Estudo aponta que tarifa zero pode funcionar como “salário indireto” e impactar famílias no Nordeste
A implementação da gratuidade no transporte público nas capitais brasileiras pode gerar um impacto econômico significativo. Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chamada tarifa zero poderia injetar até R$ 60,3 bilhões por ano na economia.
Na prática, o efeito seria semelhante ao de programas de transferência de renda, como um reforço direto no orçamento das famílias.
Impacto direto no bolso da população

De acordo com o estudo, parte desse valor já circula devido a gratuidades existentes.
Veja o impacto estimado:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Impacto total estimado | R$ 60,3 bilhões |
| Valor já existente (isenções) | R$ 14,7 bilhões |
| Injeção real na economia | R$ 45,6 bilhões |
Ou seja, a gratuidade ampliaria significativamente a renda disponível das famílias.
Como a tarifa zero movimenta a economia
A princípio, o principal efeito da medida está na liberação de renda. Hoje, milhões de brasileiros gastam parte significativa do orçamento com transporte.
Com a tarifa zero:
- O dinheiro economizado vira consumo
- A economia local é estimulada
- Há aumento indireto na arrecadação
Tarifa zero como “salário indireto”
Os pesquisadores defendem que a política pode funcionar como um complemento de renda.
Isso porque o gasto com transporte deixaria de existir, liberando recursos para:
- Alimentação
- Moradia
- Educação
- Consumo básico
Impacto social e foco nas periferias
O estudo aponta que os principais beneficiados seriam:
- População de baixa renda
- Moradores de periferias
- População negra
Ou seja, a medida pode atuar diretamente na redução das desigualdades sociais.
Efeito nas capitais — impacto no Nordeste
A política teria impacto direto nas 27 capitais brasileiras, incluindo grandes centros do Nordeste como:
- Salvador
- Recife
- Fortaleza
Nessas cidades, onde o transporte público é essencial para a população, o impacto pode ser ainda maior.
Possíveis formas de financiamento
O estudo também aponta alternativas para viabilizar o modelo.
Opções discutidas:
| Modelo | Descrição |
|---|---|
| Empresas | Contribuição baseada no número de funcionários |
| Substituição do vale-transporte | Novo modelo coletivo |
| Parcerias públicas | Apoio entre entes federativos |
Segundo os pesquisadores, seria possível implementar o modelo sem sobrecarregar o orçamento federal.
Transporte como direito social
Outro ponto central da pesquisa é o entendimento do transporte como direito.
Assim como saúde e educação públicas, a mobilidade urbana poderia ser tratada como um serviço essencial garantido pelo Estado.
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Brasil na vanguarda global
A adoção da tarifa zero em larga escala colocaria o país em destaque internacional. O modelo é visto como uma das principais políticas públicas inovadoras no combate à desigualdade.
No fim das contas, o estudo reforça uma discussão que cresce no Brasil. Mais do que mobilidade, o transporte gratuito pode ser uma ferramenta econômica e social.
Portanto, especialmente no Nordeste — onde grande parte da população depende do transporte público — o impacto pode ser ainda mais transformador.


