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A Nobreza do Amor tem forró e sotaque nordestino na trilha; veja as músicas

A Nobreza do Amor, novela da Globo ambientada no fictício RN, tem João Gomes, Zé Vaqueiro e Dorgival Dantas na trilha. Veja as músicas.
Eliseu Lins, da Agência NE9
9 de outubro de 2026 - às 01:58
Atualizado 9 de outubro de 2026 - às 01:58
8 min de leitura

Novela da Globo ambientada na fictícia Barro Preto, no Rio Grande do Norte, reúne João Gomes, Zé Vaqueiro, Dorgival Dantas e outros nomes ligados à música nordestina

A música é uma das ferramentas usadas por A Nobreza do Amor para construir a identidade de Barro Preto, cidade fictícia do Rio Grande do Norte que serve como um dos principais cenários da novela das seis da Globo.

Por isso, a trilha sonora vai muito além de uma seleção de músicas populares. A produção combina forró, música nordestina contemporânea, MPB, referências afro-brasileiras, ritmos africanos e elementos associados ao jazz de Nova Orleans.

Nesse universo, nomes como João Gomes, Zé Vaqueiro e Dorgival Dantas dividem espaço com Chico César, Gilberto Gil, Mateus Aleluia, Jorge Ben Jor, Clara Nunes e outros artistas.

O resultado cria uma espécie de ponte musical entre África, Brasil e Nordeste, enquanto aproxima a fictícia Barro Preto do território potiguar.

João Gomes, Zé Vaqueiro e Dorgival Dantas representam o forró

Entre as músicas mais diretamente relacionadas ao universo nordestino estão faixas de três nomes importantes do forró contemporâneo.

João Gomes aparece com “Endoideceu Meu Coração”, enquanto Zé Vaqueiro interpreta uma nova versão de “Coração”, composição de Dorgival Dantas.

Já o próprio Dorgival também entrou na trilha como intérprete com “Destá”, lançada em julho de 2026 como faixa oficial associada à novela. A música aparece classificada como forró e foi lançada pela TV Globo.

Assim, Dorgival aparece de duas maneiras diferentes na construção musical da novela: como compositor de “Coração” e como intérprete de “Destá”.

As principais conexões com o forró

MúsicaArtistaRelação com a novela
CoraçãoZé VaqueiroNova interpretação de composição de Dorgival Dantas
Endoideceu Meu CoraçãoJoão GomesForró/piseiro na trilha
DestáDorgival DantasSingle lançado como trilha da novela
MorenaLitto LinsFaixa associada ao repertório da produção

A presença desses artistas também ajuda a conectar a produção a diferentes momentos do forró. João Gomes e Zé Vaqueiro representam uma geração que levou o piseiro e o forró contemporâneo para públicos de todo o país, enquanto Dorgival possui uma trajetória consolidada como compositor e intérprete do gênero.

Por que uma novela ambientada no RN tem essa trilha?

A escolha não acontece por acaso.

A novela utiliza a música como parte da construção de Barro Preto, cidade fictícia que concentra uma parcela importante da história. Dessa forma, os sons ajudam a criar uma identidade para o lugar, assim como cenários, figurinos e personagens.

A produção também incorporou referências da cultura afro-brasileira e africana. Segundo informações divulgadas sobre a trilha, a equipe criou 92 composições instrumentais originais para a novela, utilizando instrumentos como tambores e marimba, além de vozes e estruturas de polirritmia. Para Barro Preto, a produção também buscou referências no jazz de Nova Orleans.

Por isso, a identidade sonora da novela não se limita ao forró.

Ela cria uma sequência que passa por diferentes referências:

África → cultura afro-brasileira → Brasil → Nordeste → Rio Grande do Norte → Barro Preto.

A playlist oficial mistura Nordeste, África e MPB

O Gshow disponibilizou uma playlist oficial de A Nobreza do Amor com diferentes gerações e estilos musicais.

Entre as 22 faixas inicialmente reunidas estão:

MúsicaArtista
ZumbiJorge Ben Jor
Endoideceu Meu CoraçãoJoão Gomes
Emoriô / Dia da CaçaGilberto Gil & BaianaSystem
Pra Gente AcordarGilsons
Quando as Estações MudaremTamarindus
Minha Princesa CordelGilberto Gil & Roberta Sá
DesanuviarPri Glenda & Marquim D’Morais
ÍndiaGilsons & Júlia Mestre
Ponta de LançaRincon Sapiência
Mama ÁfricaChico César
MufeteEmicida
SodadeCesária Evora
Ludo RealSimone
Frutos da TerraRenato Braz e outros
Mãe da LuaTamarindus
Farol das EstrelasNatascha Falcão
ReconvexoMaria Bethânia
Fogueira DoceMateus Aleluia
Todo Menino É Um ReiRoberto Ribeiro
Feira de MangaioClara Nunes
CearáMagi
Flor de LaranjeiraBeraderos

A seleção mostra justamente essa mistura.

