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Como o El Niño pode deixar o banho de mar no Nordeste ainda mais quente

O banho de mar na região Nordeste vai ficar ainda mais quente. E apesar de, a princípio, isso ser bom para algumas pessoas que não gostam de banho de mar frio, é uma notícia que ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
28 de agosto de 2026 - às 10:13
Atualizado 28 de agosto de 2026 - às 10:13
4 min de leitura

O banho de mar na região Nordeste vai ficar ainda mais quente. E apesar de, a princípio, isso ser bom para algumas pessoas que não gostam de banho de mar frio, é uma notícia que desperta curiosidade e ao mesmo tempo acende o sinal de alerta mundial.

Isso porque a temperatura média diária global da superfície do mar acabou de bater um recorde impressionante. No último sábado (22), os termômetros oceânicos marcaram 21,1°C, ultrapassando a marca anterior de 21,09°C registrada em março de 2024. Mas o que isso tem a ver com o seu fim de semana na praia? Tudo. E a culpa (ou o mérito, depende do ponto de vista) é do temido Super El Niño.

Fora de Época: O Calor que Chegou Antes do Verão

O que mais preocupa os cientistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) e do programa Copernicus não é apenas o número em si, mas o quando ele aconteceu.

Normalmente, as temperaturas globais dos oceanos atingem seu pico entre março e abril, logo após o verão do Hemisfério Sul. No entanto, esse novo recorde foi batido em agosto, um mês que deveria ser de transição e resfriamento relativo. Para se ter uma ideia, a temperatura atual superou o recorde anterior para o mês de agosto, que era de 20,98°C, registrado em 2023.

Isso significa que o oceano está simplesmente ignorando o calendário e esquentando numa velocidade assustadora. E o grande vilão (ou protagonista) dessa história é o desenvolvimento do Super El Niño, que especialistas já classificam como potencialmente o mais devastador da história.

O Que Esperar do “Mar Quente”?

Com o oceano global mais quente, as consequências vão muito além de um mergulho mais confortável. O calor extra armazenado na água age como combustível para a atmosfera. Isso significa:

  • Mais umidade no ar: Dias mais abafados e sensação térmica elevada.
  • Chuvas intensificadas: O famoso “tempo virou” pode chegar com muito mais força, aumentando o risco de alagamentos e ressacas no litoral.
  • Impacto na vida marinha: Recifes de coral e ecossistemas costeiros sofrem com o estresse térmico.
Baía Formosa. Foto_ Eliseu Lins
Baía Formosa. Foto_ Eliseu Lins

A Evolução da Temperatura dos Oceanos (2024 vs. 2026)

Para entender a aceleração desse aquecimento, veja na tabela abaixo como as médias globais evoluíram e como os anos recentes se destacam no histórico:

Ano/MêsTemperatura Média Global (Superfície do Mar)Contexto
Março de 202421,09°CRecorde histórico anterior (pico pós-verão).
Agosto de 202320,98°CRecorde anterior para o mês de agosto.
Agosto de 202621,1°C (Novo Recorde)Marco histórico batido fora da época padrão.
Previsão 2026/2027Projeção de aumento contínuoExpectativa de novas marcas com o auge do Super El Niño.

Fonte: Dados do Centro Europeu (ECMWF) e Copernicus.

E o Banho de Mar?

Voltando ao foco principal do nordestino que ama o mar: sim, a água vai estar mais quente. Mas essa “mordomia” térmica vem com um alerta vermelho. O Super El Niño promete ser o mais forte desde 1950 (segundo a NOAA), e isso significa que além do calor, devemos nos preparar para tempestades mais severas e um litoral mais agitado.

Portanto, aproveite a praia, curta aquele mergulho morno, mas fique de olho nos alertas da defesa civil e, principalmente, na previsão do tempo. O mar está esquentando, e a natureza está mandando um recado bem claro: é hora de prestar atenção.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.