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Transporte público gratuito pode injetar até R$ 60 bilhões na economia no Brasil

Estudo aponta que tarifa zero pode funcionar como “salário indireto” e impactar famílias no Nordeste A implementação da gratuidade no transporte público nas capitais brasileiras pode gerar um impacto econômico significativo. Segundo estudo realizado por ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
5 de maio de 2026 - às 11:43
Atualizado 5 de maio de 2026 - às 11:43
3 min de leitura
A tarifa zero é o sonho de qualquer usuário de transporte público.

Estudo aponta que tarifa zero pode funcionar como “salário indireto” e impactar famílias no Nordeste

A implementação da gratuidade no transporte público nas capitais brasileiras pode gerar um impacto econômico significativo. Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chamada tarifa zero poderia injetar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia.

Na prática, o efeito seria semelhante ao de programas de transferência de renda, como um reforço direto no orçamento das famílias.

Impacto direto no bolso da população

transporte público

De acordo com o estudo, parte desse valor já circula devido a gratuidades existentes.

Veja o impacto estimado:

IndicadorValor
Impacto total estimadoR$ 60,3 bilhões
Valor já existente (isenções)R$ 14,7 bilhões
Injeção real na economiaR$ 45,6 bilhões

Ou seja, a gratuidade ampliaria significativamente a renda disponível das famílias.

Como a tarifa zero movimenta a economia

A princípio, o principal efeito da medida está na liberação de renda. Hoje, milhões de brasileiros gastam parte significativa do orçamento com transporte.

Com a tarifa zero:

  • O dinheiro economizado vira consumo
  • A economia local é estimulada
  • Há aumento indireto na arrecadação

Tarifa zero como “salário indireto”

Os pesquisadores defendem que a política pode funcionar como um complemento de renda.

Isso porque o gasto com transporte deixaria de existir, liberando recursos para:

  • Alimentação
  • Moradia
  • Educação
  • Consumo básico

Impacto social e foco nas periferias

O estudo aponta que os principais beneficiados seriam:

  • População de baixa renda
  • Moradores de periferias
  • População negra

Ou seja, a medida pode atuar diretamente na redução das desigualdades sociais.

Efeito nas capitais — impacto no Nordeste

A política teria impacto direto nas 27 capitais brasileiras, incluindo grandes centros do Nordeste como:

  • Salvador
  • Recife
  • Fortaleza

Nessas cidades, onde o transporte público é essencial para a população, o impacto pode ser ainda maior.

Possíveis formas de financiamento

O estudo também aponta alternativas para viabilizar o modelo.

Opções discutidas:

ModeloDescrição
EmpresasContribuição baseada no número de funcionários
Substituição do vale-transporteNovo modelo coletivo
Parcerias públicasApoio entre entes federativos

Segundo os pesquisadores, seria possível implementar o modelo sem sobrecarregar o orçamento federal.

Transporte como direito social

Outro ponto central da pesquisa é o entendimento do transporte como direito.

Assim como saúde e educação públicas, a mobilidade urbana poderia ser tratada como um serviço essencial garantido pelo Estado.

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A adoção da tarifa zero em larga escala colocaria o país em destaque internacional. O modelo é visto como uma das principais políticas públicas inovadoras no combate à desigualdade.

No fim das contas, o estudo reforça uma discussão que cresce no Brasil. Mais do que mobilidade, o transporte gratuito pode ser uma ferramenta econômica e social.

Portanto, especialmente no Nordeste — onde grande parte da população depende do transporte público — o impacto pode ser ainda mais transformador.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.