Ao lado do forró de João Gomes, aparecem referências à música negra brasileira, à cultura africana, à MPB e a diferentes tradições regionais.

Chico César aparece em uma das conexões mais fortes

A presença de Chico César merece atenção especial.

O cantor paraibano aparece com “Mama África”, uma das músicas que ajudam a reforçar a dimensão afro-brasileira da trilha.

Além disso, a playlist inclui “Minha Princesa Cordel”, de Gilberto Gil e Roberta Sá, aproximando a seleção de outra referência diretamente associada à cultura nordestina: a literatura de cordel.

Assim, a trilha não utiliza o Nordeste apenas pelo ritmo.

Ela também recorre a elementos de literatura, ancestralidade, cultura popular e identidade regional.

Natascha Falcão também reforça a presença nordestina

Outro nome presente na seleção oficial é Natascha Falcão, com “Farol das Estrelas”.

A cantora pernambucana acrescenta uma voz da nova geração da música nordestina à trilha.

Além dela, a playlist também traz “Ceará”, de Magi, e “Feira de Mangaio”, composição de Sivuca e Glorinha Gadelha que ficou conhecida nacionalmente na voz de Clara Nunes.

Portanto, a trilha percorre diferentes regiões e gerações, sem abandonar a referência nordestina que atravessa a novela.

Dorgival Dantas ganhou uma segunda conexão com a novela

Um dos detalhes mais interessantes da trilha envolve Dorgival Dantas.

Primeiro, “Coração”, composição do artista, ganhou uma nova versão interpretada por Zé Vaqueiro especialmente para a novela..

Depois, Dorgival lançou “Destá”, apresentada como “Trilha Sonora de A Nobreza do Amor”. O single chegou às plataformas em 31 de julho de 2026 e aparece classificado como forró.

Ou seja, o artista participa da trilha tanto como compositor de uma música regravada quanto como intérprete de uma faixa criada para a produção.

A trilha da novela é maior do que a playlist inicial

Outro cuidado importante é não confundir a playlist oficial divulgada pelo Gshow com toda a trilha utilizada na novela.

Levantamentos posteriores de créditos identificam outras músicas associadas à produção, como:

  • Homem Nagô — Os Tincoãs;
  • Morena — Litto Lins;
  • Problema Seu — Felipe Cordeiro;
  • Povo de Légua — Morro da Crioula;
  • Rainha Africana — Elza Soares;
  • Fogueira Doce — Mateus Aleluia;
  • Filho de Rei — Mateus Aleluia & Pastoras do Rosário.

Isso mostra que a seleção musical continua mais ampla e dinâmica do que a primeira playlist oficial disponibilizada.

Por isso, para quem procura “todas as músicas de A Nobreza do Amor”, é importante diferenciar a playlist oficial das músicas identificadas posteriormente nos créditos.

Uma trilha que conecta Nordeste e África

A proposta musical ganha ainda mais significado quando observamos a relação entre os diferentes artistas.

De um lado, estão representantes do Nordeste contemporâneo, como João Gomes e Zé Vaqueiro.

De outro, aparecem nomes ligados à tradição afro-brasileira e à música negra, como Mateus Aleluia, Chico César, Jorge Ben Jor e Os Tincoãs.

Também entram artistas de diferentes gerações da música brasileira, como Gilberto Gil, Maria Bethânia e Clara Nunes. Dessa maneira, a novela constrói uma trilha que não tenta representar o Nordeste por apenas um gênero musical.

Ela apresenta o território como resultado de misturas culturais, influências africanas, tradições populares e novas expressões musicais.

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Barro Preto é fictícia, mas a identidade nordestina é reconhecível

A cidade de Barro Preto não existe como município real do Rio Grande do Norte. Ainda assim, a produção utiliza referências reconhecíveis do Nordeste para construir o ambiente da história.

Nesse cenário, a música funciona como uma espécie de marcador geográfico.

Afinal, o público pode não conhecer todos os elementos utilizados na construção da cidade fictícia, mas reconhece rapidamente determinados sons, ritmos, instrumentos e artistas.

E é justamente aí que a trilha ganha força.

Portanto, a Nobreza do Amor não coloca o Nordeste apenas no cenário. Coloca o Nordeste também no ouvido do público.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.