projetos.
Projeto 1: De Manuel Luís a Trindade
O maior dos dois projetos receberá R$ 16,36 milhões do BNDES e terá investimento total de R$ 33,01 milhões, incluindo R$ 16,65 milhões de contrapartida do ICMBio.
A iniciativa passará por 14 unidades de conservação ao longo da costa brasileira.
Entre os locais estão o Parcel Manuel Luís (MA), Jericoacoara (CE), Atol das Rocas (RN), Barra do Rio Mamanguape (PB), Fernando de Noronha e Costa dos Corais (PE/AL), Abrolhos (BA) e áreas da Cadeia Vitória-Trindade, no Espírito Santo.

O projeto prevê o mapeamento de áreas recifais ainda pouco conhecidas utilizando sensoriamento remoto, técnicas acústicas, imageamento e levantamentos de campo.
Os pesquisadores deverão produzir mapas de habitats, modelos de relevo submarino, imagens e vídeos de alta resolução.
Outra frente será o combate a espécies invasoras, como o coral-sol e o peixe-leão, além do monitoramento de peixes recifais ameaçados.
O projeto também terá impacto nas comunidades
No sul da Bahia, por exemplo, pescadores e moradores poderão ser capacitados para atuar como condutores de visitantes e mergulhadores, dentro de ações de turismo de base comunitária e ciência cidadã.
Está prevista ainda a instalação de estruturas para reduzir o lançamento de âncoras sobre áreas sensíveis.
Ao todo, o projeto prevê a aquisição de 137 equipamentos, monitoramento de 16 espécies, acompanhamento de 12 espécies exóticas ou invasoras e capacitação de 510 pessoas.
Projeto 2: A Virada dos Recifes de Coral
O segundo projeto terá investimento de R$ 17,86 milhões, com R$ 8,59 milhões do BNDES, R$ 5,48 milhões do WWF Brasil e R$ 3,79 milhões da Fundação Grupo Boticário.
A iniciativa terá atuação principalmente em Tamandaré (PE), Abrolhos e sul da Bahia, Salvador e Fortaleza, além de estudos em Maragogi, em Alagoas.

Uma das frentes mais avançadas será a pesquisa de corais resistentes ao branqueamento, fenômeno associado ao aumento da temperatura dos oceanos.
Os pesquisadores pretendem estudar características genéticas e fisiológicas desses organismos e utilizar técnicas como fertilização in vitro, criopreservação de gametas e larvas, berçários fora do ambiente marinho e reintrodução de corais.
Também está prevista a criação de um banco de células e gametas de corais brasileiros, que poderá contribuir para futuras ações de restauração.
Turismo também está no projeto
Em Abrolhos, o programa pretende fortalecer o turismo sustentável com capacitação de gestores e empreendedores, melhoria de sinalização, criação e divulgação de roteiros e desenvolvimento de tecnologias para visitação.
A proposta também prevê apoio a pequenos negócios relacionados ao turismo e à conservação ambiental.
Na Região Metropolitana de Salvador e em Fortaleza, serão identificados negócios com potencial de gerar impacto positivo sobre os ambientes recifais.
Nordeste concentra grande parte das ações
Embora os projetos alcancem o Espírito Santo, o Nordeste concentra uma parcela significativa dos territórios contemplados.
| Estado | Áreas citadas nos projetos |
|---|---|
| Maranhão | Parcel Manuel Luís |
| Ceará | Jericoacoara, Fortaleza e bacias dos rios Pacoti e Cocó |
| Rio Grande do Norte | Atol das Rocas |
| Paraíba | Barra do Rio Mamanguape |
| Pernambuco | Fernando de Noronha, Tamandaré e Costa dos Corais |
| Alagoas | Costa dos Corais, Lagoa de Jequiá e estudos em Maragogi |
| Sergipe | Plataforma continental e áreas de levantamento |
| Bahia | Abrolhos, Corumbau, Cassurubá, Salvador, Itaparica e outras áreas |
| Espírito Santo | Costa das Algas, Santa Cruz, Trindade e Martim Vaz |
Portanto, a chamada do BNDES considera os recifes rasos dos estados de Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia como parte importante dos ambientes coralíneos brasileiros.

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Por que proteger os corais?
Os recifes de coral são importantes não apenas pela biodiversidade. Eles ajudam na proteção da costa, sustentam cadeias alimentares e contribuem para atividades econômicas como pesca e turismo.
O problema é que esses ecossistemas estão entre os mais vulneráveis ao aquecimento dos oceanos, à poluição, à ocupação desordenada do litoral, à sobrepesca e ao turismo predatório.
O BNDES destaca que os recifes abrigam mais de 25% da vida marinha e vêm registrando redução da cobertura coralínea e episódios de branqueamento relacionados ao aumento da temperatura dos oceanos.
BNDES Corais

Com os dois novos projetos, a chamada BNDES Corais passa a reunir sete iniciativas aprovadas, totalizando aproximadamente R$ 108,5 milhões em investimentos, dos quais cerca de R$ 53,7 milhões são recursos do BNDES e R$ 54,9 milhões correspondem às contrapartidas dos parceiros.
Afinal, a chamada foi criada para fortalecer a conservação e recuperação dos recifes brasileiros em uma faixa de aproximadamente 3 mil quilômetros de costa, entre o Maranhão e o Espírito Santo.


