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Conheça uma escola pública que ensina forró de graça aos alunos

Você já imaginou aprender a tocar sanfona, zabumba, triângulo ou pandeiro sem pagar nada por isso? Pois saiba que esse sonho existe e está acontecendo na Bahia. A Associação Cultural Asa Branca dos Forrozeiros criou ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
5 de maio de 2026 - às 09:58
Atualizado 5 de maio de 2026 - às 09:58
3 min de leitura
Associação Asa Branca dos Forrozeiros da Bahia. Foto: Reprodução/Instagram
Associação Asa Branca dos Forrozeiros da Bahia. Foto: Reprodução/Instagram

Você já imaginou aprender a tocar sanfona, zabumba, triângulo ou pandeiro sem pagar nada por isso? Pois saiba que esse sonho existe e está acontecendo na Bahia. A Associação Cultural Asa Branca dos Forrozeiros criou uma escola pública para formar novos músicos de forró, bem no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador.

A ideia é simples, mas poderosa: garantir que o forró não seja esquecido e que as próximas gerações possam dar continuidade a essa tradição tão nordestina.

Por que isso é tão importante?

O forró está de olho em um grande título: ser reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. Mas, para isso acontecer, não basta apenas tocar as músicas nas festas de São João. É preciso que novos sanfoneiros, zabumbeiros e pandeiristas surjam.

O problema é que a sanfona, por exemplo, é um instrumento caro e difícil de encontrar professores. A procura por ele é pequena. Um professor ouvido pela reportagem contou que, em sua escola, menos de 2% dos alunos escolhem a sanfona. Sem renovação, a tradição corre o risco de enfraquecer.

Como funciona a escola pública de forró?

A escola resolveu quebrar essas barreiras. As aulas são divididas em níveis para que cada aluno evolua no seu ritmo. Veja na tabela abaixo:

NívelPara quem é?Objetivo
Nível 1 – InicianteQuem nunca tocou nada e terá o primeiro contato com os instrumentos.Apresentar o universo do forró de forma prática e divertida.
Nível 2 – IntermediárioQuem já toca um pouco, mas ainda não é aluno da escola.Aperfeiçoar a técnica e avançar no ritmo.
Nível 3 – AvançadoAlunos que já passaram pelos níveis anteriores e estão prontos para o mercado.Preparar profissionalmente para shows, gravações e eventos.

“Nosso objetivo é formar pessoas para o mercado e prepará-las profissionalmente”, explica Cláudio Araújo, coordenador da escola.

O desafio do dinheiro

Apesar da empolgação, a escola ainda enfrenta um problema: a liberação dos recursos públicos. Uma emenda parlamentar já foi conseguida, mas o dinheiro público demora para chegar por causa da burocracia. Por isso, as aulas de 2026 ainda não começaram. Mesmo assim, cerca de 90 pessoas já estão inscritas, aguardando ansiosamente a seleção.

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E os mestres antigos?

A iniciativa não quer formar apenas novos talentos. Quer também cuidar de quem já dedicou a vida ao forró. Muitos sanfoneiros veteranos estão envelhecendo sem reconhecimento nem renda. Por isso, a associação luta para incluí-los na chamada “Lei dos Mestres”, um programa que pode garantir uma ajuda de custo mensal para que eles vivam com dignidade.

O futuro do forró

Com ou sem dinheiro público, a luta continua. Em 2026, foi entregue à Unesco o dossiê para tornar o forró Patrimônio da Humanidade. Se isso acontecer, será um passo gigante para valorizar ainda mais essa arte que é a cara do Brasil.

Enquanto isso, a escolinha no Centro Histórico de Salvador segue como um exemplo de esperança. Porque preservar a sanfona é preservar a nossa própria história.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.