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Votos do Nordeste, idosos e abstenção entram no radar da campanha de Lula no 2º turno

A campanha do presidente Lula (PT) não perdeu tempo. Poucas horas após o resultado do primeiro turno, aliados e integrantes do núcleo duro e governantes que apoiam a campanha se reuniram em Brasília para traçar ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
6 de outubro de 2026 - às 08:35
Atualizado 6 de outubro de 2026 - às 08:35
4 min de leitura
Lula no Nordeste
O presidente Lula é nordestino e tem uma identificação gigante com a região. Foto: © Ricardo Stuckert | PR

A campanha do presidente Lula (PT) não perdeu tempo. Poucas horas após o resultado do primeiro turno, aliados e integrantes do núcleo duro e governantes que apoiam a campanha se reuniram em Brasília para traçar a estratégia dos próximos 20 dias. O objetivo é claro: virar o jogo contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.

O encontro começou por volta das 18h desta segunda-feira (5) e reuniu ministros, dirigentes partidários, governadores, senadores e candidatos derrotados no primeiro turno. As discussões se estenderam até perto da meia-noite, com um grupo mais próximo do presidente definindo os detalhes finais. Parte das decisões deve ser anunciada nesta terça-feira (6).

Nordeste: meta é chegar aos 70%

O Nordeste, principal reduto eleitoral do presidente, terá uma meta ambiciosa: ampliar a vantagem e tentar alcançar 70% dos votos na região. Governadores, senadores e lideranças locais deverão intensificar agendas e mobilizações.

As metas por estado já foram desenhadas:

  • Ceará: José Guimarães afirmou que a intenção é elevar a votação de Lula de 63% para 70%.
  • Piauí: O governador Rafael Fonteles (PT) estabeleceu como objetivo passar de cerca de 71% para 80%.

O fantasma da abstenção

O primeiro grande alvo da campanha é o eleitor que não foi votar. A abstenção no primeiro turno atingiu 21,08%, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas — o maior percentual desde 1998. Para Lula, o fenômeno tem uma explicação e uma responsabilidade.

“Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”, afirmou o presidente durante a reunião.

A ordem é entender por que tantos eleitores se sentiram desestimulados e criar mecanismos para levá-los às urnas no segundo turno.

A vez dos idosos

Outro público que ganhará atenção especial é o eleitorado idoso. A campanha já havia discutido uma estratégia para esse segmento no primeiro turno, mas o tema acabou perdendo prioridade. Agora, aliados defendem que Lula, aos 80 anos, estabeleça uma comunicação mais direta com eleitores da mesma faixa etária, ampliando a presença de temas de interesse desse público na agenda.

Sudeste: Recuperar Terreno Perdido

Se o Nordeste é a base, o Sudeste é o campo de batalha onde a campanha precisa reagir. Lula perdeu mais de 5 milhões de votos na região na comparação com o primeiro turno de 2022. Para integrantes da campanha, não basta aumentar a vantagem onde o presidente já venceu — é preciso diminuir a diferença nos territórios em que Flávio saiu na frente.

São Paulo, maior colégio eleitoral do país, terá estratégia dupla: buscar quem deixou de comparecer às urnas e disputar diretamente eleitores que votaram em outros candidatos, reduzindo a vantagem de Flávio.

Minas Gerais também entra no radar. A avaliação é que Lula precisa melhorar seu desempenho nos dois principais colégios eleitorais do Sudeste para ter condições de virar a disputa nacional. Um plano específico para os dois estados foi discutido durante a reunião.

Amazonas: O Estado Esquecido

Outra novidade é a inclusão do Amazonas na rota da campanha. Lula não visitou o estado durante o primeiro turno, e a avaliação é que essa ausência pode ter custado votos. A ideia é levar o presidente à região nos próximos dias.

Mulher votando em uma cabine de votação
O segundo turno ocorre em 25 de outubro. Foto: Edilson Rodrigues | Agência Senado

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Resumo das Estratégias por Região

Região/EstadoMeta PrincipalAções Previstas
NacionalReduzir abstenção (33,4 mi de eleitores)Entender desinteresse e mobilizar não votantes
Eleitorado IdosoComunicação direta com maiores de 60 anosAmpliar temas de interesse e presença de Lula
NordesteAlcançar ~70% dos votosIntensificar agendas de governadores e senadores
CearáElevar de 63% para 70%Mobilização de lideranças locais
PiauíElevar de 71% para 80%Meta definida pelo governador Rafael Fonteles
São PauloReduzir vantagem de FlávioBuscar abstencionistas e disputar outros eleitores
Minas GeraisMelhorar desempenhoPlano específico para elevar votação
AmazonasLevar Lula ao estadoVisita presidencial inédita no 2º turno

Em suma, com menos de três semanas até a votação, a campanha de Lula aposta em uma combinação de reconexão com o eleitorado, reforço nas redes sociais e mobilização regional para reverter o cenário do primeiro turno. A grande questão é se o tempo será suficiente para transformar desinteresse em participação e recuperar os milhões de votos perdidos no Sudeste.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.