Maria de Lourdes da Silva Rosa é a única geóloga e representante nordestina entre os dez pesquisadores brasileiros selecionados para missão Fulbright–CNPq
A ciência produzida no Nordeste ganha espaço em uma agenda cada vez mais estratégica para o futuro da tecnologia e da transição energética. A professora Dra. Maria de Lourdes da Silva Rosa, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), foi selecionada para integrar a Missão Fulbright–CNPq sobre Terras Raras e Minerais Críticos, que será realizada nos Estados Unidos entre 19 de setembro e 1º de outubro de 2026.
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFS, Maria de Lourdes será a única representante do Nordeste e também a única geóloga entre os dez pesquisadores brasileiros escolhidos para participar da delegação.
A princípio, a missão tem como objetivo aproximar pesquisadores brasileiros e instituições norte-americanas. Dessa forma, criar novas possibilidades de cooperação acadêmica, científica e tecnológica em torno de um tema considerado estratégico para o desenvolvimento das próximas décadas: as terras raras e os minerais críticos.
Ciência nordestina em uma agenda global
Ao mesmo tempo, durante a programação nos Estados Unidos, os pesquisadores brasileiros participarão de visitas técnicas e atividades de cooperação em instituições como a Virginia Tech, a Colorado School of Mines e o Ames National Laboratory.
De acordo com Maria de Lourdes, a participação representa mais do que uma oportunidade individual. Ela também amplia a presença da UFS e da pesquisa desenvolvida no Nordeste em redes internacionais.
“A participação na missão fortalece a internacionalização da UFS e do Programa de Pós-Graduação em Geociências, ampliando oportunidades de cooperação em pesquisa, formação de recursos humanos, prospecção geológica e caracterização geoquímica de terras raras e minerais críticos.”
Antes de mais nada, a professora também participa da missão representando o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Estudos de Geoquímica Isotópica, que reúne grupos de pesquisa de seis universidades nordestinas.
Ainda de acordo com Maria de Lourdes, essa rede tem como foco o estudo de processos naturais por meio de assinaturas isotópicas e da composição elementar, contribuindo para ampliar conexões científicas dentro e fora do país.

Por que as terras raras são importantes?
Apesar do nome, as chamadas terras raras não são necessariamente raras na natureza. O grande desafio está na concentração desses elementos e na complexidade dos processos necessários para sua exploração e processamento.
Portanto, eles são fundamentais para diferentes aplicações tecnológicas e estão relacionados a setores estratégicos da economia contemporânea. Por isso, conhecer, localizar e caracterizar esses recursos minerais ganhou importância tanto científica quanto econômica.
Desse modo, o assunto também está diretamente ligado à transição energética, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento sustentável. A pesquisa geológica e geoquímica, nesse contexto, passa a ocupar uma posição ainda mais relevante.
É justamente nesse cenário que a presença de uma pesquisadora nordestina em uma missão internacional ganha dimensão simbólica: o conhecimento produzido nas universidades da região também participa das discussões sobre recursos estratégicos para o futuro.
Um retrato da participação nordestina
Em suma, a seleção de Maria de Lourdes coloca Sergipe em uma posição de destaque dentro da delegação brasileira. Ela será, simultaneamente, a representante do Nordeste e a única especialista em Geologia entre os dez pesquisadores.
| Destaque | Informação |
|---|---|
| Pesquisadores brasileiros na missão | 10 |
| Representantes do Nordeste | 1 |
| Geóloga na delegação | 1 |
| Representante nordestina | Dra. Maria de Lourdes da Silva Rosa |
| Instituição | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Área de atuação | Geociências |
| Missão | Fulbright–CNPq sobre Terras Raras e Minerais Críticos |
| Período | 19 de setembro a 1º de outubro de 2026 |
| País | Estados Unidos |
| Instituições previstas | Virginia Tech, Colorado School of Mines e Ames National Laboratory |
| Rede científica representada | INCT de Estudos de Geoquímica Isotópica |
Nordeste na fronteira do conhecimento
A participação da professora da UFS também ajuda a mostrar uma dimensão muitas vezes esquecida quando se fala em ciência brasileira: a produção científica de excelência não está concentrada em um único eixo do país.
A pesquisa desenvolvida nas universidades nordestinas está inserida em temas que ultrapassam as fronteiras regionais e dialogam diretamente com desafios globais. No caso das geociências, conhecer o território, seus minerais e seus processos naturais é fundamental para pensar estratégias de desenvolvimento científico, tecnológico e econômico.
Ao participar da missão Fulbright–CNPq, Maria de Lourdes leva consigo não apenas a representação da UFS, mas também uma rede de pesquisadores nordestinos dedicada à geoquímica isotópica.
Em um momento em que terras raras e minerais críticos ganham importância nas discussões sobre tecnologia, energia e sustentabilidade, a ciência produzida em Sergipe e no Nordeste encontra uma oportunidade de ampliar suas conexões internacionais — e de mostrar que o futuro também está sendo pesquisado a partir daqui.

