Você já imaginou aprender a tocar sanfona, zabumba, triângulo ou pandeiro sem pagar nada por isso? Pois saiba que esse sonho existe e está acontecendo na Bahia. A Associação Cultural Asa Branca dos Forrozeiros criou uma escola pública para formar novos músicos de forró, bem no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador.
A ideia é simples, mas poderosa: garantir que o forró não seja esquecido e que as próximas gerações possam dar continuidade a essa tradição tão nordestina.
Por que isso é tão importante?
O forró está de olho em um grande título: ser reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. Mas, para isso acontecer, não basta apenas tocar as músicas nas festas de São João. É preciso que novos sanfoneiros, zabumbeiros e pandeiristas surjam.
O problema é que a sanfona, por exemplo, é um instrumento caro e difícil de encontrar professores. A procura por ele é pequena. Um professor ouvido pela reportagem contou que, em sua escola, menos de 2% dos alunos escolhem a sanfona. Sem renovação, a tradição corre o risco de enfraquecer.
Como funciona a escola pública de forró?
A escola resolveu quebrar essas barreiras. As aulas são divididas em níveis para que cada aluno evolua no seu ritmo. Veja na tabela abaixo:
| Nível | Para quem é? | Objetivo |
|---|---|---|
| Nível 1 – Iniciante | Quem nunca tocou nada e terá o primeiro contato com os instrumentos. | Apresentar o universo do forró de forma prática e divertida. |
| Nível 2 – Intermediário | Quem já toca um pouco, mas ainda não é aluno da escola. | Aperfeiçoar a técnica e avançar no ritmo. |
| Nível 3 – Avançado | Alunos que já passaram pelos níveis anteriores e estão prontos para o mercado. | Preparar profissionalmente para shows, gravações e eventos. |
“Nosso objetivo é formar pessoas para o mercado e prepará-las profissionalmente”, explica Cláudio Araújo, coordenador da escola.
O desafio do dinheiro
Apesar da empolgação, a escola ainda enfrenta um problema: a liberação dos recursos públicos. Uma emenda parlamentar já foi conseguida, mas o dinheiro público demora para chegar por causa da burocracia. Por isso, as aulas de 2026 ainda não começaram. Mesmo assim, cerca de 90 pessoas já estão inscritas, aguardando ansiosamente a seleção.
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E os mestres antigos?
A iniciativa não quer formar apenas novos talentos. Quer também cuidar de quem já dedicou a vida ao forró. Muitos sanfoneiros veteranos estão envelhecendo sem reconhecimento nem renda. Por isso, a associação luta para incluí-los na chamada “Lei dos Mestres”, um programa que pode garantir uma ajuda de custo mensal para que eles vivam com dignidade.
O futuro do forró
Com ou sem dinheiro público, a luta continua. Em 2026, foi entregue à Unesco o dossiê para tornar o forró Patrimônio da Humanidade. Se isso acontecer, será um passo gigante para valorizar ainda mais essa arte que é a cara do Brasil.
Enquanto isso, a escolinha no Centro Histórico de Salvador segue como um exemplo de esperança. Porque preservar a sanfona é preservar a nossa própria história.


