A campanha do presidente Lula (PT) não perdeu tempo. Poucas horas após o resultado do primeiro turno, aliados e integrantes do núcleo duro e governantes que apoiam a campanha se reuniram em Brasília para traçar a estratégia dos próximos 20 dias. O objetivo é claro: virar o jogo contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
O encontro começou por volta das 18h desta segunda-feira (5) e reuniu ministros, dirigentes partidários, governadores, senadores e candidatos derrotados no primeiro turno. As discussões se estenderam até perto da meia-noite, com um grupo mais próximo do presidente definindo os detalhes finais. Parte das decisões deve ser anunciada nesta terça-feira (6).
Nordeste: meta é chegar aos 70%
O Nordeste, principal reduto eleitoral do presidente, terá uma meta ambiciosa: ampliar a vantagem e tentar alcançar 70% dos votos na região. Governadores, senadores e lideranças locais deverão intensificar agendas e mobilizações.
As metas por estado já foram desenhadas:
- Ceará: José Guimarães afirmou que a intenção é elevar a votação de Lula de 63% para 70%.
- Piauí: O governador Rafael Fonteles (PT) estabeleceu como objetivo passar de cerca de 71% para 80%.
O fantasma da abstenção
O primeiro grande alvo da campanha é o eleitor que não foi votar. A abstenção no primeiro turno atingiu 21,08%, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas — o maior percentual desde 1998. Para Lula, o fenômeno tem uma explicação e uma responsabilidade.
“Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”, afirmou o presidente durante a reunião.
A ordem é entender por que tantos eleitores se sentiram desestimulados e criar mecanismos para levá-los às urnas no segundo turno.
A vez dos idosos
Outro público que ganhará atenção especial é o eleitorado idoso. A campanha já havia discutido uma estratégia para esse segmento no primeiro turno, mas o tema acabou perdendo prioridade. Agora, aliados defendem que Lula, aos 80 anos, estabeleça uma comunicação mais direta com eleitores da mesma faixa etária, ampliando a presença de temas de interesse desse público na agenda.
Sudeste: Recuperar Terreno Perdido
Se o Nordeste é a base, o Sudeste é o campo de batalha onde a campanha precisa reagir. Lula perdeu mais de 5 milhões de votos na região na comparação com o primeiro turno de 2022. Para integrantes da campanha, não basta aumentar a vantagem onde o presidente já venceu — é preciso diminuir a diferença nos territórios em que Flávio saiu na frente.
São Paulo, maior colégio eleitoral do país, terá estratégia dupla: buscar quem deixou de comparecer às urnas e disputar diretamente eleitores que votaram em outros candidatos, reduzindo a vantagem de Flávio.
Minas Gerais também entra no radar. A avaliação é que Lula precisa melhorar seu desempenho nos dois principais colégios eleitorais do Sudeste para ter condições de virar a disputa nacional. Um plano específico para os dois estados foi discutido durante a reunião.
Amazonas: O Estado Esquecido
Outra novidade é a inclusão do Amazonas na rota da campanha. Lula não visitou o estado durante o primeiro turno, e a avaliação é que essa ausência pode ter custado votos. A ideia é levar o presidente à região nos próximos dias.

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Resumo das Estratégias por Região
| Região/Estado | Meta Principal | Ações Previstas |
|---|---|---|
| Nacional | Reduzir abstenção (33,4 mi de eleitores) | Entender desinteresse e mobilizar não votantes |
| Eleitorado Idoso | Comunicação direta com maiores de 60 anos | Ampliar temas de interesse e presença de Lula |
| Nordeste | Alcançar ~70% dos votos | Intensificar agendas de governadores e senadores |
| Ceará | Elevar de 63% para 70% | Mobilização de lideranças locais |
| Piauí | Elevar de 71% para 80% | Meta definida pelo governador Rafael Fonteles |
| São Paulo | Reduzir vantagem de Flávio | Buscar abstencionistas e disputar outros eleitores |
| Minas Gerais | Melhorar desempenho | Plano específico para elevar votação |
| Amazonas | Levar Lula ao estado | Visita presidencial inédita no 2º turno |
Em suma, com menos de três semanas até a votação, a campanha de Lula aposta em uma combinação de reconexão com o eleitorado, reforço nas redes sociais e mobilização regional para reverter o cenário do primeiro turno. A grande questão é se o tempo será suficiente para transformar desinteresse em participação e recuperar os milhões de votos perdidos no Sudeste.


