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Nordeste integra missão internacional sobre terras raras

Maria de Lourdes da Silva Rosa é a única geóloga e representante nordestina entre os dez pesquisadores brasileiros selecionados para missão Fulbright–CNPq A ciência produzida no Nordeste ganha espaço em uma agenda cada vez mais ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
28 de agosto de 2026 - às 09:18
Atualizado 28 de agosto de 2026 - às 09:18
5 min de leitura

Maria de Lourdes da Silva Rosa é a única geóloga e representante nordestina entre os dez pesquisadores brasileiros selecionados para missão Fulbright–CNPq

A ciência produzida no Nordeste ganha espaço em uma agenda cada vez mais estratégica para o futuro da tecnologia e da transição energética. A professora Dra. Maria de Lourdes da Silva Rosa, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), foi selecionada para integrar a Missão Fulbright–CNPq sobre Terras Raras e Minerais Críticos, que será realizada nos Estados Unidos entre 19 de setembro e 1º de outubro de 2026.

Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFS, Maria de Lourdes será a única representante do Nordeste e também a única geóloga entre os dez pesquisadores brasileiros escolhidos para participar da delegação.

A princípio, a missão tem como objetivo aproximar pesquisadores brasileiros e instituições norte-americanas. Dessa forma, criar novas possibilidades de cooperação acadêmica, científica e tecnológica em torno de um tema considerado estratégico para o desenvolvimento das próximas décadas: as terras raras e os minerais críticos.

Ciência nordestina em uma agenda global

Ao mesmo tempo, durante a programação nos Estados Unidos, os pesquisadores brasileiros participarão de visitas técnicas e atividades de cooperação em instituições como a Virginia Tech, a Colorado School of Mines e o Ames National Laboratory.

De acordo com Maria de Lourdes, a participação representa mais do que uma oportunidade individual. Ela também amplia a presença da UFS e da pesquisa desenvolvida no Nordeste em redes internacionais.

“A participação na missão fortalece a internacionalização da UFS e do Programa de Pós-Graduação em Geociências, ampliando oportunidades de cooperação em pesquisa, formação de recursos humanos, prospecção geológica e caracterização geoquímica de terras raras e minerais críticos.”

Antes de mais nada, a professora também participa da missão representando o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos de Geoquímica Isotópica, que reúne grupos de pesquisa de seis universidades nordestinas.

Ainda de acordo com Maria de Lourdes, essa rede tem como foco o estudo de processos naturais por meio de assinaturas isotópicas e da composição elementar, contribuindo para ampliar conexões científicas dentro e fora do país.

A professora e geóloga Maria de Lourdes da Silva Rosa. Foto: Ascom/UFS
A professora e geóloga Maria de Lourdes da Silva Rosa. Foto: Ascom/UFS

Por que as terras raras são importantes?

Apesar do nome, as chamadas terras raras não são necessariamente raras na natureza. O grande desafio está na concentração desses elementos e na complexidade dos processos necessários para sua exploração e processamento.

Portanto, eles são fundamentais para diferentes aplicações tecnológicas e estão relacionados a setores estratégicos da economia contemporânea. Por isso, conhecer, localizar e caracterizar esses recursos minerais ganhou importância tanto científica quanto econômica.

Desse modo, o assunto também está diretamente ligado à transição energética, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento sustentável. A pesquisa geológica e geoquímica, nesse contexto, passa a ocupar uma posição ainda mais relevante.

É justamente nesse cenário que a presença de uma pesquisadora nordestina em uma missão internacional ganha dimensão simbólica: o conhecimento produzido nas universidades da região também participa das discussões sobre recursos estratégicos para o futuro.

Um retrato da participação nordestina

Em suma, a seleção de Maria de Lourdes coloca Sergipe em uma posição de destaque dentro da delegação brasileira. Ela será, simultaneamente, a representante do Nordeste e a única especialista em Geologia entre os dez pesquisadores.

DestaqueInformação
Pesquisadores brasileiros na missão10
Representantes do Nordeste1
Geóloga na delegação1
Representante nordestinaDra. Maria de Lourdes da Silva Rosa
InstituiçãoUniversidade Federal de Sergipe (UFS)
Área de atuaçãoGeociências
MissãoFulbright–CNPq sobre Terras Raras e Minerais Críticos
Período19 de setembro a 1º de outubro de 2026
PaísEstados Unidos
Instituições previstasVirginia Tech, Colorado School of Mines e Ames National Laboratory
Rede científica representadaINCT de Estudos de Geoquímica Isotópica

Nordeste na fronteira do conhecimento

A participação da professora da UFS também ajuda a mostrar uma dimensão muitas vezes esquecida quando se fala em ciência brasileira: a produção científica de excelência não está concentrada em um único eixo do país.

A pesquisa desenvolvida nas universidades nordestinas está inserida em temas que ultrapassam as fronteiras regionais e dialogam diretamente com desafios globais. No caso das geociências, conhecer o território, seus minerais e seus processos naturais é fundamental para pensar estratégias de desenvolvimento científico, tecnológico e econômico.

Ao participar da missão Fulbright–CNPq, Maria de Lourdes leva consigo não apenas a representação da UFS, mas também uma rede de pesquisadores nordestinos dedicada à geoquímica isotópica.

Em um momento em que terras raras e minerais críticos ganham importância nas discussões sobre tecnologia, energia e sustentabilidade, a ciência produzida em Sergipe e no Nordeste encontra uma oportunidade de ampliar suas conexões internacionais — e de mostrar que o futuro também está sendo pesquisado a partir daqui.